terça-feira, 7 de abril de 2009

A Outra Face

Sidney Sheldon
Resumo

Os pontos fortes do livro se baseiam na psicologia, no interior das pessoas, um psicanalista que se vê numa situação difícil a ponto de não saber se ele está paranóico ou se realmente tem alguém seguindo-o.Os policiais Angeli e Mcgreavy desconfiam dele, pois Jhon Hanson seu paciente fora morto, no entanto, este usava sua capa de chuva quando saia do consultório, depois sua secretaria, Carol Roberts, é morta de maneira fria e cruel, tudo indicando de que ele era o psicopata, afinal Carol estava grávida e acreditam que seria dele e o paciente podia ter ouvido algo e por isso fora morto. Então começa a trama no qual ele tenta desvendar, mas comete um erro conta com a ajuda do policial, justamente o que estava envolvido para incrimina-lo. Ele busca ajuda de um detetive particular, Moddy, este pede para que ele finja ir viajar para outra cidade, logo de manhã o detetive desinstala uma bomba do carro dele, ou seja, acontecera exatamente o que ele preverá.E quando descobriu quem era o criminoso teve tempo apenas de deixar uma pista antes de ser morto. Don Vinton: era a palavra que decifrava o enigma, porém, Judd Stevens teve que se virar sozinho, em meio as suas investigações, ele descobre que Don Vinton significa Big Man, ou seja, chefão.Ele começa a traçar a face de um maníaco, seria atlético, com mania de grandeza e pensava estar acima da lei, só não o encontravam porque ele tinha uma máscara escondendo sua verdadeira face e concluía que deixando a máscara cair mostraria sua verdadeira face. O policial leva-o até os membros da máfia. Ele não entendia o porque a máfia queria o matar. Até que foi levado à casa de Don Vinton por Angeli, que também fazia parte da máfia, ele descobre que era Antony DeMarco, o marido de uma paciente, aliás, da qual ele se apaixonara. Ele usa da sua inteligência de psicanalista para sair dali sem que machucassem Anne. Assim vão para uma fábrica e lá Demarco mata Angeli e seu capanga Vaccaro joga o corpo do policial num cano transportador do qual ele fora sugado. O marido de Anne tenta o matar e não consegue, pois ele começa a atacar seu ponto fraco, sua virilidade, então sem armas começam a rolar no chão, até que ele consegue puxar a válvula e o corpo de DeMarco e sugado, a policia chega e mata o outro irmão Vaccaro e logo tiram-no de lá. Seria seu primeiro natal feliz, depois que a esposa e um bebê foram mortos num acidente de carro no natal, agora sim, estaria com Anne.

História da Língua Portuguesa

O surgimento da Língua Portuguesa está profunda e inseparavelmente ligado ao processo de constituição da Nação Portuguesa.

Na região central da atual Itália, o Lácio, vivia um povo que falava latim. Nessa região, posteriormente foi fundada a cidade de Roma. Esse povo foi crescendo e anexando novas terras a seu domínio. Os romanos chegaram a possuir um grande império, o Império Romano. A cada conquista, impunham aos vencidos seus hábitos, suas instituições, os padrões de vida e a língua.

Existiam duas modalidades do latim: o latim vulgar (sermo vulgaris, rusticus, plebeius) e o latim clássico ( sermo litterarius, eruditus, urbanus). O latim vulgar era somente falado. Era a língua do cotidiano usada pelo povo analfabeto da região central da atual Itália e das províncias: soldados, marinheiros, artífices, agricultores, barbeiros, escravos, etc. Era a língua coloquial, viva, sujeita a alterações freqüentes. Apresentava diversas variações. O latim clássico era a língua falada e escrita, apurada, artificial, rígida, era o instrumento literário usado pelos grandes poetas, prosadores, filósofos, retóricos... A modalidade do latim imposta aos povos vencidos era a vulgar. Os povos vencidos eram diversos e falavam línguas diferenciadas, por isso em cada região o latim vulgar sofreu alterações distintas o que resultou no surgimento dos diferentes romanços e posteriormente nas diferentes línguas neolatinas.

No século III a.C., os romanos invadiram a região da península ibérica, iniciou-se assim o longo processo de romanização da península. A dominação não era apenas territorial, mas também cultural. No decorrer dos séculos, os romanos abriram estradas ligando a colônia à metrópole, fundaram escolas, organizaram o comércio, levaram o cristianismo aos nativos. . . A ligação com a metrópole sustentava a unidade da língua evitando a expansão das tendências dialetais. Ao latim foram anexadas palavras e expressões das línguas dos nativos.

No século V da era cristã, a península sofreu invasão de povos bárbaros germânicos ( vândalos, suevos e visigodos). Como possuíam cultura pouco desenvolvida, os novos conquistadores aceitaram a cultura e língua peninsular. Influenciaram a língua local acrescentando a ela novos vocábulos e favorecendo sua dialetação já que cada povo bárbaro falava o latim de uma forma diferente.

Com a queda do Império Romano, as escolas foram fechadas e a nobreza desbancada, não havia mais os elementos unificadores da língua. O latim ficou livre para modificar-se.

As invasões não pararam por aí, no século VIII a península foi tomada pelos árabes. O domínio mouro foi mais intenso no sul da península. Formou-se então a cultura moçárabe, que serviu por longo tempo de intermediária entre o mundo cristão e o mundo muçulmano. Apesar de possuírem uma cultura muito desenvolvida, esta era muito diferente da cultura local o que gerou resistência por parte do povo. Sua religião, língua e hábitos eram completamente diferentes. O árabe foi falado ao mesmo tempo que o latim (romanço). As influências lingüísticas árabes se limitam ao léxico no qual os empréstimos são geralmente reconhecíveis pela sílaba inicial al- correspondente ao artigo árabe: alface, álcool, Alcorão, álgebra, alfândega... Outros: bairro, berinjela, café, califa, garrafa, quintal, xarope...

Embora bárbaros e árabes tenham permanecido muito tempo na península, a influência que exerceram na língua foi pequena, ficou restrita ao léxico, pois o processo de romanização foi muito intenso.

Os cristãos, principalmente do norte, nunca aceitaram o domínio muçulmano. Organizaram um movimento de expulsão dos árabes (a Reconquista). A guerra travada foi chamada de "santa" ou "cruzada". Isso ocorreu por volta do século XI. No século XV os árabes estavam completamente expulsos da península.

Durante a Guerra Santa, vários nobres lutaram para ajudar D. Afonso VI, rei de Leão e Castela. Um deles, D. Henrique, conde de Borgonha, destacou-se pelos serviços prestados à coroa e por recompensa recebeu a mão de D. Tareja, filha do rei. Como dote recebeu o Condado Portucalense. Continuou lutando contra os árabes e anexando novos territórios ao seu condado que foii tomando o contorno do que hoje é Portugal.

D. Afonso Henriques, filho do casal, funda a Nação Portuguesa que fica independente em 1143. A língua falada nessa parte ocidental da Península era o galego-português que com o tempo foi diferenciando-se: no sul, português, e no norte, galego, que foi sofrendo mais influência do castelhano pelo qual foi anexado. Em 1290, o rei D. Diniz funda a Escola de Direitos Gerais e obriga em decreto o uso oficial da Língua Portuguesa.

Fonte:http://www.amigosdolivro.com.br

ESCOLAS LITERÁRIAS

Quinhentismo - Foi o primeiro movimento literário no Brasil. Em relação aos demais, sua importância é um tanto quanto menos expressiva na literatura, por não apresentar nenhum escritor brasileiro; ou, ainda, nenhum "escritor". Apesar disso, muitos dos maiores vestibulares do país pedem que seus vestibulandos tenham conhecimento desta matéria. Além disso, serve também como conhecimento geral para aqueles que gostam do assunto. O movimento iniciou-se com o "ínicio" do Brasil (sim, eu sei. O Brasil existia antes do descobrimento, mas para a literatura, assim como para muitas outras coisas, sua história começa quando os portugueses chegam ao país). Seu fim foi marcado pela publicação de Prosopopéia, de Gonçalves de Magalhães, que já tinha algumas tendências barrocas.

O Descobrimento das Américas marca, antes de mais nada, a transição entre a Idade Média e a Idade Moderna. A Europa vive o auge do Renascimento, o capitalismo mercantil toma o lugar dos feudos, e o êxodo rural provoca o início da urbanização. Houve também, neste período, uma crise na Igreja: o novo grupo dos protestantes contra o grupo dos fiéis católicos (estes últimos no movimento da Contra-Reforma). Durante a maioria deste período, o Brasil era colonizado por Portugal. Os documentos eram escritos por jesuítas e colonizadores portugueses; o primeiro autor brasileiro apareceria, mais tarde, somente no movimento barroco, Gregório de Matos.

Barroco - O Barroco representa todas as formas de arte cultivadas neste período, como a música, a pintura, a arquitetura, e a literatura. Apesar deste movimento contar com o primeiro autor brasileiro em nossa literatura, sua influência é quase totalmente portuguesa e espanhola, deixando pouco espaço para o Brasil. O movimento iniciou-se em 1601, com a publicação de Prosopopéia, de Bento Teixeira. O final deste movimento dá-se em 1724, com a obra Obras, de Cláudio Manuel da Costa, e com a fundação da Arcádia Ultramarina, que será comentada no Arcadismo.

O início do século XVI foi para Portugal o momento mais áureo de sua história até hoje; assim como os últimos foram os mais negros. Por uma lado o descobrimento do Brasil iria tornar Portugal o país mais rico do mundo. Mas em contraste, logo foi observado a crise do comércio português.

Suas colônias não produziram como era esperado. Além disso, em 1578, desaparece o rei Dom Sebastião em campanha pela África. Dois anos depois Filipe II, rei da Espanha, anexa Portugal a seu país, ato que durou quarenta anos. No Brasil, o período Barroco ficou marcado em especial pelas invasões holandesas e pelo declínio da venda da cana-de-açúcar, este segundo em consequência do primeiro.

Arcadismo - Este período, também conhecido como Neoclassicismo (o Classissismo foi um movimento europeu que ocorreu antes de o Brasil ter sido descoberto. Seu principal autor foi Luís Vaz de Camões), iniciou-se em 1768, com a publicação de Obras, de Cláudio Manuel da Costa. Foi também o ano da fundação da Arcadia Ultramarina. Durou até 1836, quando foi publicado Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães. Este período foi, essencialmente, uma reação à religiosidade barroca. Sua influência é toda francesa, com seus movimentos iluministas que iriam estourar a Revolução Francesa.

Socialmente, este movimento marcou a acensão da burguesia em fatores políticos e sociais, tanto no Brasil como na Europa. Em 1748, Montesquieu escreve e publica O espírito das Leis, obra na qual apresenta o governo em poder legislativo, executivo, e judiciário; como é feito hoje em vários países, como o Brasil. Voltaire e Rousseau colaboraram também neste sentido, defendendo a burguesia e a república. Todos esses autores foram responsáveis pelo início do Iluminismo, um dos ideais árcades. Foi também neste período que iniciou-se a independência dos países americanos, começando pelos Estados Unidos, em 1776. No Brasil, o centro comercial deixa o Nordeste e se instala principalmente em Minas Gerais. Ocorre também a Inconfidência Mineira, principal fato histórico brasileiro da época. Alguns dos autores deste período fizeram até parte deste movimento revolucionário.

Romantismo - O Romantismo foi um movimento com origem inglesa e alemã, sendo contra o Arcadismo. Este estilo inicia-se em 1836, com a publicação de Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães. Foi portanto um movimento que ocorreu logo após a Independência do Brasil, e, por alguns autores, por causa desta independência. Logo após a independência, os brasileiros precisavam buscar sua importância na situação econômica, política, social e cultural (daí a literatura). O ano tradicional do desfecho romântico é o de 1881, com duas publicações: O mulato e Memórias póstumas de Brás Cubas, ambas com tendências naturalistas/realistas.

Neste período ocorreu pelo mundo duas importantes revoluções: a Revolução Francesa, e a Revolução Americana. Essas foram revoltas do povo, da burguesia; assim como o Romantismo, que, conRealismo - A principal influência para este movimento no Brasil veio da Alemanha, representada pelo evolucionismo e pelo positivismo. O movimento começou em 1881, ano em que foi publicado O mulato, de Aluísio Azevedo, e Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. O fim deste período literário apresenta certa controvérsia; tradicionalmente finalizamos este movimento com o início do simbolismo, 1893. Apesar disso, pode-se dizer que este não foi realmente o fim do realismo.

Basta lembrar a data de publicação de Dom Casmurro, ainda com perfeitas características realistas: 1900. Ou a fundação da Academia Brasileira de Letras, casa do realismo: 1897. Portanto pode-se dizer que o realismo durou, como o Simbolismo, o Parnasianismo e o Pré-Modernismo, até 1922, ano em que ocorreu a semana da arte moderna. Nesse período a Revolução Industrial, na Europa, entra na fase da utilização do aço, do petróleo e da eletricidade, enquanto o avanço científico realiza novas descobertas e invenções no campo da Física e da Química.
Surge então grandes complexos industriais, nos quais vários empregados trabalham diariamente em condições sub-humanas, correndo sempre risco de vida a graves acidentes. No Brasil, este período é marcado pelas campanhas abolicionistas, a Lei Áurea, a substituição da mão de obra escrava pela mão de obra assalariada, a Guerra do Paraguai, e a monarquia decadente de D. Pedro IIforme um historiador, foi "da burguesia, pela burguesia, e para a burguesia". No Brasil, este movimento surgiu alguns anos após a Independência do Brasil, no governo autoritário de D. Pedro I, no Período Regencial, e no governo de D. Pedro II.

Parnasianismo - O movimento parnasiano surgiu na França em 1866, com a edição da antologia " La Parnase Contemporain". Abrigando poetas de tendências diversas, como Théopgille Gauthier , Laconte de Lísia, Charles Baudelaire, Geradia, Banvilla, havia, em comum a oposição ao sentimentalismo romântico.

A denominação Parnasianismo remete-nos à antiguidade grecoromana(Monte Parnaso= região da Fócida , na Grécia, que a Mitologia contemplava como a morada dos deuses e poetas, ali isolados do mundo para dedicarem-se exclusivamente à arte).

Isso sugere a aproximação às fibtes e ais udeaus ck;assucis da arte.( o Belo , o Bem, a Verdade , a Perfeição , o equilíbrio a disciplina e o rigor formal, a obediência às regras e modelos , a arte como imitação da natureza - a Mimese arestotélica, a razão, o antropocentrismo) São frequentes as alegorias fundadas na Mitologia e na História da Grécia e de Roma. "O Sonho de Marco Antônio" , "A Seste de Beri", "O treiunfo de Afrondite" "O Incêndio de Roma" "A tentação de Xenôcrates" "O Julgamento de Frinéia" . "Delencia Cartago" todos de Olavo Bilac, "O vaso Grego"e "A volta da Galera" de Alberti de Oliveira.

Antecedentes Brasileiros - Em 1878 desfere-se pelas páginas do 'Diário do Rio de Janeiro a "Batalha do Parnaso"polêmica em versos agressivos ( e de má qualidade)
, entre os defensores de "Idéia Nova" e os epígonos do Romantismo.

Influenciados pela Questão Coimbrã, e pelas obras dos poetas realistas portugueses: Teófilo Braga - "Visão dos Tempos" e "Antero de Quental" - "Odes Modernas", os arautos da "Idéia Nova" combariam os "Abreus e Varelas" Opondo-se ao sentimentalismo piegas e à frouxidão dos versos dos últimos românticos, e propunham algumas atitudes:

1) a poesia participante, que pregasse a justiça, a república fraternal, o progresso científico e material atacando, algumas vezes de forma desabrida , as instituições, é o caso de Lúcio de Mendonça, Martins Júnior e Silvio Romero.

2 ) a poesia "realista" . com abandono dos eufernismos relativos ao amor, por uma descrição mais direta do corpo e dos desejos e , ainda, a poesia realista urbana e agreste: seguem nessa direção: Carvalho Júnior, Bernardino Lopes e Teófilo Dias.

Cabe observar que os sonhos de justiça e a república fraternal já havia encontrado em Castro Alves, no último romantismo, uma expressão muito mais talentosa, convincente e eloquente.

2.3 Costuma-se considerar como o primeiro livro parnasiano, no sentido próprio, as " Fanfarras", de Teófilo Dias. O Parnasianismo , tal como hoje o concebermos, só se definiria com Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac, que constituiram a Trindade Parnasiana, e realizaram suas obras sob os princípios d a "arte pela arte" da impassibilidade e da perfeição formal, ainda que tivessem , todos eles, estreiado com versos românticos.

Características

A arte pela Arte.

O Esteticismo

Sintetizada na forma latina "ars gratia artis"(arte pela arte) , a poesia parnasiana propõe que a abeleza formal justifica a existência do poema , e que a arte não deve Ter outros compromissos senão para com o belo, para com a perfeição formal.

Negando a poesia realista filosófica-científica e socialista de seus precursores, os parnasianos impõem uma atitude de distanciamento do cotidiano de alienação dos problemas do mundo, de desprezo pela plebe e pelas aspirações populares e de recusa aos temas vulgares.

Assim os parnasianos se fecham em suas torres de marfim, entregues ao puro fazer poético:

"Longe do estéril turbilhão da rua,

Beneditino escreve! No aconchego

Doo claustro, na paciência e no sossego,

Trabalha, e teima , e lima , e sofre, e sua!"

("A um Poeta - Bilac)

Simbolismo - O Simbolismo teve início no ano de 1893, e manteve suas influências sobre autores até a Semana da Arte Moderna. Este movimento, apesar de não ser uma manifestação realista, como o Parnasianismo, manteve-se paralela a este o tempo todo. Em 1893, foram publicados Missal e Broquéis, ambos de Cruz e Sousa. Este período foi marcado pela I Guerra Mundial (1914-1918)e pela Revolução Russa. Houve também a unificação da Alemanha(1870) e da Itália (1871)momentos antes do início do movimento.

A Europa inteira passa por um processo de industrialização, aumentando a disputa por mercado. Este é o início do neocolonialismo. Este pensamento materialista de produção, com pouca preocupação com o bem-estar dos trabalhadores urbanos, gera críticas dos simbolistas. O Brasil não apresentou nenhum grande acontecimento durante esta época, apesar de haver várias revoltas no sul do país, onde o movimento foi mais acentuado. Duas delas se destacam:

A Revolução Federalista (1893-1895)e a Revolta da Armada (1893-1894). A primeira foi uma revolta de oposição ao governo de Floriano Peixoto, que gerou muitas mortes no sul do país. A outra foi quando a marinha brasileira ancorou seus navios no litoral carioca, e apontou seus canhões para o palácio do governo, exigindo sua renúncia. Estes acontecimentos levam à desilusão, a descrença na vontade de viver, que são visões simbolistas. Isto fez com que as idéias filosóficas se desviassem do materialismo para o simbolismo. Pré Modernismo - O termo Pré-Modernismo foi criado por Alceu de Amoroso Lima (Tristão de Ataíde) para designar o período cultural brasileiro que vai do princípio deste século à Semana de Arte Moderna , ou como quer a cronologia literária, de 1902 , ano da publicação de Canaã, de Graça Aranha e de Os Sertões, de Euclides da Cunha, até 1922, ano da realização da Semana de Arte Moderna.

Corresponde à "belle époque" brasileira, marcada pela concomitância de diversas correntes, às vezes opostas: o parnasianismo residual ( Raimundo Correia, Bilac, Alberto de Oliveira e Vicente de Carvalho ainda estavam vivos e escreviam) ; o neo -parnasianismo de Amadeu Amaral e Martins Fontes e a prosa tradicionalista de Rui Barbosa, Joaquim Nabuco e Coelho Neto ; o Simbolismo , que não logrou penetração nas elites cultas da época e nem nas camadas populares; o realismo-naturalismo, transfundido na prosa regionalista de Afonso Arinos, Simões Lopes Neto, Valdomiro Silveira e Hugo de Carvalho Ramos; e a literatura problematizadora da realidade brasileira que é mais característicamente Pré-Modernista - Euclides da Cunha , Lima Barreto, Coelho Neto e Graça Aranha.

Assim esquematizando, no período que vamos estudar, convivem tendências conservadoras e renovadoras.

O aspecto conservador está diretamente ligado à sobrevivência da mentalidade positivista, agnóstica e liberal que se expressava no estilo realista-naturalista não penetrou , senão superficialmente , no espírito das classes cultas. Otto Maria Carpeaux deixa claro que " Aqui e só aqui fracassou o Simbolismo; e por isso , o movimento poético precedente sobreviveu, quando já estava extinto em toda parte do mundo".

O aspecto renovador está na incorporação, do ponto de vista do conteúdo, de aspectos da realidade brasileira, refletindo situações históricas novas, ou só a partir de então consideradas:

· a miséria e o subdesenvolvimento nordestino, em Euclídes da Cunha;

· a vida urbana e as transformações do inicio do século ( as greves, o futebol, o arranha -céu, o jogo do bicho, os pingentes da Estrada de Ferro Central do Brasil, o subúrbio carioca), em Lima Barreto;

· a miséria do caboclo do Vale do Paraíba, a decadência da ci;tira cafeeira, o anacronismo das práticas agrícolas, em Monteiro Lobato, e

· a imigração alemã no Espírito Santo, em Graça Aranha.

Assim, pode-se dizer que o aspécto conservador (o PRÉ) localiza-se mais no código , na linguagem que , com algumas poucas ousadias, continuou fiel aos modelos realistas e naturalistas ( Aluísio Azevedo, Eça de Queiroz, Machado de Assis, Flaubert, Emile Zola, Balsac); ressuscitando até o barroco do Padre Antônio Vieira, perceptível em Rui Barbosa. e Euclides da Cunha.

O aspécto renovador (o MODERNISMO) está centrado na preocupação com a realidade nacional; no regionalismo crítico e vigoroso e na crítica às instituições arcaicas da República Velha. Algumas dessas características serão retomadas , especialmente na 2ª Geração modernista.

Esta época , no que tange à literatura oficial, acadêmica, reflete o gosto da classe dominante, expressando-se de firna oedabte e artificial, pouco inovadora. Este aspecto de "estagnação" é batizado como a época dos "NEOS" : neoparsianismo, neo -simbolismo, e até neoclássicos e neo-românticos reabilitaram-se no gosto literário de então.

O CONTEXTO HISTÓRICO

Vale observar que diversidade regional fez com que a manifestações políticas e sociais da época expressassem níveis de consciência muito distintos , não raro parecento exprimir tensões meramente locais. Alguns acontecimentos que configuram este quadro:

A.NO NORDESTE

· a Revolução de Canudos ( BA - 1896 - 1897), retratada por Euclídes da Cunha;

· o fenômeno do cangaço, decorrente do declínio da economia dos engenhos;

· o fanatismo religioso desencadeado pelo " Padim Ciço", que tem por apicentro o Ceará, entre 1911 a 1915.

A.NO RIO DE JANEIRO

· A revolta contra a vacina obrigatória ( Oswaldo Cruz), 1904, expressiva da insatisfação das massas urbanas;

· A revolta da Chibata (1910) liderada por João Cândido, " O Almirante Negro". Os marinheiros amotinados exigiam a extinção dos castigos corporais na Marinha.

A.EM SANTA CATARINA

· A Guerra do Contestado (1912 -1916) envolvendo posseiros da região contestada entre Santa Catarina e Paraná, às margens do rio do Peixe.

Cabe ainda acrescentar a Campanha Civilista, a queda da Amazônia durante o ciclo da borracha, seguida de fulminante queda.

Modernismo - Este período é conhecido pelo caráter revolucinário, criticando cruelmente parnasianos, e simbolistas. A literatura procura se expressar de forma livre, espontânea, fugindo de todas a normas possíveis, ao contrário do parnasianismo. Sua origem é, como sempre, européia. A busca pelo moderno e inovador é a principal marca deste período.

O período inicia-se com a Semana da Arte Moderna, em fevereiro de 1922, e vai até 1945, fim da ditadura de Getúlio Vargas e da II Guerra Mundial. Este movimento é dividido em dois períodos: 1922-1930, e 1930-1945.

Pós Modernismo - O Pós-Modernismo é o movimento em que nos encontramos hoje. Na verdade, tudo que foi produzido após o Modernismo é considerado trabalho pós-modernista. Talvez no futuro este período seja redividido em vários períodos. Até que seja, o Pós-Modernismo apresenta duas fases. A primeira fase corresponde a uma fase mais "séria e equilibrada", como diz José de Nicola, doque as tendências modernistas, especialmente na poesia. A prosa vive um momento semelhante à prosa modernista.

Na segunda fase surgem duas tendências na poesia: a poesia concreta e a poesia-máxis; veremos estas tendências mais tarde. Com o final da II Guerra Mundial e o bombardeamento norte-americana ao Japão, começa a era da Guerra Fria. Constroi-se o Muro de Berlin, a OTAN, a COMECON, etc... A queda do muro marcou o final da Guerra Fria.


Fonte:http://zarasama.vilabol.uol.com.br

Literatura



História da Literatura, Escolas Literárias, Principais poetas de todos os tempos,
principais obras literárias, livros de sucesso, contos, fábulas e best-sellers.

Séculos VIII a.C. a II a.C.
As primeiras obras da História que se tem informação são os dois poemas atribuídos a Homero : Ilíada e Odisséia. Os dois poemas narram as aventuras do herói Ulisses e a Guerra de Tróia. Na Grécia Antiga os principais poetas foram: Píndaro, Safo e Anacreonte. Esopo fica conhecido por suas fábulas e Heródoto, o primeiro historiador, por ter escrito a história da Grécia em seu tempo e dos países que visitou, entre eles o Egito Antigo.

Séculos I a.C. a II d.C. : A literatura na História de Roma Antiga
Vários estilos que se praticam até hoje, como a sátira, são originários da civilização romana. Entre os escritores romanos do século I a.C. podemos destacar: Lucrécio (A Natureza das Coisas); Catulo e Cícero. Na época de 44 a.C. a 18 d.C., durante o império de Augusto, corresponde uma intensa produção tanto em poesia lírica, com Horácio e Ovídio, quanto em poesia épica, com Virgílio autor de Eneida. A partir do ano 18, tem início o declínio da História do Império Romano, com as invasões germânicas. Neste período destacam-se os poetas Sêneca, Petrônio e Apuleio.

Séculos III a X
Após a invasão dos bárbaros germânicos, a Europa se isola, forma-se o feudalismo e a Igreja Católica começa a controlar a produção cultural. A língua (latim) e a civilização latina são preservadas pelos monges nos mosteiros.A partir do século X começam a surgir poemas, principalmente narrando guerras e fatos de heroísmo.

Século XI : As Canções de Gesta e as Lendas Arturianas
É a época das Canções de Gesta, narrativas anônimas, de tradição oral, que contam aventuras de guerra vividas nos séculos VIII e IX , o período do Império Carolíngio. A mais conhecida é a Chanson de Roland ( Canção de Rolando ) surgida em 1100. Quanto à prosa desenvolvida na Idade Média, destacam-se as novelas de cavalaria, como as que contam as aventuras em busca do Santo Graal (Cálice Sagrado) e as lendas do rei Artur e dos Cavaleiros da Távola Redonda.

Séculos XII a XIV : O trovadorismo e as cantigas de escárnio e maldizer
É o período histórico do trovadorismo e das poesias líricas palacianas. O amor impossível e platônico transforma o trovador num vassalo da mulher amada, exemplo do amor cortês. Neste período, também foi comum o poema satírico, representado pelas cantigas de escárnio (crítica indireta) e de maldizer (crítica direta).

Séculos XIV a XV : Humanismo
O homem passa a ser mais valorizado com o início do humanismo renascentista. A literatura mantém características religiosas, mas nela já se podem ver características que serão desenvolvidas no Renascimento, como a retomada de ideais da cultura greco-romana. Na Itália, podemos destacar: Dante Alighieri autor da Divina Comédia, Giovanni Bocaccio e Francesco Petrarca. Em Portugal, destaca-se o teatro do poeta de Gil Vicente autor de A Farsa de Inês Pereira.

Século XVI : O classicismo na História
O classicismo tem como elemento principal o resgate de formas e valores da cultura clássica, ou seja greco-romana. O mais importante poeta deste período histórico foi Luís de Camões que escreveu Os Lusíadas, narrando as aventuras marítimas da época dos descobrimentos. Destacam-se também os franceses François Rabelais e Michel de Montaigne. Na Inglaterra, o poeta de maior sucesso foi William Shakespeare se destaca na poesia lírica e no teatro. Na Espanha, Miguel de Cervantes faz uma sátira bem humorada das novelas de cavalaria e cria o personagem Dom Quixote e seu escudeiro, Sancho Pança, na famosa obra Dom Quixote de La Mancha.

Século XVII
As idéias da Contra-Reforma marcaram profundamente esta época, principalmente nos países de tradição católica mais forte como, por exemplo, Espanha, Itália e Portugal. Na França, a oratória sacra é representada por Jacques Bossuet que defendia a origem divina dos reis. Na Espanha, destacam-se os poetas Luís de Gôngora e Francisco de Quevedo. Na Inglaterra, marca significativamente a poesia de John Donne e John Milton autor de O Paraíso Perdido.

Século XVIII: O Neoclassismo
Época da valorização da razão e da ciência para se chegar ao conhecimento humano. Os filósofos iluministas fizeram duras críticas ao absolutismo. Na França, podemos citar os filósofos Montesquieu, Voltaire, Denis Diderot e D'Alembert, os organizadores da Enciclopédia, e Jean-Jacques Rousseau . Na Inglaterra, os poetas Alexander Pope, John Dryden, William Blake. Na prosa pode-se observar o pleno crescimento do romance.
Obras e autores deste período da História: Daniel Defoe autor de Robinson Crusoe; Jonathan Swift (As Viagens de Gulliver ); Samuel Richardson ( Pamela ); Henry Fielding ( Tom Jones ); Laurence Sterne ( Tristram Shandy ). Nessa época, os contos de As Mil e Uma Noites aparecem na Europa em suas primeiras traduções.

Século XIX (primeira metade) : O Romantismo
No Romantismo há uma valorização da liberdade de criação. A fantasia e o sentimento são muito valorizados, o que permite o surgimento de obras de grande subjetivismo. Há também valorização dos aspectos ligados ao nacionalismo.
Poetas principais desta época: Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco, Giacomo Leopardi, James Fenimore Cooper, Edgard Allan Poe.

Século XIX (segunda metade) : O Realismo
Movimento que mostra de forma crítica a realidade do mundo capitalista e suas contradições. O ser humano é retratado em suas qualidades e defeitos, muitas vezes vitimas de um sistema difícil de vencer.
Principais representantes: Gustave Flaubert autor de Madame Bovary, Charles Dickens (Oliver Twist ), Charlotte Brontë (Jane Eyre), Emily Brontë (O Morro dos Ventos Uivantes), Fiodor Dostoievski, Leon Tolstoi, Eça de Queiroz, Cesário Verde, Antero de Quental e Émile Zola, Eugênio de Castro, Camilo Pessanha, Arthur Rimbaud, Charles Baudelaire.

Décadas de 1910 a 1930 : fugindo do tradicional
Os escritores deste momento da História vão negar e evitar as tipos formais e tradicionais. É uma época de revolução e busca de novos caminhos e novos formatos literários.
Principais escritores deste período: Ernest Hemingway, Gertrude Stein, William Faulkner. S. Eliot, Virginia Woolf , James Joyce, Mário de Sá-Carneiro, Fernando Pessoa, Cesar Vallejo, Pablo Neruda, Franz Kafka, Marcel Proust, Vladimir Maiakovski.

Década 1940 : a fase pessimista
O pessimismo e o medo gerados pela Segunda Guerra Mundial vai influenciar este período. O existencialismo de Jean-Paul Sartre , Simone de Beauvoir e Albert Camus vão influenciar os autores desta época. Na Inglaterra, George Orwell faz uma amarga e triste profecia do futuro na obra 1984.

Década de 1950: crítica ao consumismo
As obras desta época da História criticam os valores tradicionais e o consumismo exagerado imposto pelo capitalismo, principalmente norte-americano. O poeta Allen Ginsberg e o romancista Jack Kerouac são seus principais representantes. Henry Miller choca a crítica com sua apologia da liberdade sexual na obra Sexus, Plexus, Nexus. Na Rússia, Vladimir Nabokov faz sucesso com o romance Lolita.

Décadas de 1960 e 1970
Surge o realismo fantástico, como na ficção dos argentinos Jorge Luis Borges e Julio Cortázar . Na obra do colombiano Gabriel García Márquez , Cem Anos de Solidão, se misturam o realismo fantástico e o romance de caráter épico. São épicos também alguns dos livros da chilena Isabel Allende autora de A Casa do Espíritos. No Peru, Mario Vargas Llosa é o romancista que ganha prestígio internacional. No México destacam-se Juan Rulfo e Carlos Fuentes, no romance, e Octavio Paz, na poesia.
A literatura muda o foco do interesse pelas relações entre o homem e o mundo para uma crítica da natureza da própria ficção. Um dos mais importantes escritores a incorporar essa nova concepção é o italiano Ítalo Calvino.

Saber Cuidar

Leonardo Boff

Resenha

Leonardo Boff no livro Saber cuidar, discorrer de forma simples e prazerosamente, acerca do Cuidado como essência humana, mais que a Razão e a Vontade.

A partir de uma fábula antiga sobre o Cuidado, ele aprofunda as suas várias dimensões na vida pessoal, social e planetária.

Boff tece uma crítica poderosa, de ângulo holiístico, ao realismo materialista - a filosofia que sustenta o cienticifismo tecnicista atual. A humanidade estaria cega à dimensão divina que a guiou desde tempos imemoriais. Este realismo materialista teria encurtado realidade ao tamanho dos 5 (cinco) sentidos, organizados pela razão analítica.

O teólogo e filósofo vai da mitologia à cosmologia e física quântica atuais, para ilustrar a necessidade e o surgimento de uma nova cnsciência alternativa ao realismo materialista: a filosofia holística. A perda de conexão com o Todo seria a falta de cuidado, falta da condição essencial humana.

Um novo paradigma (seminal) e re-ligação, re-encantamento pela natureza e da com-paixão pelos que sofrem representa o surgimento de uma ética civilizacional que nos permitirá dar um salto de qualidade de convivência e de paz.

By Tânia Barros - escritora,dramaturga, professora - Niterói-RJ.

Incidente em Antares

Érico Veríssimo

No livro, dividido em duas partes, mesclam-se acontecimentos reais e irreais. Na cidade fictícia de Antares, apresenta-nos, o Autor, na primeira parte, o progressivo acomodamento das duas facções (os Campolargo e os Vacariano) às oscilações da política nacional e a união de ambas em face da ameaça comunista, como é conhecida, pelos senhores da cidade, a classe operária que reivindica seus direitos.
Na segunda parte, o "incidente" do título: a greve dos coveiros. Morrem inesperadamente sete pessoas em Antares, incluindo a matriarca dos Campolargo. Os coveiros se negam a efetuar o enterro, a fim de aumentar a pressão sobre os patrões. Os mortos, insepultos, adquirem "vida" e passam a vasculhar a vida dos parentes e amigos, descobrindo, com isso, a extrema podridão moral da sociedade. Como as personagens são cadáveres, livres, portanto, das pressões sociais, podem criticar violentamente a sociedade.

O trecho escolhido mostra o plano dos cadáveres para conseguir seu enterro.

Dona Quitéria ergue-se, depois de dar duas palmadinhas consoladoras no ombro do suicida, e diz em voz alta, como quem se dirige a uma assembléia:
- Precisamos fazer alguma coisa!
Cícero Branco congrega os outros seis cadáveres:
- Companheiros, não é por estar morto que vou deixar de ser o que
fui em vida: um advogado. Estive arquitetando um plano...
- Fale! - ordena Dona Quitéria.
- Qual é o nosso objetivo? O de sermos sepultados dignamente, como é de nosso direito e de hábito, numa sociedade cristã.
- O doutor falou pouco mas bem! - exclamou Pudim de Cachaça.
- Escutem com a maior atenção. Você aí, Joãozinho, aproxime-se e escute também. A idéia é simples. Amanhã pela manhã marcharemos todos sobre a cidade para protestar...
- Uma greve contra os grevistas! - entusiasma-se Dona Quitéria.
- Se o fim da marcha é esse - intervém Barcelona -, não contem com este defunto.
- Espere - diz o advogado, tocando o braço do sapateiro. - Usemos
de todas as nossas armas. Primeiro, a nossa condição de mortos. Sejamos mais vivos que os vivos.
- Como?
- Impondo à população de Antares a nossa presença macabra. Se não nos enterrarem dentro do prazo que vamos impor, empestaremos com a nossa podridão o ar da cidade.
- Que coisa horrorosa, doutor! - diz Erotildes, ajeitando os cabelos num gesto faceiro.
- Por que não se põe em votação a proposta do Dr. Cícero?
- pergunta o sapateiro.
- Bom - faz o advogado. - Não direi que aqui em cima estejamos numa democracia. Imaginemos que isto é uma... uma tanatocracia. (E os sociólogos do futuro terão de forçosamente reconhecer este novo tipo de regime.) Preciso saber se todos vocês me aceitam como advogado, caso em que terão de me passar uma procuração verbal para eu agir em nome do grupo.
Dona Quitéria sacode a cabeça num movimento afirmativo. Erotildes, Pudim e Menandro a imitam. Barcelona, porém, hesita:
- Primeiro quero conhecer melhor o plano.
- Simples. Descemos juntos pela Rua Voluntários da Pátria ruma da Praça da República. Lá nos dispersaremos, cada qual poderá voltar à sua casa... Para isso teremos algumas horas. O essencial (prestem a maior atenção!) é que quando o sino da matriz começar a dar as doze badaladas do meio-dia, haja o que houver, todos devem encaminhar-se para o coreto da praça, sentar-se nos bancos em silêncio e ficar à minha espera.
- E que é que você vai fazer? - quer saber João Paz.
- Vou primeiro à minha casa buscar uns papéis importantes...
Depois me dirigirei à residência do prefeito para lhe entregar um ultimato verbal... ou nos enterram dentro do prazo máximo de vinte e quatro horas ou nós ficaremos apodrecendo no coreto, o que será para Antares um enorme inconveniente do ponto de vista higiênico,
estético... e moral, naturalmente."

Crepúsculo dos Ídolos

Nietzsche


Em Crepúsculo dos Ídolos, Nietzsche passa pelo crivo de seu cérebro algumas conquistas da sociedade de sua época – que assim eram consideradas pelo mundo político e filosófico – e condena algumas como ilusórias, ataca outras como ridículas e aceita poucas como fruto do pensamento de espíritos e mentes superiores. Mas, no mundo político, as despreza e condena praticamente todas, porquanto conquistas reveladoras de desumanidade, de domínio impróprio de uma pseudo-vontade superior, de uma moral opressora e cristãmente insossa, insulsa, inconseqüente, insalubre, quando não pérfida e perniciosa.

Esses mitos criados para o homem e não pelo homem, fomentados por forças políticas e religiosas sem escrúpulos, esses ídolos estão em seu crepúsculo: serão sujeitados, eliminados, degradados e banidos da vida do homem. Não lhe pertencem. Foram jungidos a ele. Foram-lhe enxertados por traição de fundo orgiástico grego, por uma fé de fundo cristão, por uma política de fundo escuso e opressor.

A Máquina

Adriana Falcão


Trata-se de uma fábula doce e poética de Adriana Falcão, cujo cenário é Nordestina, cidadezinha perdida no sertão, um lugar onde ninguém mais quer ficar, seus habitantes vão aos poucos, um a um, deixando a cidade em busca do " mundo". Onde vive "Antônio de Dona Nazaré", o caçula de uma prole de 13 irmãos homens e Antonio é o único a não querer abandonar a cidade e ir embora com a ilusão de que vai conseguir uma vida melhor. Porque para Antônio, Nordestina tem algo que nenhuma outra cidade poderia lhe oferecer: sua amada Karina, "Karina da rua de baixo". O problema é que Karina não se contenta com a vida restrita que Nordestina lhe oferece e sonha em ser atriz e conhecer o mundo. Ainda mais forte do que o desejo de Karina em partir é o desejo de Antônio em não perder seu grande amor. Já que Karina quer o mundo, Antonio vai trazer o mundo para Karina e antes que seu amor lhe escape, se lança numa missão kamikaze. Então, o rapaz decide trazer o mundo até ela através de uma invenção nada convencional, a tal máquina que dá nome ao livro, Antonio oferece a sua vida em um programa de televisão, caso não consiga viajar no tempo em Nordestina, na frente de todo mundo, uma máquina com 700 lâminas o estraçalhará. Este é um romance apaixonante, uma linda história de amor com muito humor, e que nos prende por sua narrativa deliciosa, que parece recitada de um livrinho de cordel.

Mundo Sustentável

André Trigueiro


Em seu livro "Mundo Sustentável", o jornalista multimídia, André Trigueiro, prega a importância da visão sistêmica e a percepção da ampla teia de relações entre as coisas. E faz um convite à reflexão para a mudança das atitudes cotidianas


Por Silvia Franz Marcuzzo

Leitura indispensável para aqueles que pensam em rumos sustentáveis para o planeta. Mostra várias ações de indivíduos, prefeituras e organizações para a manutenção e promoção da qualidade de vida. O livro "Mundo Sustentável", do jornalista multimídia André Trigueiro, é uma aula, um seminário, um curso não só de cidadania, mas também de jornalismo. Reúne reportagens, entrevistas, artigos de sua autoria que tiveram veiculação em distintos meios de comunicação: na rádio CBN, no canal de tevê a cabo Globo News, no site Ecopop, no jornal O Globo, além de comentários de especialistas para os assuntos que afetam diretamente a sustentabilidade.

André lançou o "Mundo Sustentável" depois de ter feito diversas reportagens para a televisão (de 2003 a 2005) e para o quadro, de mesmo nome, da rádio CBN (que está no ar, em rede nacional, desde agosto de 2003). Para fazer as matérias de TV, aproveitava "as horas vagas da cozinha da Globo News", como ele mesmo disse, para trabalhar os assuntos que ele julgava importantes mas que não tinham o "timing", (como ele explica no livro) exigido para a cobertura da imprensa. Mesmo não abandonando a bancada do Jornal das Dez, depois do lançamento deste livro, conquistou mais espaço para os temas socioambientais, e conseguiu transformar uma série de reportagens em um programa semanal, o Cidades e Soluções, no canal de TV por assinatura.

Além de denunciar, alertar e enumerar vários exemplos de como é possível fazer do limão, uma limonada, o autor se preocupa em decifrar termos, conceitos e utiliza pesquisas, números e gráficos para contextualizar melhor as informações. O livro é um caleidoscópio de temas e um convite a reflexão para a mudança de atitudes cotidianas.

Começa tocando na ferida da sociedade contemporânea: o consumismo, uma das razões evidentes e pouco faladas na mídia da causa do aquecimento global, pois move cifras milionárias de publicidade, E conta como cidadãos de vários países estão promovendo o Buy Nothing Day (Um dia sem compras) como forma de chamar a atenção para o consumo desenfreado. De uma forma clara e até mesmo coloquial, ele sempre toca dos problemas e depois relata como há caminhos para se encontrar resultados promissores e criativos.

Na publicação predominam também os assuntos urbanos. Mas nem por isso, a situação dos ambientes um pouco menos mexidos pelas mãos do homem não são abordados. Até porque é longe das grandes avenidas e das zonas densamente povoadas que a natureza pode "depurar" os erros e a sujeira gerada pelas cidades.

André mostra como o lixo se tornou uma oportunidade lucrativa e de inserção social. E não perdoa quem se desfaz de cascas ou papéis (com uma boa dose de humor ele parte do mau exemplo do presidente Lula, que jogou propositalmente um papel de bombom no chão durante uma cerimônia, para salientar o quanto se gasta com limpeza urbana) na rua ou quem não vive sem as sacolinhas plásticas descartáveis.

Também evidencia as potencialidades do Brasil para a utilização de energias alternativas e alerta para o destino do mundo se não forem tomadas medidas para diminuição do aquecimento global. Tudo isso muito antes da imprensa "descobrir" os relatórios alarmantes do IPCC (sigla em inglês do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas). Ainda dá uma visão geral de outros assuntos da agenda socioambiental, entre eles, a utilização de tecnologias ambientalmente saudáveis, como biodigestores e construções "verdes", o gerenciamento de recursos hídricos, o valor da biodiversidade, os diferentes tipos de Unidades de Conservação e os vários aspectos que podem ser incorporados pelas diversas editorias dos meios de comunicação quando uma pauta tem como pano de fundo a questão ambiental.

O autor é pós-graduado em Gestão Ambiental pela Coppe/UFRJ e professor da cadeira de Jornalismo Ambiental da PUC/RJ. Encerra sua obra evidenciando o que procura trabalhar com seus alunos e o que prega em todo o seu livro: a importância da visão sistêmica, a percepção da ampla teia de relações entre as coisas.

E conclui: "o jornalismo ambiental quebra o dogma da imparcialidade, tão propalada e discutida nos cursos de comunicação, ao tomar partido em favor da sustentabilidade, do uso racional dos recursos naturais, do equilíbrio que deve reger as relações do homem com a natureza, do transporte coletivo, da energia limpa, dos três Rs do lixo (reduzir, reutilizar e reciclar) e de tudo aquilo que remeta à idéia de um novo modelo de civilização que não seja predatório e suicida, em que o lucro de poucos ainda ameaça a qualidade de vida de muitos e os interesses dos consumidores se sobrepõem aos interesses dos cidadãos. Quando essas idéias justificarem atitudes que se multipliquem pelo mundo inspirando a construção de uma nova civilização, um novo paradigma, talvez não exista mais a necessidade de existirem ambientalistas, assim como os abolicionistas deixaram de existir com o fim da escravidão."

Assim como o livro "Meio Ambiente no Século 21", do qual foi organizador, a renda dos direitos autorais é destinada a uma organização da sociedade civil. Desta vez o contemplado é o Centro de Valorização da Vida (CVV), que realiza serviço voluntário e gratuito de apoio emocional de prevenção ao suicídio.
Leitura indispensável para aqueles que pensam em rumos sustentáveis para o planeta. Mostra várias ações de indivíduos, prefeituras e organizações para a manutenção e promoção da qualidade de vida. O livro "Mundo Sustentável", do jornalista multimídia André Trigueiro, é uma aula, um seminário, um curso não só de cidadania, mas também de jornalismo. Reúne reportagens, entrevistas, artigos de sua autoria que tiveram veiculação em distintos meios de comunicação: na rádio CBN, no canal de tevê a cabo Globo News, no site Ecopop, no jornal O Globo, além de comentários de especialistas para os assuntos que afetam diretamente a sustentabilidade.

André lançou o "Mundo Sustentável" depois de ter feito diversas reportagens para a televisão (de 2003 a 2005) e para o quadro, de mesmo nome, da rádio CBN (que está no ar, em rede nacional, desde agosto de 2003). Para fazer as matérias de TV, aproveitava "as horas vagas da cozinha da Globo News", como ele mesmo disse, para trabalhar os assuntos que ele julgava importantes mas que não tinham o "timing", (como ele explica no livro) exigido para a cobertura da imprensa. Mesmo não abandonando a bancada do Jornal das Dez, depois do lançamento deste livro, conquistou mais espaço para os temas socioambientais, e conseguiu transformar uma série de reportagens em um programa semanal, o Cidades e Soluções, no canal de TV por assinatura.

Além de denunciar, alertar e enumerar vários exemplos de como é possível fazer do limão, uma limonada, o autor se preocupa em decifrar termos, conceitos e utiliza pesquisas, números e gráficos para contextualizar melhor as informações. O livro é um caleidoscópio de temas e um convite a reflexão para a mudança de atitudes cotidianas.

Começa tocando na ferida da sociedade contemporânea: o consumismo, uma das razões evidentes e pouco faladas na mídia da causa do aquecimento global, pois move cifras milionárias de publicidade, E conta como cidadãos de vários países estão promovendo o Buy Nothing Day (Um dia sem compras) como forma de chamar a atenção para o consumo desenfreado. De uma forma clara e até mesmo coloquial, ele sempre toca dos problemas e depois relata como há caminhos para se encontrar resultados promissores e criativos.

Na publicação predominam também os assuntos urbanos. Mas nem por isso, a situação dos ambientes um pouco menos mexidos pelas mãos do homem não são abordados. Até porque é longe das grandes avenidas e das zonas densamente povoadas que a natureza pode "depurar" os erros e a sujeira gerada pelas cidades.

André mostra como o lixo se tornou uma oportunidade lucrativa e de inserção social. E não perdoa quem se desfaz de cascas ou papéis (com uma boa dose de humor ele parte do mau exemplo do presidente Lula, que jogou propositalmente um papel de bombom no chão durante uma cerimônia, para salientar o quanto se gasta com limpeza urbana) na rua ou quem não vive sem as sacolinhas plásticas descartáveis.

Também evidencia as potencialidades do Brasil para a utilização de energias alternativas e alerta para o destino do mundo se não forem tomadas medidas para diminuição do aquecimento global. Tudo isso muito antes da imprensa "descobrir" os relatórios alarmantes do IPCC (sigla em inglês do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas). Ainda dá uma visão geral de outros assuntos da agenda socioambiental, entre eles, a utilização de tecnologias ambientalmente saudáveis, como biodigestores e construções "verdes", o gerenciamento de recursos hídricos, o valor da biodiversidade, os diferentes tipos de Unidades de Conservação e os vários aspectos que podem ser incorporados pelas diversas editorias dos meios de comunicação quando uma pauta tem como pano de fundo a questão ambiental.

O autor é pós-graduado em Gestão Ambiental pela Coppe/UFRJ e professor da cadeira de Jornalismo Ambiental da PUC/RJ. Encerra sua obra evidenciando o que procura trabalhar com seus alunos e o que prega em todo o seu livro: a importância da visão sistêmica, a percepção da ampla teia de relações entre as coisas.

E conclui: "o jornalismo ambiental quebra o dogma da imparcialidade, tão propalada e discutida nos cursos de comunicação, ao tomar partido em favor da sustentabilidade, do uso racional dos recursos naturais, do equilíbrio que deve reger as relações do homem com a natureza, do transporte coletivo, da energia limpa, dos três Rs do lixo (reduzir, reutilizar e reciclar) e de tudo aquilo que remeta à idéia de um novo modelo de civilização que não seja predatório e suicida, em que o lucro de poucos ainda ameaça a qualidade de vida de muitos e os interesses dos consumidores se sobrepõem aos interesses dos cidadãos. Quando essas idéias justificarem atitudes que se multipliquem pelo mundo inspirando a construção de uma nova civilização, um novo paradigma, talvez não exista mais a necessidade de existirem ambientalistas, assim como os abolicionistas deixaram de existir com o fim da escravidão."

Assim como o livro "Meio Ambiente no Século 21", do qual foi organizador, a renda dos direitos autorais é destinada a uma organização da sociedade civil. Desta vez o contemplado é o Centro de Valorização da Vida (CVV), que realiza serviço voluntário e gratuito de apoio emocional de prevenção ao suicídio.

Dias e Dias

Ana Miranda

O romance Dias e dias (2002), de Ana Miranda, desde o seu começo, apresenta a voz da narradora Feliciana, hoje, uma mulher que, desde menina, fora apaixonada por Gonçalves Dias (o grandioso poeta brasileiro!). Na obra, os fatos são apresentados em flashbacks e há o caráter cíclico da diegese a narrativa inicia-se em 03 de Novembro de 1864 e ao final do livro nos deparamos com a mesma data, o que sinaliza para os anacronismos, ou seja, as constantes idas e vindas no tempo da narração. Sob o ponto de vista desta narradora em primeira pessoa do singular é recordada e relatada não apenas sua vida, como também a vida do objeto de seu amor Dias.Os amantes de Gonçalves Dias, certamente, se deliciarão, pois Miranda, de maneira muito inteligente, insere em seu texto, além de poemas, muitas informações verídicas sobre o autor. Esta marca de intertextualidade faz da trama um mosaico de citações por muitas vezes parodizadas. Isto, porque Ana Miranda utilizando os versos de Dias lhes dá um sentido distinto, o que faz com que, no mínimo, sua leitura deva ser dupla. Por meio dos poemas inseridos na narrativa de Dias e dias e da presença de correspondências que são trocadas dentro da diegese as quais a autora teve acesso por meio de trabalhos rigorosos de pesquisa e consulta à arquivos é composta uma espécie de fotografia de nosso país e as informações contidas no romance contribuem para a formação não só das características do poeta representativo de nosso país, como também de peculiaridades que dizem respeito à nossa pátria amada.Dias e dias, ratifica-se como uma bela e prazerosa obra de cunho histórico, mas, se o leitor não for atento, nem perceberá o tema maior, devido ao caráter de liricidade romanesco a história envolvente de um amor platônico. Isto faz com que Dias e dias não seja apenas um romance histórico, mas uma magnífica biografia romanceada, feita nos moldes da ficção. Um romance envolvente que é organizado quase que, como um diário a partir de sucessivos processos de rememoração de Feliciana. Ainda que toda a narrativa gire em torno de observações e declarações de Feliciana, isto é apenas um pretexto para que se fale do personagem maior, o poeta Gonçalves Dias. Como estratagema, Ana Miranda utiliza-se de um personagem fictício (Feliciana) para falar de um acontecido histórico. Porém, estes personagens históricos não protagonizam a diegese, servindo apenas como parte do cenário ou pano de fundo. Quem protagoniza a narrativa são os homens comuns e, por ser mulher, a narradora Feliciana representa mais do que apenas uma pessoa comum. O fato de as ações serem protagonizadas por seres ficcionais faz com que a ficção fique muito à frente de um mero enfoque histórico.A proposta da diegese de Dias e dias diz respeito à leitura que o romance fornece da história, ou seja, abordar o momento brasileiro em que há a representação da mulher e do homem do século XIX que, via de regra, o recurso histórico não registrava Miranda aborda, então, esses elementos que as enciclopédias históricas não abarcam. O olhar de Feliciana é dirigido para o cotidiano, isto é, para a história da condição feminina.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O Mal Secreto

Zuenir Ventura

Quando a editora Objetiva lançou a série Plenos Pecados em 1998, proporcionou aos leitores brasileiros uma oportunidade estimulante tanto para o público quanto para o criador: a obra sob encomenda. Feita dentro dos limites de um tema proposto, a coleção reuniu nomes como Zuenir Ventura, José Roberto Torero, João Ubaldo Ribeiro e Luís Fernando Veríssimo que abordaram nessa proposta temática o mote dos sete pecados capitais inveja, luxúria, avareza, preguiça, ira, soberba e gula. O primeiro volume que me tentou foi Mal Secreto (assinado por Ventura) que trata da inveja. Pela inegável condição de pior dos pecados, a inveja sempre será um tema instigante. E é sobre ela que gostaria de tecer algumas considerações.

Partindo do princípio de que vivemos em um mundo cada vez mais cínico, a inveja parece ser um sentimento que, se eu não me engano, permeia cada vez mais as relações humanas ainda mais se a considerarmos como um produto direto da egolatria disseminada pela publicidade. Acho que nem no tempo das monarquias absolutas e dos grandes impérios se invejou tanto. Se antes, os ideais de poder, beleza, sabedoria e glória estavam separados da grande maioria pelas segmentações de classes, castas e até raças, hoje esses bens invejáveis são contemplados num clicar de mouse ou num apertar de controle remoto. Pior do que visíveis, eles tornaram-se obrigatoriamente invejáveis, posto que os que não os invejam geralmente são alcunhados de fracassados.

Muitos autores já trataram desse tema, como, por exemplo, René Descartes que afirmou que o que é habitualmente mais invejado é a glória, pois embora a dos outros não impeça que possamos almejá-la, no entanto, às vezes torna o seu acesso mais difícil e encarece-lhe o valor. De fato, a batalha dos invejosos seria menos árdua se os parâmetros não existissem. Os bem-sucedidos conseguem, a um só tempo, ser modelo do que se inveja e obstáculo para o que se almeja porque a comparação, nesse campo, é sempre inevitável e fatal. Talvez por isso, um pensador da envergadura de Giovanni Papini tenha escrito que a melhor vingança contra aqueles que me pretendem rebaixar consiste em ensaiar um vôo para um cume mais elevado. É que a sina do invejoso parece ser sempre a de perseguir aquilo que não tem ou não é e, portanto, nada mais desgastante para seu espírito do que o sucesso do alvo que inveja.

Na seara da luta entre invejosos e invejados, torna-se comum os primeiros fazerem uso de difamações, calúnias e toda sorte de ardil para atingirem o que desejam, sejam cargos, bens, ou até cônjuges. Em algumas situações, é curioso notar como o indivíduo verdadeiramente sagaz serve-se da própria difamação para retocar melhor o seu retrato e suprimir as sombras que lhe afetam a luz, como revela Papini em seu Relatório Sobre o Homem. O invejoso torna-se, sem querer, o colaborador da sua perfeição, proporcionando-lhe as tintas com as quais o quadro do bem-sucedido passa a ter cores ainda mais fortes, brilho até mais intenso, valor certamente maior.

Em um artigo intitulado Dialética da inveja, de 26 de agosto de 2003, Olavo de Carvalho analisa o tema com uma precisão anatômica. Logo de cara, disseca o pecado nessas palavras: a inveja é o mais dissimulado dos sentimentos humanos, não só por ser o mais desprezível, mas porque se compõe, em essência, de um conflito insolúvel entre a aversão a si mesmo e o anseio de auto-valorização, de tal modo que a alma, dividida, fala para fora com a voz do orgulho e para dentro com a do desprezo, não logrando jamais aquela unidade de intenção e de tom que evidencia a sinceridade. Pode haver definição mais coerente. Esse raciocínio pode ser comprovado na simples lembrança de alguma situação que você, leitor, possa ter de um caso clássico de inveja. Geralmente o invejoso tem uma percepção distorcida de si mesmo. Essas vozes dissonantes da qual fala Olavo são as vozes de uma auto-imagem equivocada, de uma falta de senso crítico sobre si mesmo, o que provoca o extremismodos valores para mais ou para menos (ou para ambos ao mesmo tempo). Quem inveja se acha merecedor do mérito do outro, mas é, mesmo que em um nível inconsciente, sabedor da sua mediocridade. Pode haver algo mais triste?

Voltando ao livro de Zuenir Ventura, o autor em sua pesquisa para a obra encontrou conceitos os mais variados para a inveja e, antes de entrar na ficção, introduz o tema com pérolas como essa:a inveja detesta a competição, exceto quando sabe que vai ganhar. Seguindo esse raciocínio é possível entender os procedimentos de um invejoso autêntico, aquela figura meio gente, meio sombra que trafega nos bastidores aspirando o palco, arrasta correntes no palácio onde sonha ser rei, segura vela pelo parceiro alheio. A propósito, se eu tivesse de definir em uma frase o tema, diria que a inveja é a primeira amiga do alheio, afinal, não deixa de, assim como o ladrão, tentar tomar o que é do outro.

O grande trunfo do livro, pelo menos para mim, é a forma hábil como Ventura consegue mesclar realidade e ficção na estória de "Kátia", uma jovem perturbadora e voluptuosa que o autor conhece num terreiro de umbanda da Baixada Fluminense e protagonista de uma instigante trama de inveja com conseqüências trágicas. Com perdão do trocadilho, uma habilidade invejável desse escritor que também é jornalista e professor universitário há quase quarenta anos.

O Fio Da Navalha

William Somerset Maugham

De todas as suas admiráveis qualidades técnicas, a que mais me intriga na obra de Maugham sempre foi e continua sendo a facilidade com que parecia conduzir suas tramas inegavelmente bem amarradas, através de personagens fúteis que posteriormente Se descobrem profundos. Foi assim com a personagem Kitty de "O Véu Pintado", que após conviver de perto com a morte de dezenas de pessoas devido à cólera, alcançou um crescimento espiritual que nem ao menos sonhou conseguir ou precisar; e teria ocorrido algo parecido também com Davidson, na fantástica novela "Chuva" de "Histórias dos Mares do Sul", caso o personagem não tivesse fraquejado perante a "lasciva" miss Thompson.No entanto, foi em "O Fio da Navalha", que essa característica tão marcante quanto difícil de ser administrada se tornou ainda mais evidente e foi aplicada ainda com mais sucesso e destreza. Neste romance, não há "apenas" uma grande personagem tremendamente frívola, mas várias. Destaco duas, as mais marcantes: a jovem Isabel e o astuto Elliott.Isabel é a noiva do retraído Larry, que desde que voltou da guerra anda a procura de algo misterioso que nem ele mesmo sabe o que é, embora imagine que seja uma espécie de redenção, talvez uma aproximação com o divino. Após desmanchar o noivado com Larry com a desculpa de que não queria ser um estorvo para ele (ato este que, descobre-se mais para frente, nada teve de nobre, pois apesar de saber sobre a busca espiritual à qual o noivo queria se dedicar, ela não pretendia renunciar a ele), Isabel contrai matrimônio com outro de seus pretendentes, o promissor Gray, por duas razões: ele a adora e sempre fez questão de demonstrar isso, mesmo quando ela ainda namorava Larry; e, claro, por conta da confortável posição financeira dele. No meio disso tudo, Maugham, que é o narrador-personagem e também amigo de Elliott, tio da moça, acompanha de perto todas as mudanças pelas quais eles passam, tornando-se confidente também de Isabel e de Larry. Aliás, após quase dez anos desde o fim do noivado, Larry permanece tão empenhado ainda em sua busca que chega a exasperar Isabel, que julgava que isso não passasse de uma excentricidade da juventude e ela só não deixa de ser sua amiga porque ainda permanecia irremediavelmente apaixonada por ele (ao contrário do que sentia por seu marido: atração física e gratidão).Temos aqui dois extremos, sempre em harmonioso contraste: o da vida simples que Larry insiste em levar, estudando os grandes clássicos, aprendendo vários idiomas, sempre se mantendo apenas com sua modesta herança e longe das festas elegantes freqüentadas por pessoas interesseiras que Isabel e Elliott tanto valorizavam, em contraponto ao estilo avultoso e exibicionista de seus amigos. Isso se dá por conta da peculiar personalidade de Larry, que desde jovem já demonstrava uma maturidade fora do comum e que, apesar de não compartilhar da mesma opinião que Isabel sobre a vida social agitada e fugaz que a ex levava, ele parecia entender perfeitamente, com uma candidez ímpar, as razões por que ela agia assim.Se Isabel conseguiu a posição que sempre almejou, de certa forma Elliott (que, junto a Gray, exerceu papel essencial no êxito social de Isabel), sofreu uma queda brusca neste sentido. Ele, que sempre dava as melhores festas, sempre convidava apenas pessoas da realeza e outros de seus conhecidos da alta sociedade, termina seus dias afundado numa melancolia desconcertante, não tanto por conta da doença de que foi acometido, mas por motivo tão fútil quanto ele: não recebera um convite para uma festa da Princesa Novemali, num ato que ele considera o sumo da ingratidão. Mas talvez o ápice da nugacidade tenha sido melhor explanado em seu último desejo: o de ser enterrado vestindo uma excêntrica fantasia do conde de Lauria, com a qual pretendia ir à supracitada festa, não houvesse sucumbido à seu compromisso com a morte antes que a festa se realizasse. Maugham, mesmo com certa dificuldade em acreditar num anseio tão incomum, cuidou para fazer valer a vontade do bom e fútil amigo. E parecia entender também como poucos as necessidades e anseios de seus muitos leitores, e mais uma vez, com este romance, realizou-os com a profunda perspicácia e desenvoltura que sempre constituíram sua marca.

Sonho De Uma Noite de Verão

WILLIAM SHAKESPEARE

Em uma época onde a lei era que todo pai tem o direito de matar sua própria filha caso ela não o obedecesse,vivia a apaixonada Hérmia, apaixonada sim, mas não pelo noivo que seu pai arrumou, que até então era ex-namorado de sua melhor amiga, Helena,e que por sinal o amava muito.Hérmia era apaixonada por lisandro que também era apaixonado por ela,mas Demétrio, seu noivo também o era. Hémia então marca um encontro com Lisandro que a propõe a fuga, ela por confiar em Helena e a ver triste conta a amiga os seus planos,achando que assim a deixaria mais tranqüila. Helena achando que Demétrio ficaria grato por essa informação, não exita assim de contá-lo.No dia seguinte Hérmia e Lisandro se encontra ao anoitecer, enquanto se preparavam para fugir, o rei Oberon e Titânia brigavam no bosque a fim da posse de um pequeno menino ao qual a rainha prometera para sua mãe em leito de morte que do pequeno cuidaria, mas Oberon o queria a fim de ser seu ajudante na floresta. Acabando a discussão entre o rei Oberon e a rainha Titânia, o rei permaneceu ali, chamou por Puck, um esperto duende da floresta e mandou que apanhasse uma parte de amor perfeito para que pudesse se vingar da rainha ao não atender o seu pedido, quando o duende sai,chega então Demétrio e Helena e visto que não encontrou Hérmia e Lisandro pensou que Helena mentira a ele e começou a discutir com ela.Helena corria atrás de Demétrio, declarando todo o seu amor, mas quanto mais ela falava mais com raiva e mais depressa ele andava. Helena então não conseguindo mais alcança-lo começou a chorar, hora por medo, hora por não acreditar no fim do amor que ele jurou sentir por ela. Oberon vendo tudo isso ficou com dó de Helena e dividiu a poção que ridicularia a rainha Titania em duas partes, uma ele ordenou que o duende colocasse nos olhos de Demétrio, mas cuidando de que a primeira pessoa que ele visse fosse a pobre Helena.Quando Titânia foi dormir deu as ordens para as fadinhas e pediu para que elas cantassem em seu sono, Oberon que tudo via de seu esconderijo,esperou que a fada dormisse em seus mais profundos sonos, e enquantos as pequenas fadas foram cumprir suas tarefas ele saiu do esconderijo respingou algumas gotas da poção nos olhos da bela rainha falando que ela teria que se apaixonar pelo primeiro bicho que aparecesse.Enquanto isso Hérmia e Lisandro se encontravam na entrada do bosque, a primeira parte do caminho ia-se bem, até que Lisandro viu que ele não conhecia aquele bosque tão bem assim, pois percebera que estava perdido, sugeriu então à sua amada Hérmia, ao visto que esta estava cansada, que descançassem nas pedras próximas, esta mais do que depressa concordou. Quando os dois adormecidos encontraram-se aparece Puck que por engano enfeitiça Lisandro, falando que quando acordasse seu amor encontraria.Perto dali Demétrio fugia de Helena que a essa altura também estava cansada e vendo a clareira resolveu ali descansar, viu então Lisandro,e achou que este estava morto resolveu então verificar, quando sentiu alguém o tocando este acordou e Helena foi o seu primeiro olhar, e sem querer por ela se apaixonou. Lisandro então queria saber onde estava demétrio pois a ele ia matar para não mais colocar os olhos em helena,pois assim não teria porque ter ciúmes.Helena então só viu uma saída correr de Lisandro ao qual estava por pensar que com os seus sentimentos queria brincar. Minutos depois Hémia acorda assustada, pois um pesadelo tivera, logo viu que Lisandro a abandonara, decidiu que dali sairia, e procuraria por Lisandro nem que isto lhe custasse a morte.Ali perto Oberon queria que Puck contasse se havia dado certo o feitiço, quando Puck o contou que havia pingado o feitiço aos olhos do homem bem arrumado com gênio terrível como ele o havera falado, mas que pensava que havera cometido um engano, pois logo depois vira que uma outra bela moça corria atrás de um rapaz bem vestido e também de gênio terrível, Oberon ficou com muita raiva, pois a pricípio achou que Puck pudesse Ter feito de propósito, mas depois viu que realmente não passara de um engano, mas uma coisa era certa, deveria por ordem naquela confusão.Os dois então procuraram por Demétrio e logo estavam onde este adormecera, e o mesmo feitiço que fez em Lisandro fez a Demétrio,quando este acordava Helena apareceu, que por sinal ficara felissíssima ao ver o seu amado, Demétrio então começou a declarar-se por Helena, e esta não acreditava no que estava vendo... Demétrio apaixonado por ela,mas logo ouviu a voz de Lisandro, ficou mais deslocada ainda ao ver que os dois rapazes estavam apaixonado, e para completar Hémia aparecera equando viu os dois discutindo pelo amor de Helena ficou furiosa, Helena achou então que Hémia fizera um plano com os três para que cassoassem dela.Logo depois de colocar as coisas em pratos limpos perceberam que osdois rapazes dali haviam sumido, onde teriam ido? Foram a um lugar mais espaçoso onde pudessem brigar à vontade. Assim o rei e duende atrapalhados assistiam a confusão, foi onde Puck começou a cobrir as estrelas com muita neblina, e para afastá-los imitava a voz dos dois em diferentes ângulos, segurando é claro o seu riso, pois aquele tipo de tarefa era tudo o que gostava de fazer, Oberon lembrou que a erva da ilusão era o antídoto para o amor perfeito, e Puck estava a pensar seiria ou não contar o que havia feito com a rainha Titânia.

Otelo

William Shakespeare

Inicia-se com Iago,alferes de Otelo, tramando com Rodrigo uma forma de contar a Brabâncio,rico senador de Veneza, que sua filha, a gentil Desdêmona, tinha se casado com Otelo. Iago queria vingar-se do general Otelo porque elepromoveu Cássio, jovem soldado florentino e grande intermediário nasr elações entre Otelo e Desdêmona, ao posto de tenente. Esse ato deixou Iago muito ofendido, uma vez que acreditava que as promoções deveriam ser obtidas pelos velhos meios em que herdava sempre o segundo o posto do primeiro e não por amizades.Brabâncio, que deixara a filha livre para escolher o marido que mais a agradasse, acreditava que ela escolheria, para seu cônjuge, um homem daclasse senatorial ou de semelhante. Ao tomar ciência que sua filha havia fugido para se casar com o Mouro, foi à procura de Otelo mata-lo.No momento em que se encontraram, chegou um comunicado do Doge de Veneza, convocando-os para uma reunião de caráter urgente no senado.Brabâncio, sem provas, acusou o Mouro de ter induzido Desdêmona a casar-se com ele por meio de bruxarias. Otelo, que era general do reino de Veneza e gozava da estima e da confiança do Estado por ser leal, muito corajoso e ter atitudes nobres, fez, em sua defesa, um simples relato da sua história de amor que foi confirmado pela própria Desdêmona. Por isso, e por ser o único capaz de conduzirum exercito no contra-ataque a uma esquadra turca que dirigia-se à ilha de Chipre, Otelo foi inocentado e o casal seguiu para Chipre, em barcos separados, na manhã seguinte.Durante a viagem uma tempestade separou as embarcações e, devido a isso, Desdêmona chegou primeiro à ilha. Algum tempo depois, Otelo desembarca com a novidade que a guerra tinha acabado porque a esquadra turca fora destruída pela fúria das águas. No entanto, o que o Mouro não sabia é que na ilha ele enfrentaria um inimigo mais fatal do que os turcos.Em Chipre, Iago que odiava a Otelo e a Cássio, começou a semear a sementes do mal, um plano de vingança que tinha como objetivo arruinar seus inimigos. Hábil e profundo conhecedor da natureza humana, Iago sabia que, de todos os tormentos que afligem a alma, o ciúme é o mais intolerável.Ele sabia que Cássio, entre os amigos de Otelo, era o que mais possuía a sua confiança. Sabia também que devido a sua beleza e eloqüência,qualidades que agradam às mulheres, ele era exatamente o tipo de homem capaz de despertar o ciúme de um homem de idade avançada, como era Otelo, casado com uma jovem e bela mulher. Por isso, começou a realizar seu plano.Iago induziu Cássio,responsável por manter a ordem e a paz, a se embriagar e envolver-se em uma briga com Rodrigo, durante uma festa em que os habitantes da ilha ofereceram a Otelo. Quando o mouro soube do acontecido, destituiu Cássio de seu posto.Iago começou a jogar Cássio contra Otelo. Ele falava, dissimulando um certo repudio a atitude do general, que a sua decisão tinha sido muito dura e que Cássio deveria pedir a Desdêmona que convencesse Otelo a devolver-lhe o posto de tenente. Cássio,abalado emocionalmente, não se deu conta do plano traçado por Iago e aceitou a sugestão.Iago insinuou a Otelo que Cássio e sua esposa poderiam estar tendo um caso. Esse plano foi tão bem traçado que Otelo começou a desconfiar de Desdêmona.Iago sabia que o mouro havia presenteado sua mulher com um velho lenço de linho, o qual tinha herdado de sua mãe. Otelo acreditava que o lenço era encantado e, enquanto Desdêmona o possuísse, a felicidade do casal estaria garantida. Sabendo disso e após ter encontrado o lenço que Desdêmona perdera, Iago disse a Otelo que sua mulher havia presenteado o seu amante com ele. Otelo, já enciumado, pergunta a sua esposa sobre o lenço e ela, ignorando que o lenço estava com Iago, não soube explicar o que aconteceu com ele. Nesse meio tempo, Iago colocou o lenço dentro do quarto de Cássio para que ele o encontrasse.Iago fez com que Otelo se escondesse e ouvisse uma conversa sua com Cássio. Eles falaram sobre Bianca, amante de Cássio, mas como Otelo que só ouviu partes da conversa, ficou com a impressão de que eles estavam falando a respeito de Desdêmona. Um pouco depois Bianca chegou e Cássio deu a ela o lenço que encontrara em seu quarto para que ela providenciasse uma cópia.Vale lembrar que o lenço, era, como todo lenço feminino, fino e delicado, isso significa que quando Otelo o deu Desdêmona, ele não a presenteou com um simples lenço, na verdade o que ele deu à ela foi tudo o que há de mais fino e delicado existente em sua pessoa. Otelo ficou fora de si ao imaginar que Desdêmona havia desprezado tudo isso dando o lenço a um outro homem.As conseqüências foram terríveis: primeiro Iago, jurando lealdade a seu general, disse que, para vinga-lo, mataria Cássio, mas sua real intenção era matar Rodrigo e Cássio simultaneamente porque eles poderiam estragar seus planos. No entanto, isso não ocorreu conforme suas intenções, Rodrigo morreu e Cássio ficou apenas ferido.Otelo, descontrolado, foi a procura de sua esposa acreditando que ela o havia traído e matou-a em seu quarto.Emília, esposa de Iago, sabendo que sua senhora fora assassinada revelou a Otelo, Ludovico (parente de Brabâncio) e Montano(governador de Chipre antes de Otelo) que tudo isso foi tramado por seu marido e que Desdêmona jamais fora infiel.Iago matou Emília e fugiu, mas logo foi capturado. Otelo, desesperado por saber que matara sua amada esposa injustamente, apunhalou-se,caindo sobre o corpo de sua mulher e morreu beijando a quem tanto amara.Cássio passou a ocupar o lugar de Otelo, Iago foi entregue as autoridades para ser julgado e Graciano, uma vez que seu irmão Brabâncio morrera, ficou com os bens do mouro.

O Mercador de Veneza

WILLIAM SHAKESPEARE

Trata-se de uma das obras mais polêmicas do célebre dramaturgo inglês. Escrito no findar dos anos 1500, época em que os judeus estiveram ausentes da Inglaterra (foram expulsos em 1290, e só seriam novamente aceitos em 1655), capta as chocantes caricaturas feitas pelos ingleses.
Em O Mercador de Veneza, o personagem que mais chama a atenção não é o mocinho, e sim o vilão, criado para dar um tom cômico à peça. Trata-se do agiota e judeu _ daí a polêmica _ Shylock, retratado como indivíduo desprezível. A vítima, o cristão Antônio, cidadão bem sucedido de Veneza, faz um contrato atípico com o agiota, penhorando 453 gramas de sua própria carne. Agora, o vilão faz questão de tal medonha extração, o que levaria Antônio a morte. O que se observa é a velha e infeliz máxima anti-semita. O judeu do mal, quer sangue do bom cristão.
Durante anos, tal peça foi encenada, sempre ascendendo discussões, ou mesmo pregando o anti-semitismo. Nos territórios nazistas, por exemplo, essa se tornou a peça mais popular d Shakespeare nos anos 30 e 40. Após a Segunda Guerra Mundial, a história
tornou-se constrangedora e passou a ser exibida somente com interpretações mastigadas, tentando expor inclusive as mazelas do preconceito sofrido pelo próprio Shylock.
O autor, em seu original, também busca trabalhar com o emocional do vilão, o mostrando como humano em suas características sentimentais. O fato é que o dramaturgo inglês foi certamente influenciado pela onda deletéria aos judeus, presente em sua época.
Todavia, é a índole e as convicções ideológicas do leitor ou do expectador de O mercador de Veneza, que vai relativizar ou aceitar a pilhagem anti-semita integralmente.

O Rei Lear

William Shakespeare

Shakespeare não faz do amor um clichê - e creio que reprovaria veementemente a interpretação corrente de seu Romeu e Julieta.Transcendendo a idealização, o amor shakespeariano vai além das convenções sociais. Assim como o mestre do teatro elizabetano coloca o destino no lugar mitológico do qual, cria ele, jamais deveria ter saído, desmitifica, também, o amor, fazendo uso de personagens que vão além das aparências e elevam os seus sentimentos às raias do insuportável.Diluído nas falas dos personagens, Shakespeare nos leva ao mundo de um rei decadente que resolve dividir o seu reino entre suas três filhas,com a condição de que elas lhes tecessem palavras de amor.Num plano paralelo, apresenta-nos a história de um pai que renega seu filho bastardo e privilegia o seu filho legítimo. Todavia, o amor que vai além do sangue e da palavra conduzirá rei e súdito para a desgraça que eles mesmos escolheram. Sem destino. Sem idealização. Só uma das mais viscerais captações do sentimento humano, imortalizadas em uma peça encenada incansavelmente desde que fora escrita.

Ben Hur

WALLACE


Novela culto!!!

Nesta novela, ou deveria antes dizer nesta epopeia, partimos à descoberta de um tempo mémorable, tanto historicamente como espiritualmente.

Com efeito, o autor, WALLACE, provoca-nos nem mais nem menos que em Roma. A Roma antiga, cheia esplendeur, opulence, bomba. Uma capital de um Império, cujo nome é ainda familiar às nossas orelhas, e que continua fazer-nos sonhar, nós atores do presente como fazia o orgulho dos seus habitantes.

Mas o autor também não esquece inverter da medalha, e pelos olhos do seu herói, Ben Hur, mostra-nos também o culto dos ídolos romanos, em cheio declínio, bem como a crueldade que cerca a cidade.

É também uma novela bíblica, dado que Ben Hur, tocar pela graça, verá ou propor-se-á falar Christ e os seus companheiros, que aparecem aqui como um contrapeso à esta violência gratuita, esta decoração sangrenta e fastueux.

Anda-se literalmente nos passos dos Fios de Deus, sob os olhos cheio de fervor, de paixão, e entusiasmo de Ben Hur.

Famosos todos os países, traduzido todas as nas línguas, incessantemente adaptar ao cinema - não sem certo sucesso - ben hur é realmente um livro que recomendo, não somente para a qualidade da história (se entra-se como num sonho ainda que Roma pode tornar-se verdadeiro calvaire) mas também para o trabalho de escavações históricas que é associado lá.

Meu Primeiro Beijo

Walcyr Carrasco

Amor faz cada coisa... Ainda mais com uma garota como Clara, que tem uma porção de problemas para resolver. A mãe de Clara, Nina, é tão bonita que dizem que tem rosto de anjo."E eu, que rosto tenho? De capeta?"... Para complicar, Clara começou a usar óculos e um garoto na escola caiu na gozação. Era só o que faltava!
Tem mais...A mãe de Clara, moça ainda, é viúva. E a garota sente muita vontade de ter um pai em casa.
Quer dizer, vai fazer de tudo para arranjar um marido para a mãe. Até fugir de casa e se meter num rolo danado, enquanto sonha, com óculos e tudo, como vai ser seu primeiro beijo.

Marília De Dirceu

Tomás Antônio Gonzaga

Esta é uma obra pré-romântica; o autor idealiza sua amada e supervaloriza o amor, mas é árcade em todas as outras características. Existe também preocupação com forma. A primeira das três partes de Marília de Dirceu é dividida em 33 liras. Nela, o autor canta a beleza de sua pastora"Marília (na verdade, Maria Dorotéia Joaquina de Seixas). Descreve sempre apenas sua beleza (que compara a de Afrodite) e nunca sua psique; usa de várias figuras mitológicas; os refrães de cada lira apresentam estruturas semelhantes, mas diferentes de lira para lira. O autor também se dirige a seus amigos Glauceste e Alceu (Cláudio Manuel da Costa e Alvarenga Peixoto), seus "colegas pastores" (os três foram, em algum momento, juizes).O bucolismo nesta parte da obra é extremo, com referências permanentes ao campo e à vida pastoril idealizada pelos árcades. A segunda parte é dividida em 37 liras. Tomás Antônio Gonzaga escreveu esta parte na prisão, após ser preso em 1789. Nela o bucolismo é diminuído, mas a adoração a Marília continua. Nesta parte existe a angústia da separação e o sentimento de ter sido injuriado (as acusações eram falsas e mentirosas). Isto tudo aumenta a declarada paixão por Marília. Aparece também a angústia da separação que sofreu com seu amigo Glauceste. (Tomás Antônio Gonzaga estava em regime de incomunicabilidade e não sabia do suicídio de Cláudio Manuel da Costa.)
A terceira parte não possui apenas suas 8 liras; tem também sonetos e outras formas de poesia. Mas apenas as 8 liras possuem referências a Marília; quando elas acabam começam a aparecer outras poesias de Dirceu, visto que não escreveu após o degredo.

Romeu E Julieta

Shakespeare

Romeu e Julieta é uma obra de Shakespeare que terá sido escrita numa fase inicial da sua carreira literária, provavelmente entre 1594 e 1595. Nas últimas três décadas muitos estudiosos têm vindo a alterar esta afirmação atualizando o seu estatuto no cânone de Shakespeare.Tal foi possível ao abandonarem a avaliação comparativa e passando a julgar Romeu e Julieta como uma obra de arte per si.Desta perspectiva nova,o dramatrágico de amor contrariadode Shakespeare é visto como uma obra extraordinária. De fato esta obra foi uma peça experimental ao tempo da sua composição, revelando alguns aspectos que se afastam de convenções antigas.Tais aspectos inovadores, mais ainda, reinforçam e embelezam os seus temas principais.Estes incluem a antitese entre amor e ódio, o correlativo uso da polaridade luz e escuridão, o tratamento do tempo em simultâneo tema e elemento estrutural, e o estatuto proeminente do destino e sua expressão nos sonhos,presságios e sinais que pressagiam a trágica conclusão.Romeu e Julieta baseou-se num caso de amor real, de um casal que viveu em Verona, e morreram em 1303.Naquele tempo os Montechio e os Capuletos eram habitantes de Verona, Julieta era da família dos Capuleto e uma das personagens referidas no título No início da peça, apercebemo-nos mediante um comentário da aia que Julieta está a duas semanas de fazer catorze anos.Na sua primeira aparição, junto da mãe e aia, Julieta mostra-se uma jovem dócil e obediente.Romeu pertence à família Montechio e figura no título da obra.O primeiro interesse amoroso de Romeu recai não em Julieta mas numa jovem mulher de nome Rosaline, que, tal como Julieta, pertence aos Capuletos.O drama ´trágico de amor proibído entre os jovens ficou conhecido pela famosa cena da varanda.Romeu Montechio e Julieta Capuleto são adolescentes que se apaixonam de forma intensa mas as suas famílias são inimigas fidigais.O casal aproveita o momento e casa em segredo, esforçam-se para ocultar as suas ações mas estas acabam em tragédia quando Romeu,Julieta,Mercúrio e Paris morrem.A peça é atravessada por temas que abordam as consequências da paixão cega e imatura, do ódio e do preconceito.Desconhece-se o ano exato em que Shakespeare escreveu a peça mas é definitivamente uma das suas primeiras peças e umas das duas tragédias escritas no período entre 1590 e 1595. A outra tragédia Titus Andronicus seguia as convenções de Séneca e Marlowe,i.e. estruturada em torno de um herói único mas Romeu e Julieta é inovadoramente diferente O enredo baseava-se num conto italiano do século catorze ou romance escrito por Mateo Bandello que incluia elementos de história, tradição, romance e fábula.A história havia sido posta em verso em 1562 pelo poeta inglês Arthur Brooke. Shakespeare inseriu na peça elementos caros ao teatro do seu tempo, algumas personagens são aumentadas e cenas são adicionadas.Shakespeare rodeou os amantes inocentes de outras personagens com maturidade malévola.Na verdade, a peça era experimental para o seu tempo mas foi bem recebida pelos contemporâneos e permaneceu popular através dos séculos. Durante muito tempo, a crítica tendia a desvalorizar Romeu e Julieta em comparação com as tragédias posteriores.Mas no século vinte a peça foi reapreciada pelo seu mérito próprio, tornando-se norma dos estudos do secundário e foi produzida em vários suportes.Romeo and Juliet é tanto sobre o ódio como sobre o amor.A peça inicia-se com uma cena de conflito entre duas famílias inimigas e termina com a reconciliação daquelas.Apesar disso a peça é considerada uma das grandes histórias de amor de sempre, intrincada com a intervenção do Destino e a repetida má sorte no tempo.O jogo entre luz e escuridão. a injeção de momentos cómicos e a beleza da linguagem de amor acrescentaram valor à peça,tornando-a um clássico para sempre.

Hamlet

Shakespeare

Hamlet é uma das peças de teatro mais famosas de Shakespeare. Foi escrita entre 1600 e 1602 e impressa pela primeira vez em 1603.Para Hamlet a existência tornara-se insuportável desde que o espectro do seu pai recentemente morto apareceu-lhe numa noite assombrada no alto da torre do castelo. O fantasma, tétrico, reclamava desforra. Contou ao filho que um crime ignominioso o vitimara. Seu próprio irmão, o rei Cláudio, o matara. Atordoou-se o príncipe. Seu lar abrigava a traição e a maldade! A serpente acoitara-se na sua própria família. O mundo era injusto. O assassino, seu tio, não só usurpara o trono como arrastara sua mãe, a rainha Gertrudes, para um casamento feito às pressas, onde, suprema ignomia, serviram-se os manjares" que,um pouco antes, ainda mal esfriados, tinham sido oferecidos "na refeição fúnebre". Algo deveria ser feito. Faltava porém a Hamlet o talento para a ação. O máximo que conseguiu de imediato, além de aferrar-se ao luto e ao mau humor, foi entregar-se especulativamente à vingança.A Mais bem sucedida da História Hamlet é certamente a mais bem-sucedida história de vingança levada aos palcos. Ela, desde o início, coloca o público ao lado do jovem príncipe porque o ato da vingança, que Francis Bacon definiu como uma"forma selvagem de fazer justiça", sempre seduziu o a todos. Hamlet sente-se pois um reparador de uma injustiça, um homem com uma missão. A ela irá dedicar todos os momentos da sua vida, mesmo que tenha que sacrificar seu amor por Ofélia e ainda ter que tirar a vida de outras pessoas. Talvez seja essa obsessão, essa monomania que toma conta dele desde as primeiras cenas do primeiro ato, que eletrize os espectadores e faça com que eles literalmente bebam todas as palavras do príncipe vingador Hamlet é o personagem que mais fala na obra de Shakespeare,recita 1.507 linhas.Hamlet é uma das peças de teatro mais famosas de Shakespeare. Foi escrita entre 1600 e 1602 e impressa pela primeira vez em 1603.

Caramuru

Santa Rita Durão

Canto I Na
primeira estrofe, o poeta introduz a terra a ser cantada e o herói - Filho do Trovão -, propondo narrar seus feitos (proposição). Na estrofe seguinte, pede a Deus que o auxilie na realização do intento (invocação), e da terceira à oitava estrofes, dedica o poema a D. José I, pedindo atenção para o Brasil, principalmente a seus habitantes primitivos, dignos e capazes de serem integrados à civilização cristã.
Se isso for feito, prevê Portugal renascendo no Brasil. Da nona estrofe em diante, tem-se a narração. A caminho do Brasil, o navio de Diogo Álvares Correia naufraga. Ele e mais sete companheiros conseguem se salvar. Na praia, são acolhidos pelos nativos que ficam temerosos e desconfiados. Os náufragos, por sua vez, também temem aquelas criaturas antropófagas, vermelhas que, sem pudor, andam nuas. Assim que um dos marinheiros morre, retalham-no e comem-lhe, cruas mesmo, todas as partes. Sem saber o futuro, os sete são presos em uma gruta, perto do mar, e, para que engordem, são bem alimentados. Notando que os índios nada sabem de armas, Diogo, durante os passeios na praia, retira, do barco destroçado, toda pólvora e munições, guardando-as na gruta. Desde então, como vagaroso enfermo, passa a se utilizar de uma espingarda como cajado. Para entreter os amigos, Fernando, um dos náufragos, ao
som da cítara, canta a lenda de uma estátua profética que, no ponto mais alto da ilha açoriana, aponta para o Brasil, indicando a futuros missionários o caminho a seguir.Um dia, excetuando-se Diogo, que ainda estava enfermo e fraco, os outros seis são encaminhados para os fossos em brasa. Todavia, quando iam matar os náufragos, a tribo do Tupinambá Gupeva é ferozmente atacada por Sergipe. Após sangrenta luta, muitos morrem ou fogem; outros se rendem ao vencedor que liberta os pobres homens que desaparecem, no meio da mata, sem deixar rastro.
Canto II Enquanto
a luta se desenvolve, Diogo sai para ajudar os seis companheiros que serão comidos. Na fuga, muitos se escondem na gruta, inclusive Gupeva que, ao se deparar com o lusitano, saindo daquele jeito, cai prostrado, tremendo; os que o seguiam fazem o mesmo; todos acham que o demônio habita o fantasma-armadura. Álvares Correia, que já conhecia a língua dos índios, espera amansá-los com horror e arte. Levantando a viseira, convida Gupeva a tocar a armadura e o capacete. Observa, amigavelmente, que tudo aquilo o protege, afastando o inimigo, desde que não se coma carne humana. Ainda aterrorizado, o chefe indígena segue-o para dentro da gruta, onde Diogo acende a candeia, levando-o a crer que o náufrago tem poder nas mãos. Sob a luz, vê, sem interesse, tudo que o branco retirara da nau. Aqui, o poeta, louva a ausência de cobiça dessa gente.
Entre os objetos guardados pelos náufragos, Gupeva encanta-se com a beleza da virgem em uma gravura.Tão bela assim não seria a esposa de Tupã? Ou a mãe de Tupã? Nesse momento, encantado pela intuição do bárbaro, Diogo o catequiza, ganhando-lhe, assim a dedicação. Saindo da gruta, o índio, agora manso e diferente, fala a seu povo Tupinambá, ao redor da gruta. Conta-lhes sobre o feito do emboaba, Diogo, e que Tupã
o mandara para protegê-los. Para banquetear o amigo, saem para caçar.
Durante o trajeto, Álvares Correia usa a espingarda, aterrorizando a todos que exclamam e gritam: Tupã Caramuru! Desde esse dia, o herói passa a ser o respeitado Caramuru - Filho do Trovão. Querendo terror e não culto, Diogo afirma-lhes que, como eles, é filho de Tupã e a este, também, se humilha. Mas que como filho do trovão, (dispara outro tiro) queimará aquele que negar obediência ao grande Gupeva.Nas estrofes seguintes, o poeta descreve os costumes da selva. Caramuru instala-se na aldeia, onde imensas cabanas abrigam muitas famílias, que vivem em harmonia. Muitos índios querem vê-lo, tocá-lo. Outros, em sinal de hospitalidade, despem-no e colocam-no sobre a rede, deixando-o tranqüilo. Paraguaçu é uma índia, de pele branca e traços finos e suaves. Apesar de não amar Gupeva, está na tribo por ter-lhe sido
prometida. Como sabe a língua portuguesa, Diogo quer vê-la. Após o encontro os dois estão apaixonados. Canto VI As filhas dos chefes indígenas são oferecidas ao destemido Diogo, para que este os honre com o seu parentesco. Como ama Paraguaçu, aceita o parentesco, mas declina as filhas. Na mata, o herói encontra uma gruta
com tamanho e forma de igreja e percebe ali a possibilidade dos nativos aceitarem a Fé Cristã, e se dispõe a doutriná-los. Mais tarde, salva a tripulação de um navio espanhol naufragado e, saudoso da Europa, parte com Paraguaçu em um barco francês. Quando a nau ganha o mar, várias índias, interessadas em Álvares Correia, lançam-se nas águas para acompanhá-lo. Moema, a mais bela de todas, consegue chegar perto do
navio Agarrada ao leme, brada todo seu amor não correspondido ao esquivo e cruel Caramuru. Implora para que ele dispare sobre ela seu raio. Ao dizer isso, desmaia e é sorvida pela água. As outras, que a acompanhavam, retornam tristes à praia. Nas demais estrofes do canto, a história do descobrimento do Brasil é contada ao comandante do barco francês.
Canto X A
visão profética de Catarina-Paraguaçu acaba se transformando na da Virgem sobre a criação do universo. Ao chegar, o casal é recebido pela caravela de Carlos V que agradece a Diogo o socorro aos náufragos espanhóis. A história de Pereira Coutinho é narrada, enfatizando-se o apoio dos Tupinambás na dominação dos campos da Bahia e no povoamento do Recôncavo baiano. Na cerimônia realizada na Casa da Torre, o casal
revestido na realeza da nação espanhola, transfere-a para D. João III, representado na pessoa do primeiro Governador Geral, Tomé de Souza. A penúltima estrofe canta a preservação da liberdade do índio e a responsabilidade do reino para com a divulgação da religião cristã entre eles. Na última (epílogo), Diogo e Catarina, por decreto real,recebem as honras da colônia lusitana.

A Caricia Essencial

(Roberto Shinyashiki)

Senão eu morro....

A falta de estímulos pode levar o indivíduo a quadros psicopatológicos e, em caso extremos, até a morte.
O pesquisador francês René Spitz estudou o comportamento de crianças colocadas em instituições durante o primeiro ano de vida. Aquelas que não tinham oportunidade de interagir com os adultos, mesmo recebendo alimentos e remédios quando doentes, apresentavam, depois de seis meses, reflexos diminuídos e retardados, como se não percebessem o que estava acontecendo ao seu redor.
Em média, esses bebês apresentaram um retardo grande de linguagem e dificuldades na exploração do mundo. Quando frustrados, não reagiam.
Existem outras pesquisas revelando que crianças sem estimulação sensorial desenvolvem um quadro de retardamento mental.

Crítica Da Razão Tupiniquim

Roberto Gomes

Em Crítica da Razão Tupiniquim, o filósofo Roberto Gomes ataca ostensivamente a falta de personalidade e originalidade da Filosofia brasileira, que se mantêm ao longo dos tempos atrelada a modelos de seriedade estrangeiros, fato que reflete não mais que a dependência cultural que há muito nos acompanha e nos coloca diante daquele complexo de vira-lata do brasileiro, já antes mencionado por Nelson Rodrigues que, entre outras coisas, percebia o brasileiro como um Narciso às avessas. Aliás, já no primeiro capítulo, além de citar nosso maior dramaturgo, o autor nos apresenta uma lista de importantes pensadores brasileiros - Lima Barreto entre outros que bem descreveram a alma brasileira -, bem como um rol de outras fontes possíveis - o torcedor de futebol, o porta-estandarte etc. - que podem e devem ter muito mais peso no desenvolvimento de uma Razão Tupiniquim do que as maçantes teses universitárias nas quais a filosofia no Brasil há muito se mascara.
A fim de esclarecer suas proposições, o autor enfatiza a necessidade de diferenciação entre os termos sério e o a sério o ser sério e o levar a sério. Sendo o primeiro, empregado a aquele que converge com a manutenção da ordem social vigente, o de espírito reacionário, o conservador, aquele se coisifica como objeto da seriedade. Já o segundo - a sério - é usado pelo filósofo como termo negador do estado de coisas socialmente admitido, possuindo natureza dinâmica e mutável. De acordo com Gomes, no intelectual brasileiro que discursa, triunfa, quase que invariavelmente, o sério expressão de uma classe privilegiada diante de uma multidão analfabeta - e no homem sério triunfa uma razão ornamental que o posiciona distante da realidade local que o cerca, das particularidades culturais às quais, querendo ou não, está inserido. Portanto, é em função dessa hegemonia no meio intelectual do ser sério em detrimento do levar a sério, que Gomes verifica e opõe-se ao triunfo da cultura formalística, que age de modo a impedir a criação de uma filosofia originalmente brasileira.
De acordo com o autor, somente no momento em que for abandonada a tirania do sério, perceberemos que nossa atitude mais profunda encontra-se em ver o avesso das coisas, nos daremos conta que nossa Razão encontra-se no humor crítico no a sério do humor - mas para tanto é preciso que removamos de nossos olhos as vendas impostas pelo academicismo, pois é condição de visão estar em dada posição e dela vislumbrar os objetos. Afinal - como diz Gomes - ver é, ou envolve, um ato de seletividade, só vejo de minha posição e da única maneira possível: historicamente. Sendo assim, uma Filosofia brasileira só terá condições de originalidade e existência quando se descobrir no Brasil. Esse se descobrir no Brasil requer, entretanto, a posição de negação, dado que qualquer conhecimento inicia sendo negação, é preciso de tal modo, que a intelectualidade brasileira rejeite firmemente e antes de tudo - antes mesmo do formalismo importado -, o hábito de procurar sempre o meio-termo, o mito da imparcialidade visto que no meio mora o medíocre, e liberte-se de vícios, mitos, medos e complexos (como o de vira-lata) que há muito se alojaram no pensamento brasileiro, para que assim abandone, efetivamente, a recusa de estar no Brasil.

Discurso do Método

Rene Descartes

Publicado originalmente em 1637 o Discurso do Método de René Descartes é uma das mas famosas obras da literatura filosófica, sendo por muitos considerado o texto fundamente da ruptura cultural que da origem a Filosofia Moderna.O texto é composto de seis partes onde o autor, partindo de um relato de sua biografia intelectual, expõe de maneira clara e sucinta os grandes traços de seu novo sistema filosófico. Descartes começa seu texto apresentando os grandes parâmetros de sua formação cultural. Aluno de uma das mais prestigiadas escolas européias, a Escola dos Jesuítas em La Flèche, pode receber o que de melhor tinha a ofertar a cultura de seu tempo. Estudou Lógica que considerava um interessante instrumento uma vez que estejamos de posse da verdade, mas que em nada auxiliava a obter a verdade; estudou Teologia, sabe importante sem dúvida, todavia dispensável, pois desde que tenhamos fé em Deus, nossa salvação estará assegurada; estudou Filosofia e, sobre essa, chegou a uma triste conclusão: a história da filosofia nos mostrava de que não existia nada de tão absurdo que já não tivesse sido afirmado alguma vez por algum filósofo. Em todas as disciplinas que estuda, a exceção da matemática, cuja aplicabilidade a problemas concretos somente se dará a partir e por causa de Descartes, constata ele que a cultura em geral não oferece nenhum saber que seja isento de dúvidas e útil para vida. Cabe portanto, concluir Descartes reformar o conhecimento e fundamentá-lo a partir de novas e sólidas bases. Tal é a tarefa que será delineada no Discurso do Método e buscada por toda a vida de Descartes.Para obter esse resultado, Descarte elabora um método que consta de quatro regras: 1) Não aceitar nada que não seja evidente e evitar a prevenção e a precipitação; 2) Dividir um problema em tantas partes quantas forem possíveis e necessárias, a chamada regra da análise; 3) Conduzir o pensamento por ordem, partindo dos objetos mais simples para os mais complexos, a chamada regra da síntese; 4) Efetuar enumerações tão completas de modo a ter certeza de nenhum elemento ter sido esquecido.Aplicando esse método aos objetos culturais, quais deles podem ser ditos tão evidentes que não possam ser colocados em dúvida? Todos os dados dos sentidos podem nos enganar; da mesma forma todos os objetos da razão igualmente o podem.... nada existe que seja dado ao homem que não posso ser posto em dúvida; todavia, se de tudo podemos duvidar, não podemos duvidar do fato de estarmos duvidando. Ou seja, em toda a dúvida está presente a certeza do sujeito que duvida; ora constata Descartes, se duvido pelo e, se penso logo existo. O conhecimento não deverá pois ser construído a partir de certezas externas, sempre falíveis, mas sim da única certeza indubitável, a certeza do Cogito.Certo, poderemos argumentar contra Descartes, mas e daí? Como sair da certeza do solipsismo para a certeza dos objetos do mundo? Analisando o que nos dá essa certeza inicial Podemos constatar que somos uma substância cuja essência consiste no pensamento, o que significa que que não existe uma união necessária entre o corpo e o espírito, já que é possível duvidar de que tenhamos um corpo, mas não uma razão pensante. Essa razão pensante, na medida em que duvida se descobre como imperfeita. Ora, nos diz Descartes, de onde vem essa idéia de perfeição? Não pode vir dos objetos do mundo na medida em que aí não a encontramos; não pode ter sido criada por nós, pois somos imperfeitos e, no entanto, a temos. Como se pergunta Descartes? Só pode ser uma idéia inata, impressa em nós por aquele que nos criou Deus. Da existência de Deus, ser criador dotado de todas as perfeições, não é possível que nos enganemos sempre, pois aí o ser perfeito teria criado algo absolutamente imperfeito. Logo, a única coisa que nos impede de conhecer a verdade é não procedermos de forma metódica.No Discurso do Método, Descartes parte da certeza inicial do sujeito pensante, nela descobre Deus como idéia inata, dai conclui a impossibilidade do erro absoluto e propõe como forma de superação a adoção das regras metodológicas Temos assim o saber fundado agora na subjetividade humana e não mais no ser. Quando for possível a essa subjetividade, e esse é o processo da evolução da ciência moderna, apenas com base em regras metodológicas constituir a verdade, deus se tornará desnecessário ao saber, sendo recolhida aos recônditos da subjetividade humana.Descartes abre assim o caminho para o desencantamento do mundo.