sábado, 4 de abril de 2009

O Nome Da Rosa

Eco, Umberto

O nome da rosa rela fatos interessantíssimos que se passam em um mosteiro medieval do século XIV na Itália.Em sete dias e sete noites setge monges são assassinados de forma estranha e bárbara. A história conta com riqueza de detalhes a rotina e os costumes da vida religiosa desse mosteiro. Na trama temos a discussão sobre o "riso" ser benéfico ou prejudicial ao homem. Na espinha dorsal do livro está encrustada biblioteca do mosteiro que abriga obras geniais da cultura mundial e também tem os seus mistérios internos como um labirinto engenhosamente criado pelos seus construtores como mecânismo próprio de defesa para evitar que invasorestivessem acesso ao local ou se conseguissem que não conseguissem sair do local sem serem descobertos.Tudo isso para preservas as obras do acervo local e mas que isso, para exercer o controle da censura sobre quais livros poderiam ser disponibilizados para a leitura dos monges e visitantes do mosteiro. Um dos livros é peça chave das investigações e será incansávelmente procurado por alguns persongens de "O nome da rosa" para a solução do caso. Um sábio inglês franciscano é chamado para descobrir o autor dos crimes e ele vem com seu discípulo Adso iniciando busca inscansável e bastante engenhosa sempre desenvolvento um raciocínio brilhante e estimulante para o leitor. Paralelamente à essa situação ocorrem algunsdebastes interessantes como o fato de voto de pobreza que é refutado pela igreja católica na voz máxima de seu pontífice, o papa. A questão esbarra no fato da igreja ser poderosa e seus integrantes mais privilegiados gozarem de vida confortável e requintada para os padrões da época com as pópulações em geral vivendo miseravelmente. Eles não quereriam abrir mão de sua riqueza e jamais aceitariam o tal voto de pobreza, os debates são calorosos. O texto é rico em expressões prolixas e em desuso para os dias de hoje para o senso comum mas isso não impede o prazer com que cada página é lida, e nem mesmo a dificuldade extra de Umberto Eco nos trazer uma série de citações em latim. É um livro obrigatório e nos traz ainda a ação do tribunal da Santa Inquisição que é instaurado no mosteiro dando ainda a maior dramaticidade às questões do livro onde ainda temos a descoberta do amor e da sensualidade e o valor à vida.

O Mandarim

Eça de Queirós

Publicado pela primeira vez em folhetim, no Diário do Reino, em 1880, O Mandarim leva-nos até um cenário exótico, o Oriente, que serve de pano de fundo à história de Teodoro. Teodoro é um simples amanuense do Ministério do Reino que, embora tenha uma vida modesta, não passa grandes privações. Está, no entanto, longe de alcançar os seus sonhos de luxo. Um dia, porém, depara-se com um jogo em que tudo o que tem a fazer é tocar uma campainha para que um riquíssimo mandarim chinês morra e ele herde toda a sua fortuna. Espicaçado pelo Diabo, Teodoro faz a campainha tilintar e, depois de um mês de ansiedade e de incredulidade, fica milionário. Mas agora que tem a vida de fausto com que sempre sonhara sente-se, à medida que o tempo passa, cada vez mais desiludido devido à hipocrisia e mediocridade da raça humana. Pior ainda é a visão constante do mandarim Ti-Chin-Fu, morto, e da sua família que vive agora na miséria. Roído pelo remorso decide partir para Pequim a fim de procurar a família do falecido e casar com uma das senhoras para, assim, legitimar a herança. A viagem, repleta de peripécias que quase lhe custam a vida, revela-se infrutífera pois não encontra a família do morto. Regressa deprimido e, como as visões do mandarim morto não desaparecem, chega a pedir ao Diabo que lhe devolva a vida, mas este não lhe faz a vontade. Abandona então a sua mansão e instala-se na pensão da D. Augusta, viúva do Marques mas, alvo de escárnio por viver como um pobre, acaba por voltar à vida de rico, embora continue a sentir-se infeliz e vazio por dentro. Quando sente que é chegada a sua hora deixa, em testamento, toda a sua fortuna ao Diabo.

A Capital

Eça de Queirós

Artur é a personagem central deste romance que Eça deixou inacabado, em parte por recear que fosse demasiado escandaloso para a sensibilidade dos seus contemporâneos. A Capital só viria a ser publicada, após a sua morte, numa edição com cortes e acrescentos da autoria do filho do escritor, José Maria d'' Eça de Queirós. Filho de um escrivão de direito, de origem burguesa e natural de Ovar, Artur é um jovem débil, efeminado e sensível. Estudante provinciano, quando vai estudar para Coimbra entrega-se a uma vida de boémia. Após a morte dos pais vê-se na contingência de ter de vender todos os seus bens para poder continuar os seus estudos. Arruinado é recolhido na casa das tias paternas e passa a trabalhar como praticante de botica. Desanimado, decide partir à conquista de Lisboa, onde pretende atingir a tão desejada celebridade no campo literário. A experiência na capital não lhe traz, porém, o resultado esperado e acaba por regressar, cansado e conformado, a Oliveira e à botica que rejeitara.

Os Maias

EÇA DE QUEIROZ

Os Maias de Eça de Queiroz é uma narrativa que conta a relação entre Carlos Maia, jovem médico descendente de uma família tradicional, e Maria Eduarda, mulher belíssima cujas origens não são muito claras.Quando o relacionamento se estabelece eo envolvimento sentimental sedimenta-se, Carlos descobre que Maria Eduarda é na verdade sua irmã. Levada ainda pequena para longe pela mãe de ambos, ao fugir de um príncipe italiano. Carlos já sabendo do incesto em que vive, cede à atração e resolve manter por algum tempo a sua relaçao física com a irmã. Essa relação só é interrompida quando Afonso Maia, avô de Carlos Maia, morre de desgosto por conhecer a situação dos netos. Carlos sem coragem de comunicar a descoberta à maria Eduarda, designa o amigo João da Ega para fazê-lo. Maria Eduarda muda-se para Paris e casa-se anos depois.Ao redor do núcleo da história circulam vários personagens: João da Ega, adepto de novas idéias literárias, vaidoso e irônico e tão improdutivo quanto o protagonista Carlos. Tomás de Alencar, poeta romântico que combate o realismo e o Naturalismo; a condessa de Gouvarinho, amante arrebatada e provocadora; Dâmaso Salcede, homem de posses extremamente medíocre, preocupado em parecer chique; Afonso Maia, avô de Carlos, síntese de boas qualidades de Portugal, antigo , capaz de aceitar a modernidade, sua energia não resiste à adversidades. Mais importante que o escãndalo da relação incestuosa é a apresentação de uma aristocracia moralmente falida, desprovida de vontade e de ação. Carlos maia é dotado de brilho e inteligência; teve uma boa educação em moldes ingleses e é bastante rico. Apesar disso desperdiça sua existência num ócio elega nte, acompanhado por seus amigos. De vontades fracas, é incapaz de romper definitivamente o caso com a irmã. A alta burguesia prtuguesa, esgotada de idéias úteis e da atitudes é incapaz de empregar esforços individuais e sociais de maneira produtiva. Há uma nalise realista da sociedade portuguesa, da corrupçaõ da vida literária em Lisboa, da burguesia e da política e suas podridões. A ironia e o sarcasmo de Eça aparece nas caricaturas das personagens que desfilam na obra.

Luzia - Homem

Domingos Olimpiio



Naturalismo. Luzia- Homem é um exemplo do Naturalismo regionalista. Passado no interior do Ceará, em 1878, durante uma longa seca, vai contando a história da retirante Luzia, mulher dificil e de uma grande força física, e precisamente o apelido Luzia- Homem provém desta força que lhe permitia trabalhar melhor que qualquer homens fortes. Luzia trabalha na construção de uma prisão e é conquistada pelo soldado Capriúna. Luzia não se interessa por amores e mantém uma relação de amizade e ajuda mútua com Alexandre. Depois de Alexandre propor-lhe casamento e existe por toda a história a relutância de Luzia admitir que gosta de Alexandre), e este é preso, por roubar no armazém onde ele era guarda. Luzia passa visitar-lhe na prisão e sua amiga, a alegre Teresinha, para ver se ela podia cuidar de sua mãe que se encontrava doente. Depois de transcorrer um certo tempo, Luzia pára de lhe visitar na prisão. Ao fim Teresinha descobre que Capriúna era o verdadeiro ladrão e uma das assistentes de Luzia (ela havia sido dispensada e depois voltara ao trabalho, mas como costureira) lhe falar que a testemunha contra Alexandre mentia, o culpado é preso. A família de Teresinha aparece (ela havia fugido de casa com um amante que morreu meses depois) e ela, humilhada fica subserviente a eles, especialmente ao pai que a rejeita. Luzia descobre isto e, depois de um interlúdio, convence-a a viajar com ela, indo para o litoral. No caminho Capriúna se liberta e vai atacar Teresinha, a culpada de sua prisão. Encontrando Luzia, mata-a e acaba caindo num desfiladeiro. Marcado pela fala característica dos personagens, Luzia- Homem mantém duas características clássicas do Naturalismo por toda obra: o cientificismo na linguagem do narrador e o determinismo (teoria de que o homem é definido pelo meio).

O Santo Inquérito

Dias Gomes

Famosa peça teatral onde o autor como sempre o faz, se coloca na posição crítica diante da realidade nacional e humana. Personagens:
Branca Dias, Padre Bernardo, Augusto Coutinho, Simão Dias, Visitador do Santo Ofício, Notário, Guarda. Época: ano de 1750. Ação: Nordeste Bradileiro, Estado da Paraíba-PB.

Há controvérsias quanto à existência de Branca Dias. Se ela existiu mesmo e foi condenada e sacrificada na fogueira pela Inquisição, onde foi? Para Dias Gomes, como dramaturgo interessa o fato de que Branca Dias existiu, foi julgada e condenada pela Igreja e virou lenda. Os fatos históricos são fatores secundários.

O autor denuncia a deturpação do pensamento dominante da Igreja. O abuso do poder massifcando o povo. Branca Dias não é santa como Joana D'Arc embora tenha sofrido o mesmo destino: queimada viva na fogueira da inquisição. É mulher, sonha casar-se com o seu amor e dar-lhe todos os filhos que puder. É meiga e de sentimentos puros, não vendo maldade nas ações. Crê firmemente na bondade de Deus e o sente na sua vida
simples em contato com a natureza. Ela sabe que não fez nada de errado.
Não obstante, é acusada de heresia e condenada. A conduta de Padre Bernardo para com ela, a princípio, é a de conduzi-la à ortodoxia da fé. Expurgá-la de seus pecados. Ele crê firmemente que é seu dever salvá-la. Porém, quando a paixão carnal começa a queimá-lo por dentro, ele vê que só a condenação dela poderá livrá-lo da perdição do inferno. E faz tudo paraisso, até conseguir.

Augusto, noivo de Branca é preso, açoitado e depois morto. Ele é o homem em defesa de sua dignidade. Consciente de que o homem traz em si mesmo algo de que não pode abrir mão, nem mesmo em troca da liberdade.
Para não condenar a noiva, troca a vida pelo valor moral, isto é, pelo direito de vivê-la com grandeza.

Simão, pai de Branca, ao contrário de Augusto, para salvar-se a qualquer custo, não levanta a voz diante da injustiça contra outrem. Presencia a tudo o que fazem ao futuro genro mas não protesta diante da violência, se esta violência não o atinge diretamente.

O Santo Inquérito enfatiza com veemência o direito que o ser humano tem às idéias próprias e à liberdade de expressá-las e vivenciá-las.

Há um mínimo de dignidade que o homem não pode negociar, nem mesmo em troca da liberdade. Nem mesmo em troca do sol. Branca Dias.

Róbson Crusoé

Daniel Defoe

O livro conta a história de Robinson Crusoé que era um jovem marinheiro inglês. Um dia decide seguir seu caminho e parte para uma aventura sem avisar ninguém, embarca em um navio. Como castigo do destino, seu navio é pego por uma tesmpestade e naufraga. Toda a tripulação morre, exceto pelo jovem Crusoé, encalhado naquela ilha do Caribe. Lá ele tem duas escolhas, se deixar levar pela maré ou lutar pela sua vida. Ele busca por mantimentos no navio naufragado.Constroe uma fortaleza de madeira na praia e uma outra casa, embrenhada na floresta, a qual chamava de "Casa de Campo", plantou cereais a partir de grãos que haviam no navio. Então vem a descoberta, Robinson não estava sozinho na ilha, havia uma tribo de canibais, e destes canibais ele "domestica" um. Deu-lhe o nome de Sexta-Feira. Depois de algum tempo, encontra um barco no horizonte, este o leva até sua querida Inglaterra, lugar o qual não ficou por muito tempo. Ele decide voltar à ilha onde passou vinte e oito anos de sua vida. Lá encontra seus amigos espanhóis que o haviam ajudado a sair da ilha. Robinsou fretou um navio com vacas, armas, provisões, e aquela pequena ilha agora se tornara um feliz, próspero e populoso vilarejo, no meio do Caribe.Eu recomendo este livro. Atualmente vendido pela ED. Scipione, coleção Reencontro, de Daniel Defoe. Adaptação para o Portugûes de Werner Zotz.

Os Anjos E Os Demônios

Dan Brown

O Illuminati, antigo ritual anti-religioso, ressurge para realizar sua tarefa histórica: nada menos que a destruição da Igreja Católica.
O culto mata de modo brutal um pesquisador respeitado mundialmente na comunidade científica para roubar a primeira amostra sintética do Antimater, uma fonte de energia criada que, se não controlada corretamente, torna-se devastadora.
A tempestade real aparece em tons religiosos.
A marca encontrada no cadáver do cientista conduz ao professor de Harvard, Robert Langdon, chamado em segredo para ajudar a entender e resolver o mistério.
Cria-se legítimo pandemônio quando a amostra explode em uma tela de CCTV oculta na cidade do Vaticano. Vittoria Vetra, filha italiana do cientista assassinado, acompanha Langdon a Roma para ajudar a guarda suíça a identificar a amostra.
Tudo começa a ir de mal a pior.
É dia da eleição do novo papa.
O Illuminati seqüestra o favorito de quatro cardeais.
Os anjos e os Demônios é o mais recente thriller de Dan Brown. Autor do Código Da Vinci, Dan Brown vem novamente roubar as luzes e provocar ainda mais controvérsia na cena literária mundial. Causa uma tempestade real com seus tons acima em matéria de religião.
A única maneira de parar a bomba é encontrar o assassino, antes que mate o cardeal.
Mais enigmas. Mais velocidade. Menos tempo diante da iminência da morte e da tragédia.
O livro levanta questões morais sobre o papel da religião na sociedade de hoje e como, mais e mais, o espiritual é negligenciado e a tecnologia acolhida por uma sociedade que não estaria necessariamente pronta para as conseqüências dela.
Os anjos e os Demônios ocupam principalmente a cidade de Roma exemplo de detalhes da Arquitetura como os relatados no Código Da Vinci.
Enquanto trabalho de ficção, a narrativa usa as partes descritivas como fio principal que ajudam plasticamente a história a conquistar boas doses de realidade.
O livro tem ação, suspense, mistério e romance em versões criativas. O autor já se provou capaz de abordar mitos sem concessões à hipocrisia.

Broqueis

Cruz e Sousa

Broqueis e composto por 54 poemas, demarcados com a presença da cor branca em variados jogos e cores - seja presença da luminosidade do luar, da neblina; seja presença da neve, das imagens vaporosas, dos cristais, como no belíssimo ''Antífona'', poema de abertura da obra.
''Ó Formas alvas, brancas, Formas claras
De luares, de neves, de neblinas!...
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas...
Incensos dos turíbulos das aras...''
A partir de um dos sonetos do livro - Carnal e Místico, define-se a dicotomia que será básica nesses poemas. A carne, a sensualidade e a luxúria surgem com dramática intensidade em vários poemas.
O soneto é a forma poética mais cultivada em ''Broquéis'' - ainda um traço parnasiano - mas a temática é inteiramente simbolista, bem como determinados recursos verbais inequívocos: estilização de diferentes apoios fonéticos, como a assonância, as aliterações, os cognatismos e as sinestesias, criando assim um universo etéreo, delicado, musical.
''Musselinosas como brumas diurnas
descem do ocaso as sombras harmoniosas,
sombras veladas e musselinosas
para as profundas solidões noturnas.''
A carne, a sensualidade e luxúria explodem com intensidade dramática em vários poemas. A lasciva da carne atrativa manifesta-se em ''Lésbia'':
''...Lésbia nervosa, fascinante e doente,
Cruel e demoníaca serpente.
Das flamejantes atrações do gozo...''
Como nos revela este soneto, o transcendental de Cruz e Souza não se define claramente. Não se trata do ''céu'' de nenhuma religião concreta. Sempre vagas são as expressões que a ele se referem: naves do Infinito, regiões tenuíssimas da bruma, mundos ignorados, vagos infinitos, branco Sacrário das Saudades, Estrelas do Infinito, Azuis dos siderais Empíreos, Azuis etéreos.
Essa mesma indefinição vaga, caracteriza as referências reiteradas ao tema do sonho, bem como a redução frequente de tudo a quimera.
Os dilaceramentos paradoxais, a ansiosa procura de uma satisfatória realidade, o confronto dos desejos carnais com aspirações místicas levam o poema a temáticas vigorosas, densas, trágicas e dramáticas, atingindo até mesmo o grotesco. São explosões de vida que se torturam na ânsia de realização, impedidas por barreiras, convenções ou preconceitos. A própria seleção vocabular torna mais esse vigor dinámico impresso nos versos: o poeta se refere a Satã como capro e revel, com bizarros e lúbricos contornos e báquicos adornos. A adjetivação carrega de particular intensidade dramática a realidade enfocada, como em ''a torva Morte horrenda,/ atra, sinistra, gélida, tremenda''. Ou então é a tortura eterna da expressão artística que angustia o poeta:
''Ah'' que eu não possa eternizar as dores
nos bronzes e nos marmóreos eternos.''
Broquéis é um livro de poesia maior. O Simbolismo reflete sua linguagem colorida, exótica e vigorosa; na abstração vaga e diluída de toda a materialidade; na imprecisa mas dominante tendência mística, envolvendo todo um vocabulário litúrgico; na linguagem figurada, constantemente cheia de aliterações e sinestesias; na crescente musicalidade que emana de seus versos. São poemas simbolistas, mas poemas carregados de sentimento e de vigorosas vivências. Poemas que identificam a tortura existencial do poeta, totalmente dedicado à criação poética.
Se em ''Broquéis'' predominam os sonetos, integram ''Faróis'' menos sonetos e mais poemas longos. Se no livro anterior já aparecia a dramática concepção da vida, em ''Faróis'' se intensifica essa trágica sensação da existência atingindo níveis de morbidez e satanismo. Conscientiza-se o poeta cada vez mais do seu emparedamento. Avoluma-se sua angústia perante o destino inclemente, como estabelece claramente ''Meu Filho'', um dos raros poemas que se referentes à família:
''Ah! Vida! Vida! Vida! Incendiada tragédia.
Transfigurs de lúgubre comédia
Que um cérebro de louco houvesse imaginado''.
Pemas como ''Pandemonium'', ''A Flor do Diabo'', ''Tédio'', ''Caveira'', ''Música da Morte'', ''Inexorável'', ''Olhos de Sonho'', ''Litania dos Pobres'' constituem alguns exemplos que acentuam os aspectos trágicos, macabros e mesmo satánicos da existência, conduzindo a cenas e descrições dramáticas. O poema final - ''Ébrios e cegos'' - sintetiza, em cores negras, esse trágico quadro da existência humana.
''Mas ah! Torpe matéria!
Se as atritassem, como pedras brutas,
Que chispas de miséria
Romperiam de tais almas corruptas!.''

Tristão E Isolda

Claude-Catherine Ragache - Francis Phillips

Tristão e Isolda Sir Tristão de Lionesse O Cavaleiro Poeta Rica é a bibliografia de Tristão e Isolda. Além de figurarem em escritos celtas antigos, os chamados mabinogions (porque eram destinados à educação do mabinog, ou discípulo do bardo) e em narrativas populares anônimas, como Folie Tristan, Luite Tristan e Tristan Moine, inspiraram uma vasta literatura em francês, inglês, alemão, italiano, espanhol e português. O nome do pai de Isolda, Gormond, é escandinavo, e ela mesma aparece às vezes como "Isolt". Acrescente ao fato dela ser loura (la Blonde). Donde a idéia de que a história remonte ao tempo dos vikings na Irlanda. No entanto, segundo a maioria dos autores, a lenda é celta e tem por base a vida de um rei picto que viveu na Escócia, onde reinou de 780 a 785. Chamava-se Drest filius Talorgen. O Livro Vermelho de Oxford alude a um certo Drystan ab Tallwch, amante de "Essylt", mulher de "Marc". "Tristan" proviria então de "Drest", "Drystan", "Drust", "Drustan". Em português, impunha-se Iseu ao invés de Isolda, forma alemã popularizada por Wagner, como pode-se ver pelo Cancioneiro da Vaticana, de D. Dinis: o mui namorado Tristan sey ben que non amou Iseu quant'eu vos amo.... Já Jorge Ferreira de Vasconcelos usa "Iseo", com "o", em Memórias das proezas da segunda Távola Redonda, Lisboa, 1567, capítulo XLII: "... de dom Tristam de Leonis e da sua amada Iseo...?. A popularidade da história de Tristão e Isolda foi conseguida graças a Maria da França, uma mulher de quem pouco se sabe, que escrevia tais, versos sobre histórias de cavalaria já conhecidas ou que ainda corriam entre os contadores de história. Seus versos intitulam-se Chèvre Feuille (A Madressilva). Esse conto, conhecido desde o ano 1000, é de origem puramente celta. A história passa-se na Cornualha, onde Marco é rei, mas o magnetismo causado pelo nome de Arthur fez com que essa história se prendesse também ao corpo da lenda. Tristão não era famoso por sua habilidade como lutador, mas tinha grande agilidade física. Era também um harpista. A história de Tristão é marcada por tragédias, dizia-se que ele nunca foi visto sorrindo, a começar por seu nascimento, onde seu pai é morto em batalha, perdendo o reino de Lionesse, e sua mãe morre no parto. Graças a estas tragédias, ele recebe o nome de Tristão. Criado por um cavaleiro como se fosse seu filho, Tristão desconhece sua origem e de seu parentesco com Marco, seu tio. Ainda criança, Tristão mata por acidente um outro menino durante uma rixa. Levado para Bretanha a fim de ter uma educação de cavaleiro e um dia recuperar seu trono, Tristão acaba preso em um navio muçulmano, onde seria vendido por escravos, se não tivesse conseguido fugir, indo parar nas costas da Cornualha. Durante muito tempo permanece na corte do rei Marco, sem revelar a este que era seu sobrinho, o que ocorre quando a Irlanda cobra um antigo tributo da Cornualha que, se não fosse pago, só poderia ser substituído pela luta entre dois campeões da família real da Irlanda e Cornualha. Tristão se oferece e parte para lutar contra Morolt, matando-o quando este prende a espada no casco do barco. Ferido pela espada envenenada de Morolt, Tristão é colocado em um barco sem remos com sua harpa para ser curado pela rainha da Irlanda. Durante sua permanência disfarçado, com o ome de Tãotris, acaba se apaixonando pela princesa Isolda, que cuidava dele. Mas Isolda acaba prometida a Marco e Tristão retorna à Irlanda para buscá-la. Na viagem de volta, no entanto, eles bebem um filtro de amor que a criada de Isolda, Brangwen, havia preparado para a noite de núpcias da princesa, com isso uma paixão cega toma conta deles, de tal forma que, quando chegam a Cornualha, já são amantes. Começa então o mórbido, mas interessante relato do casamento de Isolda com o já desconfiado Marco e a continuação de sua aventura com Tristão. Segue-se então a descoberta e a fuga de Tristão para a Britânia, onde se casa com uma princesa só porque seu nome também era Isolda (ISolda das Mãos Brancas), não podendo consumar o casamento. Quando está prestes a morrer de uma infecção causada por uma seta envenenada, Tristão manda uma mensagem, implorando que Isolda da Irlanda viesse até ele, e ordena que, no retorno do barco, deveriam estender velas brancas se a trouxessem e negras se ela não viesse. Quando as velas brancas são vistas se aproximando, sua esposa Isolda diz que elas são negras. Angustiado Tristão morre, e Isolda chega, para morrer ao lado dele.

Laços De Família

Clarice Lispector

Publicado em 1960, Laços de Família é um dos pontos máximos da prosa de Clarice Lispector, talvez o supra-sumo de seus contos. As narrativas dessa obra usam constantemente o fluxo de consciência, por meio do qual conhecemos o universo mais íntimo das personagens. É um expediente que autoriza sua literatura a ser chamada ora de psicológica, ora de introspectiva. Suas personagens são sempre flagradas no momento em que, a partir do cotidiano banal, alcançam o lado misterioso, inusitado, diferente da existência humana, mesmo que não consigam entendê-lo. No fim, acabamos nos deparando com histórias de exteriorização do oculto, em que o protagonista termina buscando, nos elementos exteriores, o seu interior. ou seja, a busca da identidade passa pela busca do outro, seja humano, animal ou objeto.

Para Gostar De Ler - Volume 5

(Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Rubem Braga.)

Para Gostar de Ler é um fantástico livro de crônicas editado em 1987 pela editora Ática. Só de ver os nomes das selebridades que se fizeram presentes nas páginas desse livro, já dá Para saber mais ou menos a qualidade do mesmo. Verdadeiros monstros da literatura. Homens que dispensam apresentação. É um livro leve, bem-humorado e extremamente agradável de ler. "Para Gostar de Ler" foi um nome perfeito para o livro, pois possui textos curtos e com um teor levemente cômico, como "Anúncio de João Alves", de Drummond; um texto delicioso que narra a estória de um anúncio do desaparecimento de uma besta. Simplesmente hilariante. É uma oportunidade mágica de conhecer esses escritores maravilhosos que fizeram parte do universo de nossos pais. Fernando Sabino enriquece qualquer livro em que seu nome for impresso. A forma como ele descreve cenas cotidianas como em "Conversinha Mineira" é simplesmente espetacular; ele torna qualquer narrativa num clássico. E o que falar de Paulo Mendes Campos em "Fábula eleitoral para crianças"? Essa crônica é soberba. Rubem Braga nos presenteia com cinco belas pérolas, entre elas, "Ela se Chama Pirapora". Só vendo para crer. Não importa a idade: começou a ler, não dá mais para parar.

A Paixão Medida

Carlos Drummond de Andrade

Estilo

Modernismo - humor ironia sobre o cotidiano; existencialismo e consciência do
fazer artístico; pertence ao 2º tempo, iniciando sua carreira poética com Alguma
Poesia em 1930.

Enredo

Obra da fase contemporânea do poeta, seus poemas em prosa, sonetos e formas
livres continuam trazendo o que Drummond sempre nos privilegiou: o amor, a
poesia, o cotidiano e suas ironias.

Trecho:

Bateu amor à porta da loucura.
"Deixe-me entrar - pediu - sou teu irmão.
Só tu me limparás da larva escura
a que me conduziu minha paixão".
(Confronto)

Preste Atenção

- Nas diferentes formas e diversos temas de Carlos D. de Andrade.

Amar Se Aprende Amando

Carlos Drummond de Andrade

Publicado em 2001, Amar se Aprende Amando é uma coletânea, preparada por Ivan Junqueira, de poemas que Carlos Drummond de Andrade, o melhor poeta da Literatura Brasileira, produziu entre as décadas de 60 e 80, momentos finais de sua existência. Seu organizador seguiu uma tese clara na sua seleção: buscar textos em que o tema não estivesse ligado ao grandioso, ao metafísico, mas ao pequeno, ao cotidiano. Na opinião do estudioso, a qualidade do fazer poético do vate mineiro seria suficiente para dar seiva valiosíssima aos diversos textos do livro. De fato, Drummond tem capacidade para tanto; no entanto, há momentos em que, pelo menos na obra em questão, não se obteve tal êxito.
Não se quer dizer que a obra não tenha valor. Pelo contrário, há vários pequenos tesouros que justificam sua leitura. O que mais chama a atenção é o tom prosaico de seus versos. É como se estivéssemos diante de um cronista tecendo poemas inspirados pelo jornal que diariamente lê.
São, portanto, poesia de circunstância, o que os enfraquece. Quem está de fora do contexto pessoal, como é o caso da maioria dos vestibulandos que se debruça sobre a obra, acaba deslocado, alheio, afastado de boa parte do valor dos textos.

A Rosa Do Povo

Carlos Drummond de Andrade)

Obra-chave dentro da produção de Drummond, A rosa do
povo, publicada em 1945, reflete a maturidade que o poeta
alcançou desde sua estréia. Nela, conforme já se afirmou,
além de acentuado progresso técnico-formal, estão presentes
duas conquistas decisivas para a evolução de nossa literatura:
o realismo social, particularmente penetrante e que não se
restringe, apenas ao lirismo da poesia engajada; a poesia
metapoética, alimentada pela reflexão introspectiva sobre o
sentido da escrita como Obra de arte. Este é o mais extenso e o
mais variado dos livros de Drummond ( 55 poemas, alguns longos).
Nele desfilam os principais temas de sua obra; o verso livre e a
estrofação irregular alternam com versos de métrica
tradicional dispostos em estrofes regulares; o estilo ora é
"puro"(elevado, "poético" ), ora é
"mesclado"(mistura de elevado e vulgar, sério e
grotesco). Livro difícil, é dos mais discutidos e apreciados da
poesia moderna brasileira. Obra de linguagem poética com
participação social. Os poemas de A rosa do povo foram escritos
nos anos sombrios da ditadura de Vargas e da Segunda Guerra
Mundial. Os acontecimentos provocam o poeta, que se aproxima da
ideologia revolucionária anticapitalista de inspiração socialista, e manifesta
sua revolta e sua esperança em poemas indignados e intenso.


Temas: eu-estar no mundo ( o amor, a
família, o tempo, a velhice), a metapoesia (poesia pela própria
poesia), eu igual ao mundo,... Portanto, em A rosa do povo, o
poeta testemunha sua reação ante a dor coletiva e a miséria do
mundo moderno, com seu mecanismo, seu materialismo, sua falta de
humanidade. Essa fase enriqueceu sua essencialidade lírica e
emocional, e, através da profunda consciência artística, o
poeta atingiu a plenitude, a cristalização, a humanização,
sob a forma suave e terna, em que o itabirano mergulha no lençol
profundo de sua província e de seus antepassados, para melhor
compreender a "máquina do mundo", a angústia de seu
tempo, o desarvoramento do homem contemporâneo, com um largo
sentimento de fraternidade.

As Crônicas De Nárnia

(C.S.Lewis)

As Crônicas de Nárnia, de C.S.Lewis são a expressão viva da capacidade de criação do ser humano. Através de alegorias e uma linguagem mitológica Lewis conta histórias infantis que em sua essência cooperam com a formação do caráter e estabelecimento de princípios para os leitores, sejam estes, crianças ou adultos.

A Coleção é composta por sete livros que relata a saga de um mundo paralelo, onde crianças e adultos são transportados de forma mágica e inusitada, para nesse lugar viverem experiências pessoais que transformarão suas vidas.

O livro mais famoso das Crônicas é O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa (2ª livro da série), mas esse nada mais é do que o estopim que deflagra uma viagem em um mundo imaginário de esperança e vida fluentes. Curiosamente, a leitura das Crônicas se torna muito mais interessante quando lemos em primeiro lugar o segundo livro, depois o primeiro e após seguimos a sequencia normal do terceiro livro em diante.

O estilo de escrita de Lewis, apesar de admirador, amigo e contemporâneo de J.R.R.Tolkien, diverge da literatura deste pela sua simplicidade de linguagem o que facilita a capacidade de assimilação do leitor, sem falar que seu principal foco criativo não está na riqueza de detalhes descritivos como no caso de Tolkien, antes, baseia-se na intensidade dos acontecimentos e no desenrolar no mais alto estilo "aventura".

Para adultos ou crianças, com certeza o envolvimento com as Crônicas de Nárnia é um caminho misterioso e mágico. Desafio-o a ainda ser o mesmo depois de andar por ele.

O Código Da Vinci

Brown, Dan

Interessantíssimo best-seller que mistura mistério com religiosidade. Polêmico por modificar partes irrefutáveis da origem de Jesus Cristo e principios básicos da religião Católica Romana, foi dito satânico por alguns crentes mais fervorosos. A parte a polêmica, o livro é instigante e prende a atenção do leitor do início ao final.

Robert Langdon, famoso simbologista, recebe um convite do curador do museu do Louvre, Jaques Saunière para uma entrevista. Não conseguindo se encotrar com o curador, volta para seu quarto de hotel. No meio da noite recebe uma visita de um inspetor da polícia francesa que lhe mostra uma foto onde o curador do museu aparece nu, morto, numa posição no mínimo enigmática. Chegando ao Louvre, encontra-se com Bezu Fachet, chefe da polícia, que lhe mostra a cena do crime e pede ajuda, visto que Saunière deixou pistas em forma de charadas antes de morrer. O que ele não sabe é que é o principal suspeito da morte do curador. Seu nome estava escrito no chão ao lado do cadáver. Sophie Neveu, criptógrafa da polícia francesa e neta do curador, aparece no museu e alerta Langdon das verdadeiras intenções do chefe de polícia. Os dois resolvem fugir e tentar descobrir os mistérios, por motivos diferentes, em relação as charadas deixadas por Jacques antes de sua morte.

Códigos secretos nos quadros de Da Vinci, verdades sobre a origem de Jesus Cristo, partes sombrias da Igreja católica, a história dos Cavaleiros Templários, o Priorado de Sião entre outras coisas são muito bem expostas neste excelente livro de mistério.
Mesmo sendo um livro ficcional, o modo como as provas são apresentadas e a coerência em torno delas deixam transparecer um clima de realidade no livro. O mais interessante, ao menos no meu entendimento, é que além de ser uma leitura interessantíssima, o livro te leva a fazer pesquisa sobre os assuntos: seja sobre o Opus Dei, um braço real da Igreja católica, os códigos de da Vinci, os Cavalerios Templários, o Priorado de Sião e seus membros.
São em torno de 420 de puro divertimento que deixa o leitor sempre preso, tentando saber o que irá ocorrer na próxima página.
Deleitem-se com a leitura.

Dracula

Bram Stoker

O mais famoso romance do inglês Bram Stoker tem sido evitado por leitores que não gostam de estórias de terror, um lamentável fato que se deve a avaliações precipitadas. Na verdade, Stoker se revela um habilidoso contador de estórias, sendo Dracula um romance leve, de narrativa dinâmica e delicioso clima vitoriano. O livro pode ser entendido como uma fábula gótica sobre a condição humana, mas com o ritmo das estórias de aventura, dos filmes policiais e dos contos de suspense. Um jovem corretor de imóveis londrino é enviado para a Europa central pelo seu chefe para negociar com um nobre romeno interessado em adquirir uma propriedade na Inglaterra. Chegando lá, o negócio se concretiza, apesar de estranhos fatos que, a pouco e pouco, aterrorizam o pobre funcionário. De volta à Londres, o rapaz percebe uma correlação entre preocupantes acontecimentos noticiados pela imprensa local, tristes ocorrências no seu círculo de amizades e a chegada do nobre à cidade. O nobre se chama Conde Dracula. O grupo de amigos, dentre os quais se destaca o médico Seward e seu ex-professor dos tempos de faculdade, Dr. Van Helsing, se organizam para desarticular o plano de Dracula, interessado em reproduzir na maior cidade de então o mesmo domínio que exerce sobre os habitantes da Transilvânia. Jonathan Harker, o corretor que se hospedou no castelo de Dracula, e sua noiva, Mina, também participam da caçada ao vampiro. A segunda metade do livro é extremamente ágil, sendo normalmente lida em um só fôlego. Escrito em 1897, este livro está impregnado dos valores da época. A Europa começava a se recuperar de uma longa depressão econômica (1873-95), estando às vésperas da ?Belle Epoque?. O mundo ainda não havia conhecido os horrores das guerras mundiais; faltavam 20 anos para eclodir a revolução russa; o avião ainda não havia sido inventado e a energia elétrica ainda não havia se difundido às massas; a Inglaterra ainda era a maior potência internacional, sem ter consciência de que entre 1914 e 1945 a ordem mundial sofreria mudanças irreversíveis no que tange à importância da coroa britânica. Enfim, Dracula de Bram Stoker acaba sendo um documento histórico que registra um mundo que estava prestes a deixar de existir. Hoje, Dracula certamente pensaria em ir para New York.

A Marca De Uma Lágrima

Bandeira, Pedro

Isabel é uma adolescente que se acha feia, será mesmo? Bem, feia ou não, ela é uma garota muito inteligente que escreve lindas poesias para ajudar o namoro da sua melhor amiga Rosana, com Cristiano, por quem é apaixonada.
E de repente se torna testemunha de uma cena suspeita: a diretora da escola morre. Há a suspeita de sucídio, o que altera a rotina de sua vida já. Daí sua vida sofre uma brusca transformação, porque a idéia de morte passa a rondá-la e sua tranquilidade está abalada porque enquanto seu coração está despedaçado pelo amor de Cristiano, ao mesmo tempo não quer trair a amiga

Fernão Capelo Gaivota

Bach, Richard

Esse belo livro, também transformado em filme, fala sobre a sociedade humana e nossos dogmas, conceitos, ?certezas absolutas?, restrições, e o mais importante, a busca pela perfeição. Algumas pessoas, assim como Fernão, não se intimidam com a opinião e os conceitos coletivos, e partem em busca da sua verdade, testam seus limites e os superam. O maior problema é que essa busca sempre acontece seguindo o caminho contrário à correnteza, é um ser indo em sentido oposto a grande massa urbana. Fernão encontra apenas críticas a sua tentativa de voar mais alto e mais rápido do que as outras gaivotas, chegando a ser banido do grupo. Mas sua felicidade em superar os próprios limites fala mais alto e ele segue o seu próprio caminho, quebrando barreiras e tabus pré-estabelecidos pelo seu bando. Logo outras gaivotas começam a seguir o renegado Fernão, aprendendo suas técnicas de vôo, o que incomoda os anciões do bando. Mas assim é a vida, os velhos morrem um dia, e os novos que não se renderem a grande massa terão maior liberdade e reconhecimento pelos seus esforços.Em certa parte do livro, Fernão sofre um acidente e morre. Assim ele conhece o paraíso, conversa com a ?Grande Gaivota? e volta ao nosso mundo para transmitir o que aprendeu aos seus semelhantes, passar uma mensagem de paz, amor e igualdade. Mas os velhos do bando, cegos pelo orgulho, acham que conhecem toda a verdade e não aceitam os ensinamentos de Fernão. Assim como na ficção do livro, na vida real sempre existem jovens abertos a novos conhecimentos, cientes de sua cegueira, que irão buscar a verdade e aceitar os bons ensinamentos que lhes são transmitidos.
Depois de ler esse livro, é importante pararmos para analizar como está nossa vida, se estamos acomodados com o mundo, aceitando tudo que está errado simplesmente porque é assim. Se isso estiver acontecendo, então está na hora de acordar e lutar pelo que é certo, mesmo que tenha que ir contra o resto do mundo. Devemos lutar por nossos sonhos e seguir sempre nosso ideal, sem fazer mal a ninguém, amando a todos. O que é errado sempre será errado mesmo que todos façam, mas o que é certo sempre será certo mesmo que ninguém o faça.

Filhos Brilhantes, Alunos Fascinantes

Augusto Cury

Em Filhos Brilhantes, Alunos Fascinantes o autor deste best-seller faz uma reflexão sobre o papel da educação na transformação da humanidade. Encontramos nestas páginas o professor Romanov a trabalhar numa escola que é conhecida como Escola de Pesadelos e onde se vê obrigado a lidar com vários alunos, professores e pais alienados e desiludidos. Porém, este professor com a sua originalidade, inovação e inteligência traz para a sala de aula a criatividade e o pensamento crítico e, através do ensino, consegue a pouco e pouco devolver-lhes a capacidade de sonhar e de construir uma vida melhor.

Pais Brilhantes Professores Fascinantes

* * * * * * *
Augusto Cury

Este maravilhoso livro, vem colocar à tona um dos maiores desafios da atualidade : COMO ENSINAR , a QUEM ENSINAR e QUEM ENSINAR. Futuro de uma nação. PRESENTE de uma nação. A criança, o jovem. Mudanças, um mundo mais duro, mais cruel, mais violento SE apresenta para eles. Um mundo QUE nós criamos ! Como reverter, como melhorar, modificar, consertar nosso grande erro. Criamos filhos sem limites, sem sentimentos de união, de conjunto de respeito,sozinhos. Por querer? Não.Por necessidade, ignorância, medo, acomodação. na escola e na família o mesmo sonho: alunos e filhos capazes de serem felizes, inteligentes, ... Mas, nós mesmos não sabemos como fazer. Estamos perdidos entre os deveres sociais e familiares. Educar não é sinônimo de escola, é todos acreditarem na vida, no potencial, e ter a certeza de um futuro melhor. Deve-se descobrir a grandeza em cada ponto mínimo e educar para a vida futura. Conhecer limites, deveres e direitos é a essência do futuro sadio. Como professor, nunca educar individualmente e sim promover situações com o ocorrido, para que se faça em grupo a correção. Assim servirá de exemplo para todos. Semear idéias, polir como o diamante para que brilhe mais tarde, é papel dos pais e do professor, um não substitui o outro ,nunca. Lembrar sempre que estamos em uma aldeia global e a cada instante ocorrem mudanças , e nós devemos estar preparados para agir lado a lado delas e de nossas crianças e jovens. Assim teremos pessoas vencedoras e principalmente ? Humanas???.

Origem Da Lingua Portuguesa

Antonio de Siqueira e Silva, Rafael Bertolin

ORIGEM DA LÍNGUA PORTUGUESA EM Roma se falava o latim. Com as guerras e as conquistas romanas, esse idioma expandiu-se por toda a Europa. Os romanos impuseram sua língua, sua cultura e seus costumes aos povos conquistados. Para garantir a dominação política, os romanos exigiam que, em todo o vasto Império, o latim fosse de uso obrigatório nas escolas, nas transações comerciais, nos documentos, nos atos oficiais e no serviço militar. Entretanto, o contato dos romanos com a cultura grega deu-se de forma contrária: foi o latim que incorporou uma grande quantidade de palavras gregas que, conseqüentemente, também vieram a fazer parte da língua portuguesa. Todavia, não foi o latim clássico, literário, usado pelos grandes escritores romanos (Cícero, Horácio, César, Virgílio, Ovídio, etc.), que foi imposto às populações dominadas. Foi o latim vulgar, falado pelos soldados romanos. Aos poucos, os povos dominados absorveram o falar dos romanos, que se misturou com os falares regionais, originando as línguas neolatinas: português, espanhol, francês, italiano, romeno, galego e outras. FASES DA LÍNGUA PORTUGUESAa) Fase pré-histórica: vai do século V ao Século IX (mistura do latim vulgar com falares locais).b) Fase proto-histórica: vai do século IX ao XII. Nessa fase, já se encontram documentos escritos em latim bastante transformado, misturado com palavras portuguesas.c) Fase histórica: Fase do português arcaico: vai do século XII ao século XVI. Aparecem os primeiros documentos inteiramente redigidos em português. O primeiro texto escrito em nossa língua foi a poesia ?Cantiga da Ribeirinha?, de Paio Soares de Taveirós, em 1189 (ou 1198). Período do português moderno: do século XVI até nossos dias. Sob a influência dos autores humanistas e clássicos, houve um progresso lingüístico muito grande, datando dessa época a obra-prima da língua portuguesa, Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões. A língua portuguesa é atualmente a quinta mais falada no mundo, com mais de 300 milhões de falantes. A comunidade lusófona é constituída por: a) Portugal; b) Ilhas de Madeira, dos Açores e Cabo Verde; c) Brasil; d) Angola, Moçambique, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe (na África); e) Goa, Macau, Timor (na Ásia). Em alguns lugares da África e da Ásia, como Sri-Lanka, Macau, Java, Málaca, Cabo Verde, Guiné, Cingapura, a língua portuguesa, em contato com os idiomas nativos, sofreu muitas alterações, dando origem ao dialeto crioulo, usado nas transações comerciais.

O Carteiro e o Poeta

Antônio Skármeta

Escreva o seu resumo aqui.
Quem já leu o livro ?O Carteiro e o Poeta? e viu o filme nele baseado, sabe Que há diferenças entre um e outro em função mesma da adaptação. No filme, o poeta Pablo Neruda é exilado na Itália, onde conhece Mário Jiménez. No livro, Neruda vive no Chile mesmo, na Ilha Negra. Obviamente as duas cidades têm as mesmas características: são pequenas, litorâneas, com moradores simples, já que em sua maioria são pescadores, e contando apenas com uma pessoa letrada, que é o carteiro.

Essa diferença nos locais de acomodação do poeta não muda coisa alguma do enredo do livro, pois, se na obra escrita o poeta tem que ir a Paris por ter sido nomeado embaixador pelo presidente eleito, Salvador Allende, no filme ele teve que retornar ao Chile por ter sido convidado para participar da campanha presidencial. São deslocações do tempo que em nada ferem a essência da novela naquilo que envolve a nostalgia pelo distanciamento entre dois amigos e as boas lembranças de sua grande amizade.

Talvez a maior diferença esteja no final, pois no livro morre o poeta de doença pulmonar, e depois, sugere a cena, também Mário Jiménez sob a ditadura recém instaurada pelo general Pinochet: dentro do carro dos soldados que o foram buscar em casa, Mário Jiménez ouve pelo rádio que os militares chilenos haviam começado a seqüestrar a edição de várias revistas subversivas, dentre as quais, La Quinta Rueda. No filme, morre apenas o carteiro.

Todavia, em relação ao livro exclusivamente, há uma questão que surge já partir de sua apresentação, ganhando vulto na parte final do texto: quem está falando nessas duas ocasiões é o autor do livro ou narrador da trama? Quem lê o prólogo e o epílogo de ?O carteiro..? logo se questiona: trata-se da mesma pessoa falando? No início temos convicção de se tratar do autor do livro, Antônio Skármeta, falando sobre as circunstâncias em que o escreveu. No fim, temos a palavra do narrador, uma vez que há a referência ao passado ficcional, ocasião em que ele lembra do poema ?Retrato a lápis de Pablo Neftalu Jiménez Gonzales?, que seria publicado em outubro de 1973 na revista ?subversiva? La Quinta Rueda.

A menos que, sendo uma novela semi-ficcional, realmente tenha existido uma revista com aquele nome e alguém que um dia escreveu um poema com aquele título, fatos a que o autor faz referência no epílogo, para encerrar a melancólica sina poética de Mário Jiménez.

Esse narrador onisciente, que penetra no universo psicológico dos personagens, identificando as mínimas variações em seu estado mental, na disposição de alma de cada um, levando-nos a conhecer as mais íntimas cogitações de Beatriz, de Mário, Dona Rosa e mesmo do poeta Neruda, há de ser confundido com o autor? Ou melhor, até que ponto o autor reproduz em seus personagens sua impressão da realidade, sua leitura de mundo, suas convicções políticas, religiosas, ideológicas e filosóficas?

No prefácio de O carteiro...o autor faz referência a uma Beatriz Gonzales, a qual o teria pedido que lhe contasse a história de Mário Jiménez, não importando a demora ou a invenção de fatos a que o autor viesse a recorrer no processo criativo. Faz ainda referência à novela que chegava às mãos do leitor como um elemento à parte daquele intróito e não sua imediata continuação, visto que, também citando Mário, diz que um dos motivos que o levou a escrever o livro foi a possibilidade de o poeta Neruda prefaciá-lo depois de pronto. Quer dizer, ele se coloca como um autor que está apresentando sua obra ao mesmo tempo em que nos induz a confundi-lo com o narrador da novela, o que não se consuma pela absoluta ausência do autor que fala no prefácio no restante do trama, havendo uma descontinuidade evidente, uma ruptura marcante entre a fala introdutória e a posterior narração.

A questão é que essa confusão aumenta ainda mais no final da novela pelo fato de o narrador, aparentemente, dar continuidade às reminiscências presentes noprólogo: ?Na época eu trabalhava como redator cultural...?, quando, agora no epílogo, diz: ?Anos depois me inteirei pela revista Hoy que um redator literário...?

Nesse momento da novela, o narrador rememora fatos presentes na ficção, não sendo lógico afirmar que a voz do epílogo é a do autor despido daquela condição, na exata medida em que não é lógico afirmar que no prólogo a voz é a do narrador, porque nesse primeiro momento é feita menção a fatos que não estão presentes na ficção -não há nenhum jornalista hospedado na pousada em Ilha Negra querendo entrevistar Neruda, e que tenha, no decurso dos dias ali presente, testemunhado os fatos os quais a seguir começa narrar. Além do que, está dito no prólogo que todos os fatos envolvidos naquela tarefa, ou seja, a entrevista a Neruda, foram o mote do escritor para iniciar sua novela, que, segundo ainda o autor, levou quatorze anos para ser concluída.

Como a prudência e a humildade que me recomenda a condição de estudante com pretensões literárias, e não a de crítico literário (atividade inócua a meu ver), estou propenso a admitir que, salvo melhor juízo, Antônio Skármeta não se preocupou em estabelecer uma distinção nítida e inequívoca entre o autor e o narrador, confundidos que estão no prólogo e no epílogo de ?O carteiro e o poeta?, pelas razões aqui expostas.

Braz. Bexiga E Barra Funda

Antônio de Alcântara Machado



Iniciado por Artigo de Fundo, o prefácio onde o autor anuncia que a obra é um jornal, não moralizador, e órgão dos ítalo-brasileiros. A linguagem é uma mistura de português e italiano, e a obra está cheia de referências temporais como nomes de rua e marcas de produtos. O artigo também declara não ser a obra satírica. Os 11 contos que seguem são muito curtos e diretos, sendo quase crônicas. em negrito, os títulos. Gaetaninhio era um jovem que sonhava sempre em ir na frente de um cortejo fúnebre; atropelado por um bonde, acaba realizando, morto, seu sonho. Carmela é uma jovem bonita que é cortejada neste conto, mas o foco da história está em sua estrábica amiga Bianca, que não é desejada por ninguém. Tiro de Guerra no 35 se fixa na figura de Aristodemo Guggiano, jovem *muito* patriótico que acaba por estapear outro soldado por ele não ser brasileiro. Aqui o nacionalismo exagerado é satirizado. Amor e Sangue é a história de um homem, Nicolino, que mata por amor, e fica com o crime publicado e levado ao público como um quarteto. A Sociedade feita por dois pais, um português e o outro italiano, é o que demove o primeiro de não deixar sua filha casar "com filho dum carcamano." Lisetta é uma menina que faz um escândalo a não ganhar um ursinho, e apanha por isso, mas fica contente depois que seu irmão a presenteia com ele.
Coríntians (2) vs. Palestra (1) é um jogo de futebol que acaba por deixar Miquelina desapontada, já que ela torce pelo Palestra (começou após romper relacionamento com Biagio, jogador do Coríntians). Notas Biográficas do Novo Deputado é um título que dá a entender que o jovem Januário, ex-Gennarinho, que neste conto começa a ser criado por família de origem portuguesa, sucederá na vida. O Monstro de Rodas é o relato de um enterro que parece não o ser, já que apenas Dona Nunzia, a mãe da criança falecida, mostra luto. Armazém Progresso de São Paulo é sobre sonhos de riqueza e como pessoas pobres apenas tem sonhos. Nacionalidade é sobre Tranqüilo Zampinetti, um imigrante italiano que vai se transformando de um homem que só queria falar sua língua-mãe até um que começa a votar e se naturaliza brasileiro.

A Madona Do Cedro

Antonio Callado


A Madona de Cedro conta a história de um padre que perdeu a fé, se sente cansado, sem perspectivas, com a sensação de ter jogado a sua vida fora mas permanece exercendo suas funções sacerdotais por um sentimento de absoluto despreparo para sobreviver dentro da sociedade, já que não tinha nem mais família.

A ação se passa em Congonhas do Campo, no Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, paróquia do padre infeliz, durante as comemorações da semana santa.

As personagens do romance são: um grupo de ladrões de imagens sacras do barroco, muito procuradas pelos antiquários; um milionário americano inescrupuloso disposto a ter uma madona de cedro; um padre em crise existencial.

Para roubar a madona de cedro, pretendida pelo americano rico, o ladrão espera a igreja ficar vazia, com a saída da procissão, entra e se esconde tomando o lugar da imagem do Senhor Morto que fica embaixo do altar.

Contando com a liturgia da Igreja que manda que o recinto permaneça fechado e às escuras (Ofício das Trevas) na sexta feira, o ladrão se prepara para dormir e sair quando a igreja reabrir.

Com a igreja já fechada, o padre passa pelo altar e vê a imagem do Senhor Morto se mover e acreditando ser um milagre percebe que sua fé não desaparecera.

O Caso Dos Dez Negrinhos

Agatha Christie


É uma das maiores obras primas da inglesa Agatha Christie, conhecida como Rainha do Crime. O título causou polêmicas, principalmente nos Estados Unidos, onde foi publicado como And Then There Were None. Além do enredo genial, esse livro surpreende até os mais aficcionados fãs da escritora, pois diverge fortemente de seu estilo, prescindindo de um detetive formal, que concentre as ações investigativas. A trama reúne em uma ilha, dez personagens que, em princípio, nada têm em comum, convidados por um anfitrião misterioso . Com o desenrolar da história, todos acabam descobrindo que são acusados, cada um de um crime, e que tais crimes possuem uma intrincada rede de interrelacionamentos que levam ao anfitrião. A partir daí, um a um, os convidados são assassinados, enquanto os demais lutam para sobreviver e encontrar o culpado pelos crimes. Cada cena narrada cria uma expectativa funesta, que prende o leitor à trama e o leva a trocar constantemente de suspeito, até o fim surpreendente e espetacular, totalmente diferente das histórias policiais médias. O livro fez tanto sucesso, que serviu de inspiração para criação do jogo de tabuleiro Clue (no Brasil, Detetive). Também teve uma paródia filmada por Hollywood, o hilário Assassinato por Morte (Murder by Death - 1976, com Peter Sellers, Peter Falk e David Niven).

O Zahir

Paulo Coelho


Quando um escritor entediado sente-se traido pela mulher que o ajudou a ser um sucesso, ele ira ate as ultimas consequencias para reconquista-la. Essa e a estoria do novo livro O Zahir de Paulo Coelho. Os cenarios nao sao tupiniquins como a lingua original do maior fenomeno brasileiro de vendas de livros de todos os tempos. As interrogacoes a respeito do fracasso amoroso do autor de O Alquimista, Brida, e O Diario de um Mago, com a persoagem de Esther, irao leva-lo a peregrinacoes pelas ruas de Paris, tomadas por bebedeiras com jovens anarquistas. Ate descobrir que O Zahir e esta figura junguiana, emblematica, feminina, ele a tera perdido para o jornalismo de correspondencia de guerra, e tambem para um jovem chamado Mikhail. Agora ele tera que ir atras daquela que lhe completa a alma, nem que seja a cavalo e nu, pelas estepes do Casaquistao. -Mesmo assim, todos tem capacidade, nao e certo? -Certissimo. Mas falta coragem para seguir os sonhos e os sinais. Sera que e dai que vem essa tristeza? Esse dialogo entre Esther e o narrador do livro ilustra um momento em que Paulo Coelho confessa nao ter mais paciencia para seguir adiante com as suas conquistas. E Esther, como no inicio da carreira do escritor, quem ira desperta-lo de uma especie de transe psicologico, provocado por um tipo de apatia, derivado do sucesso. Agora que ele ja conquistou tudo, dinheiro, fama e a mulher dos seus sonhos, o que mais falta a si? A reconquista da propria mulher, o seu lado emocional, o seu lado humano, o seu lado compassivo, o seu lado amoroso, enfim. Este e mais um livro da saga do Guerreiro da Luz, que luta contra as sombras do seu proprio ser. Uma estoria de encontros e desencontros. Uma estoria que ira completar tambem ao leitor, se deixar-se abrir a mente e o espirito para a linda mensagem de amor presente neste livro envolvente.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

DICA II

Leia mais rápido

Tudo depende apenas de treino

Não perca tempo e aprenda!

Você sabia que ler devagar pode afetar a compreensão de um texto? O tempo gasto no ato de olhar as palavras pode fazer com que o significado se perca. Isso não quer dizer, contudo, que ler rapidamente seja, por si só uma qualidade: para se entender corretamente o que se está lendo é preciso encontrar a velocidade adequada a cada tipo de leitura. Alguns esclarecimentos sobre o tema podem facilitar a descoberta da velocidade normal de cada pessoa.

O que você lê?

Acredite ou não, seus olhos podem ver apenas quando estão imóveis. Quando se movem, seu movimento é rapidíssimo, feito numa velocidade além do controle consciente. Esses movimentos são praticamente iguais, quer se trate de pessoa de leitura rápida, quer se trate de leitor lento. A diferença entre os dois reside na frequência das pausas entre os movimentos: os leitores rápidos param menos frequentemente. O exemplo abaixo realça essas diferenças ( os traços "/" assinalam as pausas):

O/olho/divide/uma/linha/impressa/em/segmentos./ (lento)

O olho divide/uma linha impressa/ em segmentos. / (rápido)

Tal como uma câmara cinematográfica, o olho retém "fotos" imóveis de cada uma das partes do texto impresso no papel. E o cérebro as interpreta como se elas compusessem um movimento contínuo. Curiosamente, nem o olho repousa sobre as palavras importantes, podendo fixar-se também sobre os espaços entre as palavras. O campo de nossa visão alcança a área imediatamente circundante ao ponto de fixação

Treine seus olhos, para que se movam mais rapidamente.

Experiências feitas por psicólogos revelam que um leitor médio, sem qualquer treinamento especial, pode ver quatro palavras conjugadas, de quatro letras cada uma, se elas forem projetadas numa tela por apenas um centésimo de segundo. Disso se conclui que, se o ato de ler 24.000 palavras por minuto.

Entre o ato de ver e a compreensão do significado das palavras existe porém, um intervalo de tempo aproximadamente um quinto de segundo. Além disso, em quase todos os leitores adultos o tempo que o olhar se fixa em cada ponto de fixação é de cerca de um quarto de segundo. Mas a diferença entre os leitores rápidos e os lentos não limita apenas ao tempo das pausas - inclui o total de repetições das fixações. Os leitores lentos olham para o mesmo ponto, ou para um ponto não muito distante, durante um tempo maior que o necessário para entender o significado da palavra.

O que você pode fazer para acelerar seu ritmo de leitura? Prestando muita atenção, você pode conseguir controlar seus movimentos oculares ou a amplitude de suas fixações. Neste sentido, voc6e pode também olhar mais adiante ao longo da linha digitada, além do que habitualmente faz. Não se desencoraje se isso tornar mais lentas suas primeiras tentativas. Acontece que você estará dando um número maior de elementos para seu cérebro dominar, e isso exige um certo esforço. Mas cinco minutos de prática por dia de fixação - permitirão que você aperfeiçoe seus hábitos de leitura em pouco tempo.

Caso você já seja um leitor rápido, o mesmo exercício poderá acelerar ainda mais sua velocidade de leitura, sem prejuízo da capacidade de compreensão do texto. Algumas pessoas alcançam velocidades excepcionais, como 10.000 palavras por minuto. Mesmo que você não precise, nem deseje chegar a tanto, não custa nada considerar as seguintes regras, enquanto elas não prejudicam o prazer de saborear a informação ou o estilo de texto.

1.Continue movendo sua leitura para diante, ampliando cada vez mais o espaço de visão.

2. Não volte atrás, a não ser que isso seja absolutamente necessário para entender o que já leu.

Quando começamos a aprender a ler, é comum "fixarmos" palavra por palavra, em voz alta. Numa larga medida, os leitores lentos, ainda fazem isso, como se tivessem uma voz interior. Esse fenômeno ocorre, principalmente, quando a pessoa está cansada ou tem dificuldades de concentração. Em consequência, a velocidade de leitura diminui consideravelmente. Para certos tipos de leitura - como a poesia - isso é bom; o mesmo acontece quando se trata de um texto filosófico, hermeticamente elaborado ou de grande complexidade intelectual, no qual cada palavra por é si só extremamente importante. A maior parte dos textos em prosa, contudo, não exige tal excesso de atenção.

Em muitos casos, apenas uma palavra em cada três ( às vezes, uma em dez) pode ser suficiente para a compreensão de todo o texto. É como se fosse uma conversa cotidiana, na qual ouvimos inúmeras palavras mas nos fixamos em apenas algumas; isso já permite a plena compreensão do que o interlocutor está dizendo. Se, ao ler um texto, você puder fazer o mesmo, saltando tudo que não for absolutamente necessário ( os artigos e conectivos "o", "a", "e" etc.), certamente poderá aumentar consideravelmente sua velocidade de leitura. Parte do segredo consiste em olhar verticalmente tanto quanto horizontalmente.

Você pode correr os olhos pela página, antes de lê-la em detalhes, fixando-se nos conceitos essenciais para a compreensão do texto. Esta é uma técnica que, de certa forma, utilizamos quando lemos o jornal, por exemplo. E essa técnica pode ser aperfeiçoada. Para tanto, experimente o seguinte exercício: imprima essa página, ou pegue qualquer texto impresso, logo após, sublinhe as palavras que considera essenciais nesta página. Você descobrirá que uma dúzia delas pode lhe oferecer a chave de que necessita.

Aspecto importante para a velocidade é a autoconfiança do leitor. Certas pessoas acham que precisam reler o que, na verdade, já foi perfeitamente entendido com o primeiro passar de olhos. Por outro lado, há indivíduos que sentem necessidade de ler palavra por palavra, quando isso é absolutamente desnecessário.

A vantagem dos leitores rápidos é que eles são capazes de variar sua velocidade de leitura, de acordo com a maior ou menor dificuldade de cada uma das passagens: eles se detêm nas partes mais difíceis e correm nas mais fáceis.

Os leitores lentos, ao contrário, tendem a manter sempre a mesma velocidade, e isso não é bom. Se, ao ler um trecho, você acha que entendeu o suficiente, corra logo para frente. Sempre é possível voltar atrás, não havendo portanto, o que temer.

Para melhorar sua capacidade de leitura rápida, você pode fazer alguns exercícios muito simples:

1. Leia algumas palavras iniciais de um artigo de revista. Em seguida, passe imediatamente para o início da próxima sentença, e depois para o seguinte. Repita esse procedimento até o final da página, sem qualquer preocupação com o significado total do texto. Esse exercício visa unicamente treinar seu campo de atenção para se mover em área mais ampla. Faça isso uma vez por dia.

2. Leia varias vezes certa passagem de um artigo, até que você fique bem familiarizado com seu conteúdo. Depois disso, repita o primeiro exercício com o resto de texto, tentando perceber a direção do raciocínio do autor.

A leitura é um processo ativo que envolve tanto o cérebro quanto os olhos. Quanto mais você for capaz de antecipar o significado do que estiver lendo, tanto mais fácil será a apreensão das informações por meio de um número reduzido de chaves. Com a prática você poderá aumentar consideravelmente sua capacidade de ler com rapidez. Duas semanas de treinamento são suficientes, mas jamais se esqueça de que ler rapidamente, por si só, nada vale - a leitura deve constituir um prazer a ser plenamente usufruído, e não deve ser entendida como uma tarefa.

FONTE:http://www.vestibular1.com.br/

Goiás



História

A história de Goiás tem como ponto de partida o final do século XVII, com a descoberta das suas primeiras minas de ouro, e início do século XVIII. Esta época, iniciada com a chegada dos bandeirantes, vindos de São Paulo em 1727, foi marcada pela colonização de algumas regiões.

O Contato com os índios nativos e o negros foi fator decisivo na formação da cultura do Estado, deixando como legado principal cidades históricas como Corumbá, Pirenópolis e Goiás, antiga Vila Boa e posteriormente capital de Goiás. O início dos povoados coincide com o Ciclo de Ouro, minério amplamente explorado nessa época. Eles prosperaram e hoje são cidades que apresentam, por meio de seu patrimônio, a história de Goiás.

As Bandeiras

Goiás era conhecido e percorrido pelas bandeiras já no primeiro século da colonização do Brasil. Mas seu povoamento só ocorreu em virtude do descobrimento das minas de ouro (século XIII). Esta povoação, como todo povoamento aurífero, foi irregular e instável.

As primeiras bandeiras eram de carácter oficial e destinadas a explorar o interior em busca de riquezas minerais, e outras empresas comerciais de particulares organizadas para captura de índios. Costumava-se dizer que o Bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, foi o descobridor de Goiás.

Mas isso não significa que ele foi o primeiro a chegar no estado, e sim, o primeiro a ter intenção de se fixar aqui. A bandeira saiu de São Paulo em 3 de julho de 1722. O caminho já não era tão difícil como nos primeiros tempos. Em 1726, foi fundado, pelo próprio Bartolomeu Bueno, o primeiro vilarejo da região, denominado Arraial da Barra.

Conta a lenda que diante da negativa dos índios de informar-lhe sobre o lugar de onde retiravam as peças de ouro com que se adornavam, Bartolomeu Bueno da Silva despejou aguardente num prato e a queimou, dizendo aos indígenas que o mesmo faria com a água de todos os rios e nascentes da região, caso não lhe fossem mostradas as minas. Apavorados, os índios o levaram imediatamente às jazidas, chamando-o anhangüera, que significa feiticeiro no idioma nativo. Com esse nome Bartolomeu Bueno da Silva e seu filho passaram à história. Após esse fato, foram inúmeras as expedições que partiram em direção a Goiás em busca das riquezas do subsolo da região.

No dia 25 de outubro de 1425, após três anos, os bandeirantes voltaram triunfantes a São Paulo, divulgando que haviam descoberto cinco córregos auríferos, minas tão ricas como as de Cuiabá, com ótimo clima e fácil comunicação.

Povoamento de Goiás

Poucos meses após a volta da Bandeira, organizou-se em São Paulo uma nova expedição para explorar os veios auríferos. Bartolomeu, agora superintendente das minas, e João Leite da Silva Ortiz, como guarda-mor.

A primeira região ocupada foi a do Rio Vermelho. Fundou-se lá o arraial de Sant'ana, que depois seria chamado de Vila Boa, e mais tarde de Cidade de Goiás. Esta foi durante 200 anos a capital do território.

Nas proximidades de Sant'ana, surgiram numerosos arraiais às margens dos córregos e rios, como centros de garimpo: Barras, Ferreiro, Anta, Ouro Fino, Santa Rita, etc. Ao divulgar-se a riqueza das minas recém - descobertas, surgiram gente de toda parte do país.

Época do Ouro em Goiás

A época de Ouro em Goiás foi intensa e breve. Após 50 anos, verificou-se a decadência rápida e completa da mineração. Por outro lado, só se explorou o ouro de aluvião, isto é, das margens dos rios, e a técnica empregada era rudimentar.

A sociedade Goiana da Época de Ouro

Goiás pertenceu até 1749 à capitania de São Paulo. A partir desta data, tornou-se capitania independente. No aspecto social a distinção fundamental foi entre livres e escravos, sendo estes em menor número do que aqueles no início da colonização das minas. A população, contudo, continuou composta por negros e mulatos na sua maioria.

Transição da Sociedade Mineradora para Sociedade Pastoril

Ao se evidenciar a decadência do ouro, várias medidas administrativas foram tomadas por parte de governo, sem alcançar no entanto resultado satisfatório.

A economia do ouro, sinônimo de lucro fácil, não encontrou, de imediato, um produto que a substituísse em nível de vantagem econômica.

A decadência do ouro afetou a sociedade goiana, sobretudo na forma de ruralização e regresso a uma economia de subsistência.

A independência de Goiás

Assim como no Brasil, o processo de independência de Goiás se deu gradativamente. A formação de juntas administrativas, que representam um dos primeiro passos nesse sentido, deram oportunidade às disputas pelo poder entre os grupos locais.

Especialmente sensível em Goiás, reação do Norte que, se julgando injustiçado pela falta de assistência governamental, proclamou sua separação do Sul. Em 1744, a região, antes pertencente ao Estado de São Paulo, foi separada e elevada à categoria de província.

Goiás e a Mudança de Capital

A partir de 1940, Goiás cresce rapidamente: a construção de Goiânia, o desbravamento do Mato Grosso goiano, a campanha nacional de "marcha para o oeste", que culmina na década de 50 com a construção de Brasília, imprimem um ritmo acelerado ao progresso de Goiás.

A população se multiplicava; as vias de comunicação promovem a integração de todo país e dentro do mesmo Estado; assiste-se a uma impressionante explosão urbana, com o desenvolvimento concomitante de todos os tipos de serviços (a educação especialmente).

Na década de 80, o estado apresenta um processo dinâmico de desenvolvimento. grande exportador de produção agropecuária, Goiás vem se destacando pelo rápido processo de industrialização. Hoje, ele está totalmente inserido no processo de globalização da economia mundial, aprofundando e diversificando, a cada dia, suas relações comerciais com os grandes centros comerciais.

Em 1988, o norte do Estado foi desmembrado, dando origem ao Estado do Tocantins.

O nome do Estado origina-se da denominação da tribo indígena ‘guaiás’, que por corruptela se tornou Goiás. Vem do termo tupi gwa ya que quer dizer indivíduo igual, gente semelhante, da mesma raça.
Fontes: História de Goiás por Luís Palacin e
Maria Augusta de Sant'ana Moraes, Editora UFG - 1989.
Ministério das relações exteriores

Redação com nota máxima

"É de autoria de Thaís Cortez, que discorreu sobre um tema livre, no Curso Objetivo Santo Amaro, publicado na edição de Setembro/2000 do BICO (Boletim Informativo do Colégio Objetivo).
Confira a criatividade e senso crítico

"Delírios de um vestibulando"

Sentado naquela praça, procurava distrair-me observando as moléculas brincando enquanto aguardava a condução que não vinha. Foi quando deparei-me com a cena que procuro descrever, tal qual a vi.

Dona Hipotenusa caminhava lentamente, trazendo no colo Cateto, seu filho. Seu marido Isósceles caminhava logo atrás do tio, Escaleno. Formavam um triângulo amoroso, segundo diziam.
E observaram uma Tangente solitária que ali estava. Foi quando Bissetriz, moça afoita e apressada, tropeçando em um ângulo obtuso, caiu, machucando-se na diagonal. Acudiram todos, em uma espiral descendente.

"É a enésima vez que caio", dizia a moça.
"É preciso derivar a exponencial cúbica", observou um logaritmo que chegava, passeando com seu decimal de estimação.
Cateto riu, o que deixou a Bissetriz em um estado secante, quase chorosa. Foi D. Hipérbole que, traçando paralelas com os braços, a socorreu.

Hipotenusa, ao ver sua irmã recém-chegada, recriminou-a pelo atraso poligonal sem se dar conta de que estava, ela também, milimetricamente atrasada. Um quilômetro lotado virou a esquina; Isósceles e Escaleno fizeram menção de subir, mas desistiram, enquanto Tangente decidiu ir mesmo assim, já que estava atrasada para mais infinito.

Da condução desceram os irmãos Próton e Nêutron, que logo perceberam estar na equação errada. Pequenos átomos alçaram vôo em direção à pirâmide de uma elipse perfeita. Os irmãos eram, opostos pelo vértice - um côncavo, o outro convexo - e logo passaram a discutir:
"Seu pleonasmo, não viu que ainda não era a Paroxítona? Estamos na Proparoxítona!"
A discussão parecia aquecer em graus Celsius, quando chegou a autoridade. O Máximo Divisor Comum chegou impondo uma regra de três simples, incógnita à mostra, brandando em sustenido:
"Chega desta metáfora aqui!"

Foi quando chegaram as três irmãs Próclise, Mesóclise e Ênclise, sorvendo vogais enquanto discutiam quem ia à frente, no meio ou atrás da fila que se formava à espera da condução. O polígono chegou dirigido por Pitágoras, velho conhecido de D. Hipotenusa e do filho Cateto.
"Falta o outro", dizia enquanto desacelerava o vetor. Quando, por fim, a praça se esvaziou, observei Cosseno e sua mulher Mediatriz, que estava para ter um determinante em breve.

"É só uma fase", pensei eu, mas logo me dei conta de que são duas. "Mas elas vão passar. Ou melhor, eu vou." Entrei no ônibos.



fonte:http://www.vestibular1.com.br/

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Água

Um bem tão precioso!

"A água é o constituinte mais característico da terra. Ingrediente essencial da vida, a água é talvez o recurso mais precioso que a terra fornece à humanidade. Embora se observe pelos países mundo afora tanta negligência e tanta falta de visão com relação a este recurso, é de se esperar que os seres humanos tenham pela água grande respeito, que procurem manter seus reservatórios naturais e salvaguardar sua pureza. De fato, o futuro da espécie humana e de muitas outras espécies pode ficar comprometido a menos que haja uma melhora significativa na administração dos recursos hídricos terrestres."

O manejo racional da água

A água vem se tornando cada vez mais escassa à medida que a população, a indústria e a agricultura se expandem. Embora os usos da água variem de país para país, a agricultura é a atividade que mais consome água. É possível atenuar a diminuição das reservas locais de água de duas maneiras: pode-se aumentar a captação, represando-se rios ou consumindo-se o capital -- "minando-se" a água subterrânea; e pode-se conservar as reservas já exploradas, seja aumentando-se a eficiência na irrigação ou importando alimentos em maior escala -- estratégia que pode ser necessária para alguns países, a fim de reduzir o consumo de água na agricultura.

Assegurar a quantidade de água necessária não basta. É preciso manter a qualidade da água.

Milhares de lagos estão atualmente sujeitos à acidificação ou à eutroficação -- processo pelo qual grandes aportes de nutrientes, particularmente fosfatos, levam ao crescimento excessivo de algas. Quando as algas em quantidade excessiva morrem, sua degradação microbiológica consome grande parte do oxigênio dissolvido na água, piorando as condições para a vida aquática. É possível restaurar a qualidade da água nos lagos, mas há um custo e o processo leva anos.

Embora a poluição dos lagos e dos rios seja potencialmente reversível, o mesmo não acontece com a água subterrânea. Como a água subterrânea não recebe oxigênio atmosférico, sua capacidade de autopurificação é muito baixa, pois o trabalho de degradação microbiana demanda oxigênio. A única abordagem racional é evitar a contaminação.

Por sua vez, a recuperação da qualidade da água do oceano é incomparavelmente mais difícil do que a dos lagos e rios, segundo experiência já adquirida, que dita ainda mais precaução nesse caso.

Tornou-se clara a necessidade de uma abordagem integrada. Expectativas socioeconômicas devem se harmonizar com as expectativas ambientais, de modo que os centros humanos, os centros de produção de energia, as indústrias, os setores agrícola, florestal, de pesca e de vida silvestre possam coexistir. Nem sempre o fato de existirem interesses variados significa que devam ser conflitantes. Podem ser sinergísticos. Por exemplo, controle de erosão caminha junto com reflorestamento, prevenção de enchentes e conservação de água.

Um projeto de manejo de recursos hídricos deveria visar mais um aumento da eficiência no consumo de água do que um aumento da disponibilidade de água. O aumento do fornecimento de água é usualmente mais caro e apenas adia uma crise. Para alguns países, aumentar a eficiência é a única solução às vezes. A irrigação pode ser e geralmente é terrivelmente ineficiente. Na média mundial, menos de 40% de toda a água usada na irrigação é absorvida pela plantação. O resto se perde. Um dos problemas trazidos pela irrigação excessiva é a salinização. À medida que a água se evapora ou é absorvida pelas plantas, uma quantidade de sal se deposita e se acumula no solo. Novas técnicas de micro-irrigação, pelas quais tubulações perfuradas levam a água diretamente às plantas, fornecem boa maneira de conservar a água.

A captação de água subterrânea para aumentar o fornecimento de água deveria ser evitada a todo custo -- a menos que se garanta que o aqüífero de onde se tira a água será reabastecido. Como a água subterrânea se mantém fora do alcance de nossas vistas, pode se tornar poluída gradualmente sem excitar o clamor público, até que seja tarde demais para reverter o dano causado pela poluição.

A adoção de programas de prevenção de poluição é preferível à utilização de técnicas de remoção de contaminantes em água poluída, uma vez que a tecnologia de purificação é cara e complexa à medida que o número de contaminantes cresce.

Paralelo a tudo isso, existe a necessidade de se fazer mais pesquisa sobre a hidrosfera, com estudos sobre a ecologia e a toxicologia da vida marinha; sobre o ciclo hidrológico e os fluxos entre seus compartimentos; sobre a extensão das reservas subterrâneas e sua contaminação; sobre as interações entre clima e ciclo hidrológico.

"Predizer o que pode acontecer se medidas rigorosas não forem implementadas no manejo dos recursos hídricos é fácil. Rios que viraram esgotos, lagos que se tornaram fossas... Não vimos isso acontecer? Pessoas morrem por beber água contaminada, a poluição sendo carregada para o mar ao longo das praias, peixes envenenados por metais pesados e a vida silvestre sendo destruída... A política do laissez-faire com relação ao manejo da água só pode conjurar mais desgraças desse tipo -- e em escala maior.

Mas temos esperança que o reconhecimento desse fato vai estimular o governo e os povos à ação."

fonte:http://www.geocities.com/~esabio/agua/agua5.htm video

quarta-feira, 1 de abril de 2009

RESUMOS

A maioria dos resumos foram retirados do site abaixo:

http://www.vestibular1.com.br/resumos_livros/resumo_arquivo.htm


Domínio Público - pesquisa básica - Ministério da Educação -
Neste site você encontra alguns livros completos de todas as disciplinas
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp

Vidas Secas

- Graciliano Ramos

Desdita, miséria e fome dos retirantes

Vidas Secas (1938), um dos romances mais fortes de nossa literatura, pode ser visto como irmão de Morte e Vida Severina, não só pela temática, mas também pela linguagem direta, seca, cortante, livre da viciosa idéia de que o texto artístico precisa ser empolado e adjetivoso. Note o emprego da ordem direta das orações, que em sua maioria são curtas. É impressionante como esse romance consegue arrancar beleza de material tão simples.

De fato, Vidas Secas parece uma obra predestinada a superar limitações. É econômica em sua linguagem, sem ser pobre. É modernista, sem se preocupar em desacatar a norma gramatical. É regionalista, mas enfoca problemas que vão além do Nordeste. Aliás, esse último aspecto é o que mais se destaca. A abordagem principal da obra não é exatamente a seca, mas a presença em toda parte do binômio opressão-submissão, abrindo caminho para o massacre do caráter humano, também visto na dificuldade de linguagem de Fabiano e na animalização dele e de sua família.

Supera também limitações no campo da estruturação. Seus 13 capítulos são células, cada uma com sua própria identidade narrativa. Por esse motivo há quem lhe impute a classificação de livro de contos. No entanto, pode-se vê-la também como novela, pois essas pequenas células estão interligadas, pelo fato de possuírem as mesmas personagens, no mesmo ambiente, padecendo os mesmos problemas. É mais eficaz, no entanto, perceber a visão problemática que a obra empresta ao seu herói e ao seu mundo. Seria, portanto, um romance.

No primeiro capítulo, há a apresentação dos elementos básicos da narrativa. Fica-se conhecendo a família de Fabiano, retirante por causa da seca. O mais interessante é o narrador informar que eram seis sobreviventes: o papagaio, a cadela Baleia, Fabiano, sua esposa Sinha Vitória, o menino mais novo e o menino mais velho. Dessa forma, igualam-se animais e humanos no massacre da seca.

É também importante lembrar que, no desespero da fome, o papagaio havia sido comido antes de iniciada a narrativa, pois era inútil: não sabia falar; latia. Sua incapacidade, no entanto, deve ser vista como perfeitamente lógica, pois não podia aprender a falar se o uso da linguagem é a principal dificuldade na família em que estava. O único integrante mais sociável, mais afetivo, é justamente Baleia.

Esse rebaixamento a que o narrador submete a família não está relacionado a qualquer preconceito em relação ao nordestino. Na verdade, o que se pretende é mostrar que o meio social em que estão inseridos é tão absurdo que os faz perderem a quase totalidade do caráter humano. Nesse aspecto, sua crítica torna-se extremamente aguda.

Comido o papagaio, não há mais o que os retirantes possam utilizar. Estavam fadados à morte. A sorte é que encontraram uma fazenda abandonada e pouco depois Baleia caça um preá para que possam comer. É o suficiente para garantir uma sobrevida de pelo menos mais um dia.

Satisfeito com essa chance, Fabiano passa a sonhar como seria sua vida de fazendeiro. Quanto a esse aspecto, dois fatos cruciais. O primeiro é como todas as personagens trabalham com seus sonhos – são sempre jogados para um futuro impreciso, distante. É quase o mesmo que tornar essa felicidade impossível. É a realidade da opressão: não ter sonhos é perder o estímulo de vida. Então, o sistema dá vazão a só isso, sem permitir sequer o vislumbre de sua concretização.

Além disso, o trabalho que se faz com os verbos é bastante notável. Note a mudança entre os verbos que relatam os sonhos de Fabiano (futuro do pretérito, o tempo da possibilidade) e ações da própria cena em si, em que o protagonista procura água (pretérito perfeito e imperfeito, tempo das ações realizadas). Essa virtuosidade vai-se realizar também no capítulo “Inverno”, por exemplo, com a descrição da seca em pretérito-mais-que-perfeito (adequado para relatar ações anteriores ao que está sendo narrado: a época da chuva excessiva). Outro momento em que isso se vai realizar é no último capítulo, “Fuga”, no qual o narrador relatará com fidelidade os sonhos esperançosos de Fabiano na cidade grande. Nesse capítulo, o emprego do pretérito imperfeito mostra que o narrador, apesar de ser fiel ao pensamento da personagem, não compartilha com suas crenças.

Aliás, a posição que esse narrador assume representa o grande triunfo da Prosa Regionalista. Esse estilo padecia de um grande problema cujo exemplo máximo é São Bernardo (1934), do mesmo autor. A grande dificuldade dessa obra é conceber um semi-analfabeto como um narrador muito sofisticado. É o Regionalismo fechado a um impasse: se mantivesse fidelidade ao universo sertanejo, inclusive à sua estrutura de pensamento, perderia literariedade; se mantivesse literariedade, perderia fidelidade. Vidas Secas soluciona esse problema ao apresentar um narrador onisciente (que garantirá o caráter estético do livro, além da visão crítica e histórica dos fatos apresentados), que se utilizará do discurso indireto livre (o que garantirá fidelidade ao universo narrado).

O segundo capítulo, “Fuga”, mostra Fabiano estabelecido. Está satisfeito, apesar da volta do dono da fazenda, que o fez descer da condição de proprietário a vaqueiro. No entanto, a postura crítica do narrador mostra elementos comprometedores. Em primeiro lugar, a descrição feita da personagem – barba e cabelos ruivos, olhos azuis, rosto avermelhado – revela que pertence ao que seria chamado de raça ariana, o que serve para ressaltar um aspecto cruel do seu meio, pois o homem se sente um cabra, ou seja, mestiço, já que sempre viveu nas terras dos outros, cuidando das coisas dos outros. O massacre é tão forte que chega até a mexer na identidade étnica.

Esse destroçar de identidade conseguirá ser reforçado pela maneira como o protagonista se qualifica. Empolgado com sua nova condição, exclama: “Fabiano, você é um homem!”. Arrepende-se, pois não possui semelhanças com as pessoas, diante das quais se encolhe, não conseguindo comunicar-se. Entende-se melhor com os animais e se comporta como eles. Assim, refaz seu conceito e qualifica-se como um bicho, orgulhando-se, pois indica sua capacidade para resistir às dificuldades do meio.

O terceiro capítulo, “Cadeia”, já mostra Fabiano na cidade, fazendo compras. É convidado pelo Soldado Amarelo a participar de uma partida, em que acaba perdendo. Levanta-se exaltado, pois imagina a bronca que receberá de Sinha Vitória. No entanto, para o soldado aquilo foi interpretado como uma ofensa, uma afronta. Vai tomar satisfações com o cabra, pisando-lhe o pé. De alpercata (alpargata), o coitado não agüenta a pressão da botina e acaba berrando, o que provoca sua prisão por desacato. No cárcere, mostra-se indignado por tudo aquilo ter acontecido por não saber falar direito. Revela-se, além da questão da opressão, a idéia, cara ao autor, de que o domínio da linguagem é sinônimo de poder, no mínimo de liberdade ou de não-exploração.

O quarto capítulo é “Sinha Vitória”. Apresenta-se nele o grande sonho da protagonista: possuir uma cama de couro igual à do seu Tomás da bolandeira. Aqui também se manifesta o aspecto de a felicidade ser colocada num futuro intangível. Outro elemento a ser notado no capítulo é a maneira desconexa e primitiva do pensamento da personagem, que aqui se manifesta do mesmo nível do de Fabiano, que curava os animais com reza. Em “Contas”, ela leva vantagem, graças à habilidade matemática.

O quinto capítulo, “O Menino Mais Novo”, apresenta a criança admirando o pai, que acabara de domar um cavalo brabo. Almeja, quando crescer, ser também um vaqueiro. E, ao contrário das outras personagens, vai tentar quebrar a intangibilidade da felicidade, querendo trazê-la para o presente. Resolve domar um bode, numa imitação, engraçada por sua ingenuidade, do pai. No entanto (mais uma manifestação da opressão), o animal não se deixa dominar e derruba humilhantemente o garoto. É o castigo por ter desejado desobedecer a uma lei tão forte de seu meio.

O sexto capítulo, “O Menino Mais Velho”, mostra o garoto preocupado em descobrir o significado da palavra “inferno”, que havia ouvido numa reza que uma mulher havia feito para curar a dor de coluna de Fabiano. Não consegue do pai a eliminação de sua dúvida. O homem enxota o menino, sob a alegação de que estaria irritando-o, mas, por meio do narrador onisciente sabemos que não quer é demonstrar fraqueza por sua ignorância. Atitude gerada pela insegurança e que pode ser vista na figura de Olímpio, de A Hora da Estrela. De novo entra em questão o poder, que se vai repetir com a mãe. Esta consegue fazer uma descrição bem viva do local que em muito se assemelha ao que sofreu durante a caminhada como retirante, o que prova a incapacidade que tem de abstração. Como sua descrição é tão viva (e concreta), o menino fica admirado e pergunta se a mãe já tinha visto, o que ela, erroneamente, encarará como questionamento. Para não comprometer sua superioridade, dá cocorotes (cascudo) no menino. Triste, refugia-se fora de casa e ganha a companhia da cadela Baleia (a única personagem afetiva na obra).

Nesse momento, ocorre algo interessante. O garoto tenha imaginar como seriam locais bem diferentes de onde vive, como o Paraíso ou mesmo o Inferno, mas não consegue fazer sua imaginação voar. No instante em que principia a decolagem, a visão de sua mãe que passa pela janela o faz voltar a terra. Temos aqui uma oposição a Primeiras Estórias, pois as personagens do livro de Guimarães Rosa têm a possibilidade de fazer o que Graciliano Ramos proíbe: transcender a realidade.

No capítulo seguinte, “Inverno”, temos a família reunida ao redor da fogueira, esquentando-se enquanto a chuva provoca uma enchente monstruosa. A opressão mostra-se onipresente, pois, quando não é a seca que massacra, é o seu contrário, a chuva. Exibe-se também neste capítulo a dificuldade de comunicação e até mesmo de afetividade entre os integrantes da família, que, ao invés de aproveitarem o calor da fogueira que os reuniu, acabam tendo um desentendimento. São personagens secas, como indicaria o título.

O oitavo capítulo, “Festa”, apresenta a família de Fabiano indo à cidade para os festejos de Natal. A proposta narrativa parece ser mostrar com são párias, ou seja, completamente deslocados do contexto social. Esse aspecto já se revela na dificuldade que têm para andar, pois estão calçados, Fabiano de botina apertada, Sinha Vitória de salto que a faz andar com uma galinha. No meio do caminho, resolvem ficar descalços até a entrada da cidade, o que é alegria para as crianças, também aliviadas. Lá dentro, agonia. Fabiano lembra-se da humilhação passada na cadeia bebe demais e acaba dormindo ao relento. Os meninos sentem-se num caos, pois não estavam acostumados a ver tanta gente reunida. Sinha Vitória pena de vontade de urinar, mas não sabe onde – até que se agacha junto à igreja, perto de umas mulheres que conversavam, e desafoga-se. Baleia quer dormir – chegou sua hora – e não consegue com a agitação das pessoas.

O capítulo mais tocante é o nono, “Baleia”, dono da narrativa que deu origem ao romance. Nele, a cadela, doente, precisa ser sacrificada para não colocar em risco os meninos. Fabiano vai cumprir sua missão, com o propósito de expedir um tiro certeiro na cabeça do animal, o que evitaria sofrimento. No entanto, erra e acerta-lhe os quartos (região lombar).

A primeira intenção da cadela é atacar quem a feriu. Porém, quando percebem quem foi o autor, justo quem cuidou dela desde filhote, não consegue fazer nada. A partir deste capítulo um novo enfoque, talvez mais cruel e crítico, vem à tona para se associar à temática da opressão: a submissão. Baleia tem em sua mente, em seus últimos momentos, a imagem do que seria o seu paraíso, um lugar cheio de preás grandes, suculentos. Consegue superar, em sua capacidade de raciocínio transcendental, os membros da família de Fabiano.

O décimo capítulo, “Contas”, apresenta Fabiano fazendo acerto com o dono da fazenda em que trabalha. Já tinha recebido um cálculo feito por Sinha Vitória sobre quanto iria receber. Mas o proprietário vem com uma conversa estranha de juros, o que diminui o pagamento. Fabiano exaspera-se com aquilo que considera injustiça, mas, quando o fazendeiro usa o velho argumento de que, se o cabra não estivesse satisfeito, que procurasse outro lugar, torna-se mais uma vez submisso, mesmo contra a vontade. Mais uma vez, a temática do capítulo 3: se tivesse capacidade de articulação de um discurso de defesa, não seria enganado.

O décimo primeiro capítulo, “O Soldado Amarelo”, mostra o reencontro de Fabiano com o seu opressor. Agora, com a vantagem do vaqueiro, pois seu opositor está em meio da caatinga, sem o apoio dos companheiros de tropa. O oficial percebe sua desvantagem e passa a tremer, o que deixa Fabiano enraivecido, pois não entende como um tipo que se arvorava tanto na cidade agora tremia vergonhosamente. Ainda assim, mais uma vez o novo tempero dos dois capítulos anteriores manifesta-se: Fabiano fora “adestrado” a respeitar gente do governo, a respeitar farda. Não reage, pois. Mostra-se submisso e o soldado aproveita-se da vantagem.

O penúltimo capítulo, “O Mundo Coberto de Penas”, é um prenúncio do que se sucederá. É o surgimento das aves de arribação, que estão em busca de água, já rarefeita. É o sinal de que a seca estava voltando.

Destaque deve ser dado ao olhar cinematográfico do narrador quando relata a chegada dos pássaros. Nesse trecho, como na descrição da ferocidade da chuva (“Inverno”) e na belíssima abertura do romance, o que vale, para fruir toda a beleza do texto, é imaginar como seriam visualmente tais cenas.

No último capítulo, “Fuga”, ocorre o que já estava previsto no anterior: a família de Fabiano é expulsa mais uma vez pela seca, tornando-se retirante. A diferença, se há, é que agora alimentam esperanças de um futuro melhor, pois partem em direção ao sul (Região Sudeste, provavelmente). Contudo, deve-se notar o distanciamento que o narrador mantém, principalmente graças à manipulação das formas verbais, em relação aos sonhos de Fabiano e Sinha Vitória. Outro elemento digno de nota é o caráter cíclico que se estabelece, pois a família foge da seca no último e no primeiro capítulo. Tal aspecto é uma das explicações para o adjetivo “secas” do título da obra: reforça a idéia de que são vidas que não frutificam, não têm perspectiva de futuro. É, pois, um final de travo amargo, a lembrar a esperança seca que muitos também enxergam no desfecho de Morte e Vida Severina.

Viagem

- Cecília Meireles

Viagem é composto por doze poemas, que podem ser interpretados como doze etapas de uma trajetória espiritual, onde vida e poesia se confundem, da mesma maneira que a poeta e a natureza. Formalmente, convivem lado a lado versos de sete e oito sílabas e versos livres.

Poema escolhido: Viagem

Fez tanto luar que eu pensei em teus olhos antigos
e nas tuas antigas palavras.
O vento trouxe de longe tantos lugares em que estivemos
que tornei a viver contigo enquanto o vento passava.

Houve uma noite que cintilou sobre o teu rosto
e modelou tua voz entre as algas.
Eu moro, desde então, nas pedras frias que o céu protege
e estudo apenas o ar e as águas.

Coitado de quem pôs sua esperança
nas praias fora do mundo...
- Os ares fogem, viram-se as água,
mesmo as pedras, com o tempo, mudam.

Vestido de noiva

- Nelson Rodrigues


O mundo neurótico de Alaíde

O universo dramático de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, é a classe média carioca nas imediações dos anos quarenta. Nessa sociedade, predomina a hipocrisia, os preconceitos e os símbolos eleitos pela cultura judaico-cristã como eternos em relação à família e ao casamento.

O peça inicia com buzina de automóvel, barulho de derrapagem violenta, vidraças partidas, sirene de ambulância. O cenário é dividido em três planos, que o autor denomina: alucinação, memória e realidade. Os sons ouvidos referem-se ao atropelamento de Alaíde, que é levada a um hospital.

O plano da realidade encena a luta de Alaíde contra a morte, em estado de coma, na mesa de operação, bem como os acontecimentos que sucedem o atropelamento: a movimentação dos repórteres, a reclamação de uma leitora de um jornal sobre o abuso de velocidade dos automóveis, a conversa do marido, Pedro, com os médicos, a morte da protagonista, o velório, o luto dos parentes, e finalmente o casamento de Pedro com Lúcia, irmã de Alaíde.

Os planos da memória e da alucinação apresentam no início da peça uma certa definição, para irem-se interpretando à medida que a ação evolui. Esses dois planos são projeções exteriores do subconsciente de Alaíde, uma mulher inconformada com a condição feminina na classe média alta carioca, o que provoca nela um desejo irresistível de transgredir: como se tentasse realizar-se adotando as regras de um jogo adverso, ela seduz todos os namorados da irmã, e acaba casando-se com o último deles, Pedro. A irmã promete vingança, e, depois de algum tempo, quando o casamento entra naquela fase de tédio, trama com Pedro a maneira mais extremada de descartar Alaíde: seu assassinato.

Alaíde, nos dias que antecedem o acidente, parece desconfiar que estava jurada de morte, e, enquanto definha na sala de cirurgia, tenta reconstruir em sua mente os acontecimentos passados, misturando-os ao seu delírio, à satisfação dos desejos reprimidos.

O principal símbolo da libertação feminina é para ela Madame Clessi, uma prostituta do início do século que havia residido na casa em que então moravam seus pais. Diante do propósito dos pais de incinerarem os pertences da cafetina que haviam ficado no sótão da casa, Alaíde consegue resgatar o diário dela, e fica conhecendo detalhes de sua trajetória, complementados com recortes de jornais da época encontrados na Biblioteca Nacional.

Em sua alucinação, misturada com a memória, Alaíde encontra na figura de Clessi apoio para a reconstrução dos fatos passados e da revelação subconsciente de seus desejos, entre os quais o assassinato de Pedro, como retaliação à trama macabra que ele perpetrara de acordo com sua própria irmã.

Neste universo social, a permissão da vivência sexual para a mulher só ocorre de uma entre duas maneiras: ou ela se casa de acordo com os preceitos religiosos e sociais, ou ela transgride tudo, tornando-se prostituta. No caso de Alaíde, ela acaba conseguindo ter acesso ao sexo na vida real e uma tentativa no subconsciente, em sua amizade com Clessi.

Inconformada com as convenções sociais repressoras da mulher, Alaíde não consegue em vida opor-se a elas, mas consegue manipular as pessoas com seu poder de sedução. Perto da morte, seu desejo de transgressão toma corpo e salta aos olhos nas cenas em que se torna amiga da prostituta e consegue inclusive matar, com a maior frieza, o marido traidor.



Os imortais

Ninguém presta, nesta peça: Alaíde é neurótica e oportunista, Pedro e Lúcia são presumidos assassinos e hipocritamente se casam, com o consentimento dos pais de Lúcia e da inexpressiva mãe de Pedro.

Alaíde é a protagonista de Vestido de Noiva. É uma mulher insatisfeita e inconformada com a condição feminina. Seduz os namorados da irmã como uma tentativa de auto-afirmação, que a faz parecer melhor aos próprios olhos. É como ela diz a Lúcia, em tom de provocação: "Eu sou muito mais mulher do que você - sempre fui! Após conquistar Pedro, que se torna seu marido, demonstra um certo desinteresse e frustração pela vida de casada, ao mesmo tempo em que se sente ameaçada de morte por Pedro e Lúcia. O atropelamento é um desfecho trágico da tensão dos últimos dias da protagonista, e tanto pode ser suicídio como acaso ou assassinato. Em seu delírio e lembranças, reconstrói no subconsciente as injustiças de que se julga vítima e revela seu fascínio pela vida marginal de Madame Clessi.

Lúcia, irmã de Alaíde, aparece em quase toda a peça como Mulher de Véu. É uma pessoa também insatisfeita, incompleta, que vive atormentada pelo sentimento de ter sido passada para trás pela irmã. Parece ter conseguido uma grande vitória com a morte de Alaíde e seu casamento com Pedro, mas as cenas finais sugere que ela não estará melhor em seu casamento do que Alaíde em seu túmulo.

Pedro é o elemento dominador, é quem manipula as mulheres para conseguir o que quer. Namora Lúcia inicialmente, deixa-se seduzir por Alaíde, com quem se casa pela primeira vez, e depois concebe um plano macabro de eliminar a esposa para retornar aos braços da irmã. É o industrial bem sucedido, que representa o bom partido para as moças casadoiras que conseguirem fisgá-lo, mesmo sabendo que viveram à mercê do macho opressor.

Madame Clessi é a prostituta do início do século que povoa a mente de Alaíde, desejosa de viver um mundo de sensações picantes. Ela havia residido na casa de Alaíde décadas atrás, e os pais da protagonista resolvem queimar seus pertences, alguns dos quais são salvos, inclusive o diário. Clessi representa (para Alaíde) o ideal de mulher liberada, que agride a sociedade hipócrita que Alaíde nega, mas na qual ela transita.

Os demais personagens desempenham papéis secundários, como o namoradinho adolescente de Clessi, que a assassina com uma navalhada, e os pais de Alaíde e Lúcia e a mãe de Pedro, que representam a classe média conformada e deslumbrada com as convenções sociais, que devem ser preservadas.



Temática e símbolos

Partindo do princípio de que as relações sociais são perversas, todas as atitudes das pessoas revelam a hipocrisia, a competição desleal, os desejos proibidos, o conformismo imbecilizado ou o inconformismo agressivo, enfim, é um universo de obsessivo pessimismo.

Todas as imagens e símbolos que emergem da peça convergem para essa amarga concepção da existência, sem nenhuma surpresa, com pouca sutileza, de maneira bem clara, em que pese a manifesta intenção de ironizar símbolos sagrados à cultura judaico-cristã. Assim Vestido de Noiva que deveria simbolizar a virgindade, a ingenuidade de sentimentos, a paixão pelo noivo com o qual ocorrerá a união sob a benção de Deus e dos homens, nos mostra um cenário completamente a este apenas descrito e acaba dessacralizando a pureza e a castidade para se tornar a representação das discórdia, da competição, e, a considerar o inequívoco desfecho da peça, em que a marcha fúnebre se sobrepõe à marcha nupcial, termina por adquirir a conotação de mortalha.

As outras imagens também convergem para o mesmo universo simbólico, como o bouquet, espécie de troféu às avessas e metáfora de um casamento destinado ao fracasso, e a aliança - "grossa ou fina, tanto faz" nas palavras de uma prostituta -, ao invés de celebrar a união do casal, funciona como índice de disputa, rivalidade, ameaça de morte.

A mulher de véu também se constitui numa imagem de pessimismo. É a mulher que não se revela, mas está sempre pronta a dar o bote, em seu desejo de vingança. É a retaliação sempre presente, que Alaíde só consegue identificar claramente ao final do segundo ato. Provavelmente será a próxima vítima do marido.

(...)

Madame Clessi: Quer falar comigo?

Alaíde (aproximando-se, fascinada): Quero, sim. Queria...

Madame Clessi: Vou botar um disco. (Dirige-se para a invisível vitrola, com Alaíde atrás)

Alaíde: A senhora não morreu?

Madame Clessi: Vou botar um samba. Esse aqui não é muito bom. Mas vai assim mesmo. (Samba surdinando) Está vendo como estou gorda, velha, cheia de varizes e de dinheiro?

Alaíde: Li o seu diário.

Madame Clessi (cética): Leu? Duvido! Onde?

Alaíde (afirmativa): Li, sim. Quero morrer agora mesmo, se não é verdade!

Madame Clessi: Então diga como é que começa. (Clessi fala de costas para Alaíde)

Alaíde (recordando): Quer ver? É assim... (Ligeira pausa) "Ontem, fui com Paulo a Paineiras"... (feliz) É assim que começa.

Madame Clessi (evocativa): Assim mesmo. É.

Alaíde (perturbada): Não sei como a senhora pôde escrever aquilo! Como teve coragem! Eu não tinha!

Madame Clessi (à vontade): Mas não é só aquilo. Tem outras coisas.

Alaíde (excitada): Eu sei. Tem muito mais. Fiquei!... (Inquieta) Meu Deus! Não sei o que é que eu tenho. É uma coisa – não sei. Por que é que eu estou aqui?

Madame Clessi; É a mim que você pergunta?

(...)