quinta-feira, 14 de maio de 2009

Os diferentes tipos de ensino superior

Existem cursos de bacharelado, licenciatura, tecnologia e seqüenciais.
Entenda as características, vantagens e desvantagens de cada um.

Simone Harnik Do G1, em São Paulo


Você concluiu o ensino médio e pensa que agora é só fazer uma faculdade e pronto? Não é bem assim: no país existem quatro tipos diferentes de cursos, que oferecem perspectivas profissionais diversas. São os bacharelados, licenciaturas, cursos de tecnologia e seqüenciais.

Se, por exemplo, seu objetivo for se tornar um médico, engenheiro ou advogado não há muita escapatória. O caminho a seguir é o bacharelado. Mas e se a intenção é estudar gestão ambiental? Há pelo menos dois tipos de cursos disponíveis nas faculdades públicas e particulares do Brasil, os bacharelados e os de tecnologia.

Confira as diferenças segundo a Diretoria de Regulação e Supervisão da Educação Superior do Ministério da Educação (MEC).


Vantagens e desvantagens

O bacharelado é o curso que busca a formação de profissionais como médicos, engenheiros, cientistas sociais, físicos, estatísticos, jornalistas, biólogos. Conforme a profissão, pode existir um conselho regional regulador. No caso do direito há a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Alguns cursos que podem ser bacharelado ou licenciatura. É o caso de física, biologia ou matemática, por exemplo. A diferença entre os dois é que o bacharel é formado para a atuação na pesquisa, na universidade ou no mercado. O licenciado tem habilitação para lecionar no ensino fundamental, médio ou no ensino técnico de nível médio.

Algumas faculdades permitem até que o estudante saia com os dois títulos. Por isso, na hora de escolher o vestibular, vale ficar atento ao que a instituição oferece.

Tecnólogo

Os cursos de tecnologia costumam ser mais curtos do que os bacharelados e oferecem uma formação voltada para a prática. Quem precisa tirar um diploma para, por exemplo, crescer na carreira, pode procurar um processo seletivo para tecnólogo. Mas vale ficar atento: conforme a região e o tipo de emprego, pode ser mais valorizado o bacharel ou o tecnólogo.

Os cursos de tecnologia oferecem formações nas seguintes áreas: ambiente, saúde e segurança; controle e processos industriais; gestão e negócios; hospitalidade e lazer; informação e comunicação; infra-estrutura; produção alimentícia; produção cultural e design; produção industrial; recursos naturais.

Seqüencial ou tecnólogo?

Os cursos seqüenciais, assim como os de tecnologia, têm duração mais curta que os bacharelados. Existem dois tipos de seqüencial, os de formação específica, que fornece diploma, e os de complementação de estudos, que fornecem certificados. Ambos se destinam a quem já concluiu o ensino médio.

Os seqüenciais de complementação de estudos são livres e costumam ser criados a partir de vagas ociosas em disciplinas já oferecidas em outros cursos de graduação. Já os de formação específica necessitam de projeto pedagógico e de reconhecimento.

Normalmente, os créditos ou disciplinas cursadas em seqüenciais podem ser aproveitadas para obter um diploma de bacharel, licenciado ou tecnólogo. Daí, algumas vezes o seqüencial pode ser uma alternativa para ingressar no mercado de trabalho específico e, para, depois dar continuidade aos estudos.

Bacharelados, licenciaturas e cursos de tecnologia dão direito a fazer qualquer tipo de pós-graduação – desde as profissionais, chamadas lato sensu, até os mestrados e doutorados. Já os cursos seqüenciais só possibilitam a pós-graduação profissional.






Reforma ortográfica

No dia 12 de janeiro, a Academia Brasileira de Letras (ABL) divulgou novas definições sobre o uso do hífen. Veja o arquivo aqui (ele está em pdf) ou acesse as mudanças diretamente aqui.





Trema – desaparece em todas as palavras
Antes Depois
Freqüente, lingüiça, agüentar Frequente, linguiça, aguentar

* Fica o acento em nomes como Müller



Acentuação 1 – some o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas (as que têm a penúltima sílaba mais forte)
Antes
Européia, idéia, heróico, apóio, bóia, asteróide, Coréia, estréia, jóia, platéia, paranóia, jibóia, assembléia

Depois
Europeia, ideia, heroico, apoio, boia, asteroide, Coreia, estreia, joia, plateia, paranoia, jiboia, assembleia

* Herói, papéis, troféu mantêm o acento (porque têm a última sílaba mais forte)



Acentuação 2 – some o acento no i e no u fortes depois de ditongos (junção de duas vogais), em palavras paroxítonas
Antes Depois
Baiúca, bocaiúva, feiúra Baiuca, bocaiuva, feiura

* Se o i e o u estiverem na última sílaba, o acento continua como em: tuiuiú ou Piauí



Acentuação 3 – some o acento circunflexo das palavras terminadas em êem e ôo (ou ôos)
Antes Depois
Crêem, dêem, lêem, vêem, prevêem, vôo, enjôos Creem, deem, leem, veem, preveem, voo, enjoos



Acentuação 4 – some o acento diferencial
Antes Depois
Pára, péla, pêlo, pólo, pêra, côa Para, pela, pelo, polo, pera, coa

* Não some o acento diferencial em pôr (verbo) / por (preposição) e pôde (pretérito) / pode (presente). Fôrma, para diferenciar de forma, pode receber acento circunflexo



Acentuação 5 – some o acento agudo no u forte nos grupos gue, gui, que, qui, de verbos como averiguar, apaziguar, arguir, redarguir, enxaguar
Antes Depois
Averigúe, apazigúe, ele argúi, enxagúe você Averigue, apazigue, ele argui, enxague você

Observação: as demais regras de acentuação permanecem as mesmas



Hífen – veja como ficam as principais regras do hífen com prefixos:
Prefixos Usa hífen Não usa hífen

Agro, ante, anti, arqui, auto, contra, extra, infra, intra, macro, mega, micro, maxi, mini, semi, sobre, supra, tele, ultra...

Quando a palavra seguinte começa com h ou com vogal igual à última do prefixo: auto-hipnose, auto-observação, anti-herói, anti-imperalista, micro-ondas, mini-hotel

Em todos os demais casos: autorretrato, autossustentável, autoanálise, autocontrole, antirracista, antissocial, antivírus, minidicionário, minissaia, minirreforma, ultrassom
Hiper, inter, super

Quando a palavra seguinte começa com h ou com r: super-homem, inter-regional
Em todos os demais casos: hiperinflação, supersônico
Sub Quando a palavra seguinte começa com b, h ou r: sub-base, sub-reino, sub-humano
Em todos os demais casos: subsecretário, subeditor

Vice

Sempre:

vice-rei, vice-presidente

Pan, circum Quando a palavra seguinte começa com h, m, n ou vogais: pan-americano, circum-hospitalar Em todos os demais casos: pansexual, circuncisão

Fonte: professor Sérgio Nogueira


As novas regras ortográficas estão valendo desde o dia 1º de janeiro de 2009. De acordo com o decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, até 2012 valem as duas formas de escrever: a antiga e a nova. No Ano Novo começa o chamado “período de transição”. Portugal, que também aprovou o acordo ortográfico, adotará as novas regras até 2014.


Vale lembrar que o que muda é a grafia. Ou seja, nada de pronunciar “lin-gui-ça”. A fala continua a mesma, mesmo sem os dois pontinhos em cima do “u”.


MAIS INFORMAÇÕES NO SITE: http://g1.globo.com

terça-feira, 12 de maio de 2009

BRASILEIRA GANHA CONCURSO MUNDIAL DE REDAÇÃO

Clarice Zeitel Vianna Silva, 26 anos, estudante de direito, dançarina do Caldeirão do Huck.

VENCE CONCURSO MUNDIAL DE REDAÇÃO.

Imperdível para amantes da língua portuguesa, e claro também para professores.

Isso é o que eu chamo de jeito mágico de juntar palavras simples para formar belas frases.


REDAÇÃO DE ESTUDANTE CARIOCA VENCE CONCURSO DA UNESCO COM 50.000 PARTICIPANTES

Tema: 'Como vencer a pobreza e a desigualdade'
Por Clarice Zeitel Vianna Silva
UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro/RJ

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PÁTRIA MADRASTA VIL

Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência... Exagero de escassez... Contraditórios??


Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.


Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.
O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições.
Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe gentil.', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe.

Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.


A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira'. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome.
Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra... Sem nenhuma contradição!
É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!
A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar.
E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.
Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)... Mas estão elas preparadas para isso?
Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.

Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?


Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo.
Sem egoísmo. Cada um por todos...
Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído?
Como gente... Ou como bicho?

Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel, de 26 anos, estudante que termina faculdade de direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários. Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por uma redação sobre 'Como vencer a pobreza e a desigualdade'.

A redação de Clarice intitulada `Pátria Madrasta Vil´ foi incluída num livro, com outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site da Biblioteca Virtual da Unesco.